Voo de Belka e Strelka com 17 órbitas garantiu segurança para Yuri Gagarin
As cadelas soviéticas Belka e Strelka retornaram vivas à Terra após completarem 17 voltas completas ao redor do planeta a bordo da espaçonave Korabl-Sputnik 2. A missão durou aproximadamente 24 horas e marcou a primeira vez em que seres vivos complexos voltaram em segurança de um voo orbital, fornecendo os parâmetros biológicos necessários para viabilizar as viagens humanas.
O sucesso do procedimento e o recolhimento dos animais permitiram à equipe StarChild, do Goddard Space Flight Center da Nasa, registrar em documento histórico: “Dois cães, Belka e Strelka, foram lançados ao espaço em 19 de agosto de 1960 a bordo da espaçonave soviética Sputnik 5. Eles retornaram à Terra um dia depois, tornando-se as primeiras criaturas vivas a serem lançadas no espaço e retornarem com segurança ao solo”, em tradução livre.
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Dados operacionais do voo da Korabl-Sputnik 2
- Data de partida: 19 de agosto de 1960, às 08:44 UTC.
- Data de pouso: 20 de agosto de 1960, às 06:00 UTC.
- Local de partida: Cosmódromo de Baikonur, na União Soviética.
- Duração e percurso: 17 órbitas em cerca de 24 horas de voo.
- Animais de grande porte resgatados: 2 cadelas e 1 coelho cinzento.
- Carga de apoio: 2 ratos, dezenas de camundongos e 15 frascos com moscas-das-frutas e espécimes vegetais.
Reação física de Belka e a segurança para Yuri Gagarin
A espaçonave soviética utilizava o módulo de descida e a cápsula pressurizada ejetável desenvolvidos para o programa Vostok, servindo como ensaio técnico direto para a futura cabine dos cosmonautas. Durante a quarta volta em torno da Terra, a cadela Belka apresentou um quadro de convulsão motora, inquietação e vômito em decorrência da ausência prolongada de gravidade. A equipe médica que monitorava a telemetria do voo registrou a perturbação e concluiu que o organismo superior sofria efeitos severos com a flutuação contínua, o que levou a liderança soviética a limitar o voo de estreia de Yuri Gagarin a apenas uma única órbita ao redor do planeta.
O teste foi acompanhado por estudos complementares sobre os efeitos da radiação e da gravidade zero em outros organismos. A cápsula transportava um coelho cinzento, dezenas de camundongos, dois ratos, insetos, fungos e plantas. Três anos antes, em 3 de novembro de 1957, a União Soviética havia colocado em órbita a cadela Laika na Sputnik 2, que morreu poucas horas depois do lançamento devido à inexistência de tecnologias de proteção térmica e de mecanismos de reentrada na atmosfera para resgate biológico.
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Marcos temporais das missões biológicas soviéticas
- 1957 — Envio da cadela Laika na Sputnik 2, primeiro animal a orbitar a Terra, sem tecnologia de sobrevivência no retorno.
- 1960 — Voo orbital de Belka e Strelka na Korabl-Sputnik 2 com retorno seguro de todos os espécimes.
- 1961 — Yuri Gagarin completa uma órbita na espaçonave Vostok 1 em 12 de abril, oito meses após o voo das cadelas.
- 1961 — Encontro diplomático de Viena em 1 de junho viabiliza a entrega da cadela Pushinka aos Estados Unidos.
Destino de Strelka e desdobramentos diplomáticos
Após a aterrissagem em solo soviético, Belka e Strelka foram retiradas das cápsulas e mantidas sob observação científica permanente em Moscou. Strelka cruzou posteriormente com o cão de testes Pushok e gerou seis filhotes saudáveis, demonstrando que a exposição à radiação espacial e à microgravidade não havia comprometido a sua capacidade reprodutiva. Uma das fêmeas da ninhada, chamada Pushinka, foi enviada pelo premiê soviético Nikita Khrushchev à Casa Branca, onde cruzou com o cão galês Charlie e gerou quatro filhotes, apelidados pelo presidente John F. Kennedy de pupniks.
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Os corpos de Belka e Strelka foram empalhados e permanecem em exibição no Museu Memorial da Cosmonáutica, em Moscou. Atualmente, o paradeiro e a existência de eventuais linhagens vivas descendentes dos animais que habitaram a Casa Branca não contam com monitoramento governamental aberto.
