Asteroide que matou dinossauros teve efeito imediato até na Antártica, revela pesquisa
Uma nova pesquisa revelou que o asteroide responsável pela extinção dos dinossauros, que atingiu a Terra há cerca de 66 milhões de anos, gerou consequências diretas até mesmo na Antártica, localizada a quase 12 mil quilômetros do ponto de impacto original na Península de Yucatán, no México. A informação foi divulgada em 13 de agosto de 2026.
O estudo, conduzido pelo brasileiro Marcelo Carvalho, que é pesquisador do Museu Nacional, demonstrou que os impactos do evento foram perceptíveis em latitudes elevadas. Cientistas chilenos também colaboraram com o desenvolvimento da pesquisa.
No decorrer da investigação, os cientistas conectaram a extinção em massa ao choque de um asteroide, uma ligação fortalecida pela identificação da cratera de Chicxulub, situada no México. Conforme indicado no artigo científico, a energia liberada no impacto equivaleu a milhões de megatons de TNT.
O impacto causou uma série de efeitos devastadores, incluindo incêndios de larga escala e a liberação de grandes volumes de poeira, vapor d’água e gases na atmosfera terrestre.
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O levantamento também calcula que mais de 75% das espécies do planeta foram extintas em consequência direta do impacto e das alterações climáticas subsequentes. Esse evento desencadeou um colapso generalizado nos ecossistemas terrestres, levando ao sumiço de cerca de 57% das espécies de plantas.
A íntegra do estudo científico foi divulgada na renomada revista Nature.
A pesquisa aponta ainda que a devastação global das florestas resultou na produção massiva de matéria orgânica em decomposição, o que propiciou a disseminação de fungos. Em um período posterior, foi observado um “pico de esporos” de samambaias, vegetais que se destacaram como os primeiros a repovoar os ecossistemas abalados pelo impacto.
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No território brasileiro, a Pedreira Poty, localizada em Pernambuco, guarda um registro fundamental do limite K/Pg. “Nossos estudos também mostram mudanças na matéria orgânica e nas condições ambientais nesse intervalo. Assim, encontramos sinais dessa crise global tanto no Nordeste brasileiro quanto na Patagônia chilena e na Antártica”, detalhou Marcelo Carvalho, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Como as evidências geoquímicas confirmam o impacto
O irídio, um metal escasso na crosta terrestre, mas comum em asteroides e meteoritos, serviu como um indicador crucial. Os cientistas apontam que a alta concentração de irídio identificada nas camadas geológicas analisadas está diretamente ligada ao choque do asteroide. Segundo o pesquisador brasileiro, essa constatação corrobora a força destrutiva do evento.
“Coletamos e analisamos rochas na Patagônia chilena e na Antártica, comparando as mudanças na matéria orgânica preservada nos sedimentos com indicadores geoquímicos, como irídio e mercúrio”, explicou Carvalho. Ele acrescentou: “Mesmo sendo ambientes diferentes e localizados a milhares de quilômetros do local do impacto, no atual México, encontramos sinais semelhantes de forte perturbação dos ecossistemas. Isso reforça a dimensão global dos efeitos desse evento”.
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