Fim da banana preta? Nova fruta criada por cientistas demora muito mais para estragar

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Banana Foto: Banana - Foto: BearFotos/shutterstock.com

A empresa britânica Tropic Biosciences obteve aprovação preliminar do governo do Reino Unido para comercializar uma variedade de banana Cavendish modificada por edição genética que demora mais tempo para escurecer após ser descascada ou cortada em rodelas. A planta recebeu o enquadramento de melhoramento de precisão pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) em Norwich, na Inglaterra.

A fruta modificada com a técnica CRISPR-Cas9 preserva o sabor, o aroma e a consistência das bananas tradicionais, mas resiste de um a dois dias a mais sem apresentar manchas escuras de oxidação em temperatura ambiente. Em comunicado, a empresa afirmou, em tradução livre, que a banana permanece “fresca, amarela e apetitosa por muito tempo após ser descascada e fatiada”.

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Tropic Biosciences desativa enzima responsável pelo escurecimento

O escurecimento característico da polpa ocorre devido à presença da enzima polifenol oxidase (PPO), substância natural que desencadeia a oxidação logo após a banana entrar em contato com o ar ambiente. Para interromper esse processo, a equipe de cientistas aplicou a ferramenta CRISPR-Cas9 em três cópias do gene PPO1 localizadas no cromossomo 6 da banana Cavendish triploide, reduzindo a atividade enzimática sem inserir sequências genéticas de espécies não relacionadas.

Bananas - pixabay.com
Foto: Bananas – pixabay.com

A Cavendish cultivada comercialmente é uma planta estéril triploide e sua propagação ocorre exclusivamente por clonagem, o que inviabiliza o melhoramento agrícola tradicional por meio do cruzamento de sementes. Diante dessa limitação reprodutiva das lavouras, a intervenção direta no DNA desponta como a única via viável para aumentar o tempo de prateleira da fruta e reforçar sua resistência contra pragas.

Tropic Biosciences: impacto da banana editada no desperdício de alimentos

A oxidação precoce representa cerca de 20% das perdas registradas na cadeia de colheita e distribuição do fruto no mundo. Campanhas e dados do setor estimam que cerca de 1,4 milhão de bananas adequadas para a alimentação acabam descartadas por dia no Reino Unido, em parte pela rejeição de consumidores a amassados na casca e pequenas manchas escuras.

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Com a maior durabilidade após o corte, a variedade foi concebida para atender à indústria de refeições matinais e saladas de frutas prontas, que descartam volumes expressivos de matéria-prima durante o processamento. Os cálculos técnicos da empresa indicam um potencial de diminuir em 25% o desperdício alimentar e as emissões de gases associadas em toda a logística de distribuição.

De acordo com as projeções apresentadas pelos desenvolvedores, o aproveitamento ampliado da fruta poderia cortar anualmente mais de 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono apenas nas operações de exportação do mercado global de bananas.

Precision Breeding Act e o marco legal da banana no Reino Unido

O Reino Unido regulamentou o cultivo e a pesquisa dessas variedades por meio do Precision Breeding Act, sancionado em 2023. A legislação secundária desse marco entrou formalmente em vigor em 1 de novembro de 2025, estabelecendo procedimentos simplificados para lavouras editadas cujo resultado final poderia acontecer de forma espontânea na natureza ou por meio de cruzamentos agrícolas tradicionais.

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Um porta-voz do Defra informou, em tradução livre, que “o melhoramento genético de precisão oferece um potencial enorme para reforçar a segurança alimentar, diminuir o uso de defensivos agrícolas, elevar a produtividade das lavouras e ampliar a resistência a doenças”.

O representante oficial acrescentou, também em tradução livre, que a banana representa “um grande exemplo de como a inovação pode ajudar a diminuir o desperdício de alimentos e melhorar a sustentabilidade do nosso sistema alimentar, mantendo em vigor os nossos padrões de liderança mundial”.

Tropic Biosciences: cronologia e dados regulatórios da banana editada

  • 1 de novembro de 2025: entrada em vigor da legislação secundária do Precision Breeding Act na Inglaterra
  • 25 de setembro de 2026: Defra publica a notificação de comercialização PBM/26/MUAC/001 aprovando o enquadramento da fruta como organismo de melhoramento de precisão
  • 28 de setembro de 2026: divulgação da autorização preliminar do órgão britânico de meio ambiente e agricultura
  • 3 cópias: quantidade de cópias do gene PPO1 editadas no cromossomo 6 da variedade Cavendish triploide
  • Brasil, Japão e Filipinas: países onde a Tropic Biosciences já conquistou aprovações regulatórias anteriores para cultivo ou comércio da fruta

Avaliação de segurança da FSA e os próximos passos da comercialização

Apesar da notificação favorável publicada pelo Defra, a variedade da Tropic Biosciences não pode ser colocada de imediato nas gôndolas do comércio britânico. A comercialização depende de uma etapa independente de análise conduzida pela Agência de Padrões Alimentares do Reino Unido (FSA), órgão responsável por atestar a total segurança do alimento para o consumidor final antes da distribuição aos supermercados.

Gilad Gershon, diretor-executivo da empresa, detalhou que a fruta mantém a integridade visual de um a dois dias a mais em temperatura ambiente e atinge durações superiores quando conservada sob refrigeração. A pesquisa desenvolvida em conjunto com o polo científico de Norwich, que reúne pesquisadores como a líder de projeto Cathie Martin no John Innes Centre, figurou em 2025 na seleção de melhores invenções da revista norte-americana TIME.

Ainda não há confirmação sobre a data em que a FSA finalizará a avaliação de segurança alimentar para viabilizar a venda nas redes de varejo da Inglaterra.

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