Bolsa Família responde por 85% do saldo de empregos formais

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Bolsa Familia Foto: Bolsa Familia - Foto: Instagram

Os beneficiários do Bolsa Família responderam pela criação de 4,58 milhões de postos formais de trabalho no Brasil entre janeiro de 2023 e julho de 2026. O contingente representou 85,18% do saldo líquido total de empregos com carteira assinada abertos em território nacional ao longo do período analisado, segundo pesquisa divulgada na quarta-feira (30) pelo Centro de Estudos Empíricos em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV CEEE), sediado no Rio de Janeiro.

Elaborado pelos economistas Valdemar Pinho Neto e Luiz Gustavo Barbosa, o documento intitulado Inserção dos Beneficiários do Bolsa Família no Emprego Formal cruzou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da folha de pagamentos do benefício e do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). O coordenador do centro destacou a atuação dos cadastrados na força produtiva do país. “A crítica de que os beneficiários do Bolsa Família não querem trabalhar não é válida de acordo com os números”, afirmou Valdemar Pinho Neto.

Bolsa Família define fluxo de contratações no Caged

No intervalo de janeiro de 2023 a julho de 2026, a economia brasileira acumulou 91,8 milhões de contratações formais e 86,4 milhões de desligamentos, gerando um saldo líquido geral de 5,38 milhões de novas ocupações sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho. O resultado obtido pelos participantes do programa de transferência de renda decorreu de uma dinâmica em que o volume de entradas superou com folga o ritmo de saídas nas empresas privadas e instituições formais.

Integrantes de lares assistidos pelo Bolsa Família registraram 15,35 milhões de admissões com carteira assinada, o que correspondeu a 16,72% de todas as admissões catalogadas pelo Ministério do Trabalho por meio do Caged. No sentido inverso, o contingente somou 10,77 milhões de demissões, respondendo por 12,46% do total de desligamentos. A diferença direta entre os dois fluxos resultou no saldo líquido de 4,58 milhões de empregos adicionados ao mercado pelo grupo social.

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O desempenho dos trabalhadores vinculados ao sistema governamental de assistência apresentou comportamento divergente daquele registrado entre cidadãos sem inscrição em programas sociais federais, conforme revelam os dados detalhados da apuração da FGV CEEE:

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  • Beneficiários do Bolsa Família: saldo positivo de 4,58 milhões de postos com carteira assinada
  • Inscritos no CadÚnico sem Bolsa Família: saldo positivo de 1,26 milhão de vagas formais
  • Total consolidado do Cadastro Único: saldo positivo de 5,84 milhões de oportunidades
  • Trabalhadores não inscritos no CadÚnico: saldo negativo de 460,6 mil vagas no período
  • Saldo geral da economia nacional: 5,38 milhões de novos postos formais

Perfil do trabalhador do Bolsa Família no mercado de trabalho

A pesquisa identificou que a expansão líquida de postos entre as famílias atendidas pelo benefício concentrou-se predominantemente entre mulheres, pessoas jovens e trabalhadores com nível de instrução secundário. As mulheres foram responsáveis por 55,40% do saldo obtido, totalizando 2,54 milhões de colocações, enquanto os trabalhadores declarados pardos responderam por 62,71% do total de postos líquidos, somando 2,87 milhões de ocupações.

Em relação à idade, a faixa etária de 18 a 24 anos sustentou 40,52% do crescimento líquido das vagas no grupo do Bolsa Família, acumulando 1,85 milhão de empregos. No indicador de escolaridade, os profissionais com ensino médio completo foram responsáveis por 78,24% do saldo gerado pela categoria. A distribuição pelo território brasileiro revelou que o estado de São Paulo registrou o maior volume absoluto de postos ocupados por beneficiários, com 1,09 milhão de vagas, seguido por Minas Gerais com 448 mil, Rio de Janeiro com 376 mil, Bahia com 354 mil e Paraná com 234 mil.

Regra de proteção do Bolsa Família garante renda após contratação

O funcionamento do programa conta com a regra de proteção, instrumento desenhado para oferecer estabilidade financeira e segurança socioeconômica aos cidadãos vulneráveis que obtêm emprego com registro formal em carteira. O regulamento estabelece que a família que elevar a sua remuneração para até meio salário mínimo por pessoa após a conquista da vaga de emprego permanece com direito de receber 50% do valor do benefício pelo prazo de até 24 meses.

“O Bolsa Família tem um papel importante ao garantir uma proteção de renda e, ao mesmo tempo, permitir que essas pessoas tenham condições de buscar e alcançar uma oportunidade no mercado de trabalho formal, sem que a entrada no emprego signifique necessariamente a perda imediata dessa proteção. É um resultado que reforça a importância de combinar transferência de renda e inclusão produtiva”, declarou Valdemar Pinho Neto.

Pesquisas econômicas e aspectos pendentes sobre a ocupação formal

O balanço divulgado pela FGV CEEE diverge das conclusões apresentadas em levantamento anterior conduzido pelo economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Aquele relatório pretérito havia apontado recuo de 11% na participação da força de trabalho e retração de 12% na taxa de ocupação formal entre a população elegível ao programa federal.

Os pesquisadores Valdemar Pinho Neto e Luiz Gustavo Barbosa destacaram no relatório que o trabalho retrata um registro estatístico dos movimentos no mercado e não deve ser lido como medição direta de causalidade. O estudo atual não afere se o programa governamental foi o motivador direto da contratação, assim como não investigou os níveis de remuneração recebidos, as taxas de estabilidade funcional ou as condições qualitativas dos contratos firmados.

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