A Capcom detalhou a evolução estrutural de seu motor gráfico próprio por meio do projeto REX (RE neXt Engine), que integra inteligência artificial em rotinas de programação, testes e controle de qualidade. O anúncio ocorreu durante a conferência técnica Capcom Open Conference RE: 2026, realizada em Tóquio, na sexta-feira (2). A iniciativa busca modernizar o ecossistema interno de produção sem recorrer à inteligência artificial generativa para desenhar personagens, cenários ou outros ativos visuais que compõem as versões finais dos jogos.
Durante a conferência técnica, o programador da Capcom Satoshi Ishida explicou que a modernização é voltada ao ganho de agilidade nos fluxos das equipes. Em tradução livre, o desenvolvedor afirmou que “integrar com sucesso a tecnologia de IA aos fluxos de trabalho de desenvolvimento se tornou uma condição essencial para simplificar o desenvolvimento futuro”. A companhia mantém o posicionamento institucional apresentado em reunião de acionistas, no qual declarou que não implementará ativos gerados por inteligência artificial em seus jogos, planejando utilizar a tecnologia proativamente como ferramenta para melhorar a eficiência e a produtividade no desenvolvimento.
Projeto REX estrutura seis frentes técnicas para a RE Engine
Em vez de substituir a tecnologia atual do zero e descartar a infraestrutura existente, a iniciativa REX adicionará novas camadas ao motor em etapas sucessivas. O plano abrange seis programas e sistemas técnicos independentes que operam em conjunto:
- RE:Dox: documentação técnica voltada à legibilidade humana e ao treinamento de modelos de dados, com código aberto.
- RE:UI: reformulação de interfaces para desenvolvedores e integração de fluxos visuais.
- RE:Log: sistema unificado de registros e dados de compilação disponibilizado em código aberto.
- RE:Flows: automação de processos, pipelines de produção e envio de tarefas internas.
- RE:Runtime: atualização do núcleo de execução para suporte aos novos componentes.
- RE:C++: padronização da linguagem de programação do motor gráfico para facilitar a leitura por sistemas automatizados.
Com essa divisão, o objetivo da desenvolvedora é estabelecer uma base de código unificada que possa ser interpretada tanto por humanos quanto por sistemas de aprendizado de máquina. A padronização permite que assistentes virtuais consigam ler códigos, apontar falhas na arquitetura dos projetos, sugerir correções de programação e executar rotinas de testes contínuos sem a necessidade de intervenção manual direta a cada compilação.
Capcom disponibiliza ferramentas em código aberto
Como parte da estratégia apresentada em Tóquio, a empresa decidiu liberar componentes específicos da estrutura, como o RE:Dox e o RE:Log, em regime de código aberto. Essa abertura possibilita que os dados estruturados sirvam como base de aprendizado para o treinamento de modelos de linguagem e inteligência artificial voltados a motores de jogos.
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A tecnologia interna atende atualmente mais de 2.000 profissionais e desenvolvedores que operam dentro dos estúdios da Capcom. Com o avanço das produções globais da companhia, testes de pequenas alterações passaram a exigir compilações demoradas. A nova estrutura visa reduzir o tempo de resposta entre uma modificação de código feita por um programador e sua validação técnica.
Histórico e expansão da RE Engine desde 2014
O desenvolvimento da RE Engine começou internamente na Capcom em 1 de janeiro de 2014, quando a empresa buscava uma sucessora tecnológica para a antiga MT Framework. O objetivo inicial era criar uma ferramenta dedicada exclusivamente à produção de Resident Evil 7: Biohazard, lançado oficialmente em 24 de janeiro de 2017.
Com o passar dos anos, o alcance do motor se expandiu para além do gênero de terror, sendo adaptado para franquias como Monster Hunter e Street Fighter. Desde 2017, a tecnologia serviu de base para mais de 27 jogos comerciais lançados pelo estúdio japonês. O codinome REX Engine havia sido mencionado publicamente pela primeira vez em uma apresentação técnica da Capcom em 26 de outubro de 2023, sendo detalhado agora como um processo gradual de engenharia de software.
Próximos passos da transição tecnológica na Capcom
A empresa não divulgou o cronograma com as datas exatas para a conclusão de cada uma das seis fases de implementação do projeto REX. O processo de integração seguirá em paralelo às produções ativas da desenvolvedora, de modo a não interromper os cronogramas de títulos já em andamento nos estúdios.
