Morte de técnica em laboratório põe quase 200 em quarentena na Rússia

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Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk - Reprodução Foto: Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk - Reprodução

A técnica de laboratório russa Daria Shipilova, de 28 anos, morreu após apresentar um quadro grave de pneumonia em Shelekhov, no leste da Rússia. O caso levou as autoridades de saúde a colocarem a ala de internação do hospital local sob quarentena e a submeterem quase 200 pessoas a isolamento e vigilância médica preventiva.

O governo dos Estados Unidos declarou nesta segunda-feira (5) que acompanha o cenário epidemiológico na Sibéria por meio do Departamento de Estado e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). “Eu não acho que seja motivo para alarme, mas é motivo para foco e motivo para ficarmos atentos”, afirmou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em tradução livre.

Daria Shipilova e as medidas no Hospital Distrital de Shelekhov

Daria Shipilova trabalhava no Instituto de Pesquisa Antiepidêmico de Irkutsk, unidade científica fundada na década de 1930 para o estudo e controle de patógenos de alta periculosidade, como antraz, cólera e peste. Ela deu entrada no Hospital Distrital de Shelekhov em 29 de setembro de 2026 com sintomas respiratórios avançados e faleceu na sexta-feira (2). O prefeito do distrito de Shelekhovsky, Maxim Modin, anunciou o fechamento da ala de internação, mantendo abertos apenas os serviços ambulatoriais da unidade de saúde.

Ao todo, 197 contatos foram catalogados para avaliação epidemiológica, incluindo 189 pessoas hospitalizadas preventivamente para acompanhamento e mais de 60 funcionários que permaneceram retidos em isolamento nas dependências do próprio laboratório de pesquisas. A chefe da agência sanitária russa Rospotrebnadzor, Anna Popova, viajou até a região de Irkutsk para coordenar os protocolos de contenção com o governador local, Igor Kobzev. Na mesma cidade, a direção da Usina de Alumínio de Irkutsk determinou a obrigatoriedade de máscaras de proteção facial para os operários da fábrica como forma de prevenção.

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Cronologia do caso de suspeita de infecção em Irkutsk

  • 25 de setembro de 2026: data apontada por veículos regionais em que teria ocorrido a quebra de um tubo de ensaio dentro das instalações do laboratório
  • 29 de setembro de 2026: internação de Daria Shipilova com diagnóstico inicial de pneumonia grave no hospital de Shelekhov
  • 1 de outubro de 2026: bloqueio de novas internações e altas na ala de internação do Hospital Distrital de Shelekhov
  • 2 de outubro de 2026: confirmação da morte da pesquisadora e decretação oficial das medidas de quarentena pelas autoridades locais
  • 5 de outubro de 2026: declaração de monitoramento das agências sanitárias internacionais e manifestação oficial do governo norte-americano

Divergências sobre a causa da morte e o agente biológico

As causas clínicas do falecimento ainda apresentam versões contraditórias entre os órgãos públicos russos. A agência oficial Rospotrebnadzor informou que a técnica morreu em decorrência de uma pneumonia de causa desconhecida e sustentou que não foram identificados patógenos ligados às atividades de rotina da funcionária, negando a ocorrência de acidente ocupacional. Por outro lado, o chefe da vizinha República da Buriácia, Alexei Tsydenov, declarou que o óbito ocorreu sob suspeita de peste, ressaltando que a sua região não apresentava focos ativos da doença.

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A região da Sibéria abriga focos silvestres conhecidos da bactéria Yersinia pestis em roedores e pulgas, embora casos de transmissão respiratória humana por contaminação laboratorial estivessem ausentes há anos no território russo. Até o momento, as autoridades sanitárias não divulgaram laudos laboratoriais independentes que comprovem qual micro-organismo causou o óbito de Daria Shipilova, e a direção do instituto científico não confirmou a ocorrência de acidentes internos durante os experimentos.

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