Toyota Century prepara avanço global como marca de ultra-luxo posicionada acima da Lexus
A montadora japonesa Toyota avalia expandir globalmente a Century como uma divisão independente de ultra-luxo para disputar clientes de altíssimo poder aquisitivo diretamente com marcas como Rolls-Royce e Bentley. A estratégia ganhou tração internacional após a fabricante expor o Century SUV em Detroit, nos Estados Unidos, com o objetivo de colher avaliações diretas de executivos e lideranças da indústria automotiva norte-americana.
O diretor de tecnologia da Toyota Motor Corporation, Hiroki Nakajima, afirmou que o veículo passou a ser tratado internamente como um projeto internacional. Em declaração concedida à Bloomberg, em tradução livre, o executivo declarou: “Queremos mostrar a versão mais recente do Century. É um modelo global, por isso estamos interessados em obter feedback de representantes da indústria automotiva em Detroit”.
A estratégia da Toyota para posicionar a Century acima da Lexus
A ofensiva corporativa ocorre após a Toyota desmembrar formalmente o Century de sua condição histórica de automóvel único para transformá-lo em uma divisão autônoma colocada no ápice de produtos do grupo, em decisão oficializada em 13 de outubro de 2025. Com esse movimento, a Lexus permanece responsável por atender o mercado premium de grande escala contra montadoras alemãs tradicionais, enquanto a nova bandeira assume a faixa de preços mais elevada do conglomerado.
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A presença do utilitário em solo norte-americano ganhou visibilidade quando o presidente do conselho de administração da montadora, Akio Toyoda, compareceu à sua cerimônia de indução no Automotive Hall of Fame, em Detroit, em 23 de setembro de 2026, a bordo de uma unidade personalizada com pinças de freio amarelas. O veículo circulou pelo evento embora não conte com homologação federal nem seja vendido oficialmente nos Estados Unidos, servindo como termômetro de aceitação junto aos especialistas do setor.
O modelo de negócios desenhado pela fabricante espelha a estrutura operacional adotada por grupos industriais europeus, a exemplo do Grupo Volkswagen com a Bentley e da BMW com a Rolls-Royce. Na visão de analistas de mercado, a mudança busca romper o teto histórico de faturamento por unidade vendida do grupo asiático sem interferir nas operações comerciais já consolidadas pelas concessionárias da Lexus.
O analista sênior da indústria automotiva da Bloomberg Intelligence, Tatsuo Yoshida, avaliou o peso corporativo da decisão em entrevista publicada na quarta-feira (30). Em tradução livre, o especialista afirmou: “Se você contar apenas volume ou receita, empurrar o Century pode não fazer muito sentido comercial. Mas é muito mais do que isso: é uma declaração clara da Toyota de que deseja desempenhar um papel na categoria super-premium atualmente dominada pelas marcas europeias”.
Como o Century SUV pretende enfrentar concorrentes europeus?
A inserção da marca fora do território japonês começou a se estruturar comercialmente a partir do lançamento da versão utilitária em 2023. O Century SUV já é exportado formalmente para a China e conta com pequenos lotes entregues em importações seletas no Oriente Médio e em outros mercados asiáticos, ao mesmo tempo em que a companhia analisa a viabilidade técnica de ingressar na América do Norte e na Austrália.
Historicamente, a linha Century permaneceu restrita ao Japão desde 1967, consolidada como transporte oficial da Família Imperial, de primeiros-ministros e de presidentes de grandes conglomerados industriais. A montadora realizou apenas uma tentativa tímida de remessa para diplomatas em 1998, com cerca de 100 unidades exportadas, mantendo o sedã isolado do público ocidental durante quase seis décadas.
Para atrair clientes acostumados ao luxo europeu, a divisão trabalha com encomendas personalizadas sob o conceito “One of One”, permitindo customizações exclusivas que utilizam técnicas tradicionais do artesanato do Japão, como a aplicação de laca urushi nos painéis internos e tecidos com bordados finos Nishijin-ori. A montadora também planeja ampliar o portfólio para além do SUV e do sedã tradicional, tendo apresentado no Japan Mobility Show de 2025 um conceito de cupê de duas portas concebido para formar uma família completa de veículos de representação.
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Produção artesanal de 30 unidades por mês na fábrica de Tahara
Diferente das linhas automatizadas de alto volume da montadora, a fabricação do utilitário esportivo é quase inteiramente artesanal e opera sob ritmo restrito na planta industrial de Tahara, no Japão. A capacidade instalada para o SUV está fixada em aproximadamente 30 unidades mensais, número que se soma à produção de cerca de 50 unidades do sedã tradicional por mês.
Em termos de volume anualizado, a fabricante comercializou cerca de 500 unidades totais da linha Century durante o ano de 2025. Esse patamar demonstra a natureza exclusiva da divisão se comparado ao histórico da marca: em 1997, a fabricante chegou a entregar 1.700 unidades em um único ano no mercado doméstico japonês.
Especificações técnicas e preços do Century SUV no mercado internacional
Os dados técnicos e comerciais homologados para o veículo refletem o posicionamento de topo estabelecido pela corporação para suas praças ativas:
- Potência combinada: 406 cv (303 kW) gerados por um conjunto híbrido plug-in com motor a combustão V6 de 3,5 litros
- Autonomia em modo totalmente elétrico: 69 quilômetros no ciclo oficial de testes japonês (WLTC)
- Preço inicial no Japão: 27.000.000 de ienes (aproximadamente US$ 171.651), ajustado ante os 25.000.000 de ienes cobrados na estreia de 2023
- Preço de tabela na China: 1,98 milhão de yuans (cerca de € 240.000)
- Capacidade produtiva: 30 unidades mensais do SUV e cerca de 50 unidades mensais do sedã na unidade de Tahara
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O que a montadora ainda não definiu sobre a chegada da marca aos Estados Unidos
Apesar da recepção do veículo pelas lideranças automotivas em Detroit e das declarações públicas da diretoria, a Toyota ainda não estabeleceu um cronograma para o início das vendas na América do Norte. Não existem prazos de homologação regulatória concluídos ou faixa oficial de preços delimitada para o mercado dos Estados Unidos.
A montadora japonesa também mantém sob sigilo as especificações mecânicas finais e a configuração do trem de força da futura versão comercial derivada do conceito de cupê de duas portas, mantendo o projeto restrito à fase de engenharia conceitual.
