Médica é afastada de maternidade em Goiânia após orientar retenção de pacientes
A médica Marcella Segato de Sousa Melo foi afastada da escala de trabalho do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, e denunciada ao Ministério Público Federal. A ginecologista e obstetra, que exercia a chefia do setor na unidade pública, orientou outros profissionais de saúde em um aplicativo de mensagens a segurarem a liberação de pacientes internadas durante o período de votação.
As mensagens que motivaram a representação foram enviadas antes da votação das eleições gerais de 2026. Em uma das comunicações, a médica escreveu textualmente: “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”. O texto provocou reações imediatas entre os integrantes do grupo hospitalar, no qual 12 membros chegaram a responder com emojis à determinação de reter as altas médicas das pacientes assistidas na maternidade.
A representação levada ao Ministério Público Federal foi formalizada pelo advogado Alan Henrique Silva Marques, após tomar conhecimento da ordem a partir do relato de um estudante interno de medicina subordinado à profissional. O material anexado à queixa incluiu também registros anteriores com teor eleitoral atribuídos à ginecologista, inscrita sob o registro profissional CRM-GO 22.739. Em uma mensagem voltada a acadêmicos e médicos residentes, a médica prometeu avaliar com nota 10 no rodízio de ensino aqueles que votassem no candidato do Partido Liberal, identificado pelo número 22 nas urnas eletrônicas: “Domingo, quem colocar 22 finaliza o rodízio com nota 10. Tá ok?”.
Atendimento hospitalar aos usuários do SUS na Maternidade Célia Câmara
O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara atende usuárias de Goiânia de forma integral pelo Sistema Único de Saúde, sem custos para os pacientes. O serviço assistencial da unidade continua em operação contínua nas enfermarias e no centro obstétrico, sem alterações no cronograma de partos ou internações. A administração hospitalar destacou que condutas médicas devem obedecer estritamente aos parâmetros da assistência técnica, cabendo ao cidadão formalizar denúncias junto à Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia em casos de irregularidades.
Em nota oficial, a administração da maternidade reforçou que condutas de liberação clínica não podem sofrer interferência de convicções pessoais. O hospital declarou: “Decisões relativas à internação, permanência hospitalar e alta devem observar exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de qualquer convicção política, ideológica, religiosa ou de outra natureza”.
Cronologia da apuração sobre a médica Marcella Segato de Sousa Melo
- Sexta-feira, 2 de outubro de 2026 — Envio das mensagens no grupo profissional do hospital e protocolo formal da denúncia no Ministério Público Federal.
- Domingo, 4 de outubro de 2026 — Realização do primeiro turno das eleições gerais em todo o território nacional.
- Segunda-feira, 5 de outubro de 2026 — Afastamento de Marcella Segato de Sousa Melo das escalas de plantão e confirmação de investigações disciplinares pela Secretaria Municipal de Saúde e pelo Cremego.
Medidas disciplinares da Secretaria de Saúde e do Cremego
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia e a direção da maternidade instauraram procedimentos administrativos e disciplinares internos para verificar a infração funcional da servidora. Até a publicação das investigações, não havia registro ou confirmação documental de que pacientes tenham sido retidas sem justificativa técnica nas dependências da enfermaria durante o fim de semana das eleições. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás abriu procedimento de sindicância sob sigilo legal e solicitou esclarecimentos formais à responsabilidade técnica da unidade de saúde. A defesa de Marcella Segato de Sousa Melo não foi localizada para comentar os procedimentos em andamento.
