Terra teve deslocamento polar rápido na Era dos Dinossauros, diz estudo
Pesquisadores da Universidade de Oslo identificaram que a Terra passou por episódios rápidos de deslocamento polar verdadeiro durante a Era dos Dinossauros. O estudo detectou essas movimentações a partir do registro de oscilações globais no nível dos oceanos ao longo de centenas de milhões de anos.
O trabalho científico foi publicado na revista Science na quinta-feira, 1 de outubro de 2026, sob a liderança do geocientista Mathew Michael Domeier, professor associado do Centro de Habitabilidade Planetária da instituição norueguesa. A análise contou com a colaboração dos pesquisadores Leandro C. Gallo, Chloé M. Marcilly e Trond Helge Torsvik, professor do Departamento de Geociências da Universidade de Oslo.
No artigo da revista Science, Mathew Domeier e os coautores afirmaram que as descobertas refutam a visão do TPW como insignificante ou persistentemente lento, destacando a necessidade de considerar o fenômeno como um controle episódico sobre a mudança do nível do mar e provavelmente sobre outras dinâmicas ambientais e biológicas globais.
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O que é o deslocamento polar verdadeiro identificado pela Universidade de Oslo?
O fenômeno do deslocamento polar verdadeiro, conhecido pela sigla TPW a partir da expressão em inglês true polar wander, difere da tradicional inversão do campo magnético terrestre. Enquanto a inversão magnética altera a orientação em que apontam as bússolas sem deslocar as massas de terra, o deslocamento polar verdadeiro envolve o movimento conjunto de toda a crosta e do manto sólidos em torno do núcleo externo líquido do planeta.
Essa reorientação física ocorre quando a circulação interna do manto, as movimentações tectônicas dos continentes ou o vulcanismo em larga escala criam concentrações desiguais de peso. Para manter o equilíbrio dinâmico de rotação da Terra no espaço, o planeta redistribui a sua massa sólida, fazendo com que a superfície deslize em bloco sobre as camadas inferiores.
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Para registrar essas alterações, os pesquisadores noruegueses deixaram de lado o método convencional baseado exclusivamente no paleomagnetismo de rochas antigas. A dureza da litosfera e a viscosidade do manto dificultam a preservação de dados claros nas rochas continentais ao longo do tempo geológico.
A equipe optou por analisar o comportamento das águas oceânicas, que reagem de maneira instantânea às forças centrífugas geradas pela alteração do eixo de rotação em relação à crosta. Quando a reorientação ocorre, as áreas que se afastam da linha do Equador registram recuo das águas marinhas, enquanto as regiões que se aproximam da faixa equatorial sofrem avanço dos mares sobre os continentes. Esse padrão produz uma assinatura quadrupolar característica nas bacias oceânicas de todo o globo.
Transição Jurássico-Cretáceo registrou episódios mais intensos de TPW
A investigação avaliou 320 milhões de anos do registro geológico e de mapas de inundação continental em intervalos regulares de 10 milhões de anos. Ao cruzar as subidas e descidas do mar, os cientistas detectaram quatro períodos com sinais estatisticamente significativos de deslocamento polar acelerado no passado da Terra.
Os dois momentos mais intensos e proeminentes aconteceram durante a Era dos Dinossauros. O primeiro foi registrado na transição entre o Jurássico Tardio e o Cretáceo Inferior, entre 150 e 140 milhões de anos atrás. O segundo evento expressivo ocorreu no Cretáceo Médio, em uma janela temporal situada entre 100 e 90 milhões de anos atrás.
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Durante esses episódios mais acelerados, a taxa de reorientação do planeta foi superior a 1 grau por milhão de anos. Em comparação, medições modernas feitas por satélites mostram que o deslocamento polar verdadeiro na Terra atual caminha a um ritmo de cerca de 10 centímetros por ano.
Dados consolidados da pesquisa científica na revista Science
- Data de publicação do artigo científico: quinta-feira, 1 de outubro de 2026
- Instituição responsável pela condução do estudo: Universidade de Oslo, localizada na Noruega
- Volume total do registro geológico e mapas analisados: 320 milhões de anos
- Taxa de reorientação observada nos episódios rápidos: superior a 1 grau por milhão de anos
- Velocidade média do deslocamento polar atual por satélites: cerca de 10 centímetros por ano
Debates geológicos sobre a velocidade do eixo terrestre
A velocidade do deslocamento polar verdadeiro divide a comunidade científica há décadas. Historicamente, correntes tradicionais da geologia sustentavam que a movimentação do eixo em relação à crosta era um processo invariavelmente lento ou mesmo desprezível ao longo das eras. Outra linha de pesquisadores postulava que giros rápidos poderiam ocorrer, mas enfrentava dificuldades técnicas para isolar esse efeito da deriva das placas tectônicas usando apenas amostras de magnetismo fóssil.
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O jornalista de ciência Reinaldo José Lopes analisou o tema em publicação veiculada no sábado, 3 de outubro de 2026, às 07h00. Lopes destacou o método pioneiro da equipe escandinava de recorrer aos níveis dos mares para solucionar essa limitação técnica, apontando que as oscilações marítimas funcionam como testemunhas diretas da dinâmica física global.
Mudanças expressivas no eixo de rotação planetário têm capacidade teórica de transformar cinturões climáticos inteiros, deslocar faixas de vegetação e alterar a biodiversidade em escala global. As datas em que o estudo apontou os giros mais velozes coincidem com momentos de grandes transições ecológicas do período Mesozoico.
A extensão exata dos impactos desses episódios de deslocamento polar sobre as extinções de espécies e sobre o clima global na Era dos Dinossauros ainda permanece como objeto de debate em aberto na comunidade científica. Os pesquisadores devem aprofundar as correlações ambientais em novas etapas de modelagem climática.
