Sonda Juice conclui sobrevoo na Terra e acelera rota para Júpiter

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Planeta Terra e satélites - Gorodenkoff/ shutterstock.com Foto: Planeta Terra e satélites - Gorodenkoff/ shutterstock.com

A sonda espacial Juice, operada pela Agência Espacial Europeia (ESA), concluiu com êxito uma manobra de assistência gravitacional na Terra para impulsionar sua viagem com destino ao sistema de Júpiter. O ponto de maior aproximação aconteceu na segunda-feira (28), quando o veículo espacial sobrevoou o Oceano Índico a uma altitude de 8.640 quilômetros da superfície terrestre, exatamente às 08h45 no horário de Brasília (13h45 CEST e 11h45 UTC).

O campo gravitacional do planeta funcionou como um freio e acelerador orbital simultâneo, desviando a trajetória da espaçonave em um ângulo de aproximadamente 20 graus em relação à rota anterior e acrescentando 3,5 quilômetros por segundo à sua velocidade. A energia transferida naturalmente pela gravidade evita que a sonda queime reservas próprias de propelente antes de alcançar os objetivos científicos primários.

Trajetória precisa da Juice sobre o Oceano Índico

Os operadores de voo da missão executaram a aproximação com nível elevado de exatidão nas semanas que antecederam a passagem pelo planeta. Ao longo de quatro semanas anteriores ao encontro orbital, os engenheiros da agência europeia precisaram acionar apenas uma queima leve de correção de curso entre as seis oportunidades operacionais que estavam programadas no plano de voo original, o que confirmou a estabilidade da rota calculada.

Durante a manobra em alta velocidade sobre o Oceano Índico, as câmeras de monitoramento da espaçonave, identificadas tecnicamente como JMC1 e JMC2, foram ativadas para acompanhar a passagem. Os dois dispositivos geraram imagens coloridas com resolução nativa de 1.024 x 1.024 pixels, capturando ângulos visuais do continente africano, da ilha de Madagascar e da Lua durante as etapas sucessivas de aproximação e distanciamento do globo terrestre.

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Calibração de instrumentos científicos a bordo da Juice

A aproximação terrestre forneceu aos cientistas a oportunidade de realizar calibrações detalhadas em todos os dez instrumentos de pesquisa científica integrados à sonda. A equipe ativou os equipamentos enquanto a nave atravessava a cauda da magnetosfera terrestre, região de interação entre o campo magnético do planeta e as partículas do vento solar, além de apontar sensores para formações da superfície da Terra e da Lua.

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Claire Vallat, cientista de operações e do projeto Juice na Agência Espacial Europeia, explicou as exigências técnicas da aproximação em declaração institucional divulgada pela entidade espacial. “Todos os sobrevoos são arriscados, exigindo um planejamento muito cuidadoso e monitoramento contínuo. Mas o sobrevoo da Terra que se aproxima é muito mais simples do ponto de vista operacional do que o sobrevoo duplo da Lua e da Terra de 2024, onde uma passagem pela Lua preparou a Juice para um sobrevoo da Terra no dia seguinte. Esta é uma ótima notícia para a ciência, porque significa que poderemos girar a Juice em todas as direções para apontar seus instrumentos científicos para diferentes partes da Terra e da Lua”, afirmou a pesquisadora, em tradução livre.

A cientista também detalhou o gerenciamento dos recursos elétricos durante o momento em que a nave ficou privada da luz solar direta. “A jornada da Juice até Júpiter oferece apenas algumas oportunidades para calibrar e validar os instrumentos sob condições ambientais bem compreendidas. Dado o tempo limitado disponível e as restrições operacionais, as atividades dos instrumentos às vezes precisam ser priorizadas, por exemplo quando a Juice esteve na sombra da Terra esta manhã, dependendo apenas da energia da bateria”, declarou Claire Vallat, em tradução livre.

Reserva de combustível para manobras no sistema de Júpiter

A economia de propelente obtida por meio da atração gravitacional terrestre assegura a sustentação das fases mais complexas da missão no sistema joviano. Ao poupar o conteúdo armazenado em seus tanques, a espaçonave garante o suprimento necessário para executar manobras orbitais críticas nas proximidades do planeta gigante e concretizar 35 sobrevoos planejados sobre três das principais luas geladas do sistema: Ganimedes, Calisto e Europa.

O desenho da missão prevê medições aprofundadas sobre a estrutura interna desses corpos celestes, a busca por oceanos de água líquida subterrâneos sob as crostas congeladas e a caracterização da habitabilidade potencial das luas. Sem os repetidos impulsos de gravidade assistida executados no interior do Sistema Solar, o peso do combustível excedente exigido para frear e redirecionar a sonda impediria o envio do conjunto científico composto pelos dez instrumentos avançados.

Cronograma e etapas de voo da sonda espacial Juice

A Juice iniciou sua trajetória em 14 de abril de 2023, quando decolou impulsionada por um foguete Ariane 5 a partir do Centro Espacial de Kourou, localizado na Guiana Francesa. Em agosto de 2024, a nave espacial completou o primeiro sobrevoo duplo conjugado da história da exploração interplanetária, utilizando sucessivamente a Lua e a Terra para direcionar seu curso em direção a Vênus, por onde passou em agosto de 2025 para novo ganho de impulso.

O plano de navegação interplanetária da Agência Espacial Europeia segue um cronograma com datas fixadas para as próximas etapas operacionais:

  • 28 de setembro de 2026: máxima aproximação da Terra a 8.640 quilômetros de altitude sobre o Oceano Índico;
  • 10 de outubro de 2026: encerramento da fase intensiva de monitoramento e rastreamento da nave pós-sobrevoo;
  • 18 de janeiro de 2029: último sobrevoo de assistência gravitacional na Terra antes do envio definitivo para Júpiter;
  • 1 de julho de 2031: previsão de inserção orbital da sonda nos arredores de Júpiter;
  • 1 de dezembro de 2034: previsão de manobra para posicionar a Juice em órbita direta de Ganimedes.

Os engenheiros da Agência Espacial Europeia mantêm a sonda sob acompanhamento contínuo pelas estações de rastreamento terrestre até sábado (10), data que marca o término da fase intensiva de operações do atual sobrevoo e a consolidação dos dados de trajetória para os próximos anos de viagem.

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