Dólar opera abaixo de R$ 5 após Flávio Bolsonaro liderar 1º turno
O dólar comercial iniciou as negociações em forte baixa nesta segunda-feira (5), testando cotações abaixo de R$ 5,00 na B3, a bolsa de valores brasileira com sede em São Paulo. O movimento de alívio cambial veio acompanhado por um recuo expressivo nas taxas dos contratos de juros futuros logo nos primeiros minutos do pregão.
A reação intensa do mercado financeiro reflete o encerramento do primeiro turno da eleição presidencial, no qual o senador Flávio Bolsonaro superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na contagem de votos. A liderança do candidato da oposição desencadeou um movimento generalizado de busca por ativos do Brasil, impulsionado pela avaliação de investidores sobre a probabilidade de consolidação das contas públicas. No exterior, os recibos de ações e fundos vinculados a empresas brasileiras também registraram valorização acentuada antes mesmo da abertura dos negócios locais, como mostrou o avanço de até 12,88% no fundo iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) nas negociações de pré-mercado em Nova York.
Flávio Bolsonaro e Lula: os principais acontecimentos da rodada eleitoral
- Apuração oficial confirmou Flávio Bolsonaro com votação entre 47,03% e 47,50% dos votos válidos no primeiro turno.
- Luiz Inácio Lula da Silva obteve entre 44,61% e 45,16% dos votos válidos, consolidando a disputa direta para a segunda fase do pleito.
- Mercados internacionais reagiram durante a madrugada, com o fundo vinculado ao índice Ibovespa em Tóquio subindo mais de 9%.
- Abertura dos negócios na B3 às 09h00 registrou desvalorização imediata da moeda americana e queda generalizada na curva de juros.
- Casas de análise e consultorias revisaram projeções cambiais diante da diminuição do prêmio de risco associado às contas públicas.
Reação na B3 e estimativas para o dólar comercial
O recuo das taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) ocorre ao longo de toda a extensão da curva a termo. Uma consulta realizada pela corretora XP com 116 gestores apontou estimativa de redução mínima de 40 pontos-base para os juros de mercado diante do cenário de vitória oposicionista. Paralelamente, o banco de investimentos Goldman Sachs revisou a projeção para a moeda americana, situando a taxa estimada em uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80 caso o prêmio de risco fiscal continue a ser eliminado.
O diretor de investimentos da gestora Ace Capital, Fabrício Taschetto, pontuou a repercussão do pleito na composição das carteiras financeiras. Na mesma linha, a gestora Cathy Hepworth, da PGIM, afirmou que os papéis do país ganham impulso: “Como o segundo turno parece estar nas mãos de Flávio, os ativos brasileiros devem subir”.
Para o diretor de pesquisa da Eleven Financial, Fernando Siqueira, a dimensão da bancada e o apoio nas urnas reforçam a confiança dos operadores: “Os mercados já anteciparam um pouco deste movimento nos últimos dias, mas a força da votação da oposição deve gerar uma reação positiva amanhã. Liderando já no primeiro turno, as chances de Flávio ganhar são muito altas”.
Flávio Bolsonaro: cronologia da corrida presidencial e impacto financeiro
- 2 de outubro de 2026 — Último pregão antes do pleito termina com o índice Ibovespa aos 192.114 pontos e o dólar cotado a R$ 5,21.
- 4 de outubro de 2026 — Urnas são fechadas às 17h00 no território nacional, abrindo a contagem de votos do primeiro turno.
- 5 de outubro de 2026 — Negociações na B3 começam às 09h00 sob forte reação positiva e recuo nas taxas futuras.
- 25 de outubro de 2026 — Realização do segundo turno nacional entre os dois candidatos mais votados.
Bolsonaro: impactos no planejamento financeiro e no mercado
A retração no valor do câmbio atinge diretamente empresas que mantêm dívidas em moeda estrangeira ou importam matérias-primas, além de reduzir custos para viagens internacionais e compras com pagamento em dólares. Os investidores de renda fixa também acompanham o ajuste técnico, pois contratos de juros com vencimentos mais longos perdem rendimento nominal imediato à medida que as taxas projetadas caem.
O encerramento oficial dos preços para o dólar à vista e para os contratos de DI da sessão desta segunda-feira ainda depende do encerramento das negociações regulares da B3, programado para o final da tarde.
