Nuvens pirocumulonimbus geradas por incêndios florestais são mapeadas em missão inédita da NASA

Incêndio Florestal - istockphoto.com Foto: Incêndio Florestal - istockphoto.com

A NASA e o Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos concluíram a primeira fase de seis semanas da campanha aérea INSPYRE no oeste da América do Norte. O projeto investiga in loco o surgimento das nuvens pirocumulonimbus, fenômeno em que a energia de incêndios florestais intensos desenvolve tempestades próprias capazes de soprar ventos violentos contra as chamas e lançar fuligem diretamente na alta atmosfera.

Durante a operação científica conduzida a partir de Boulder, no Colorado, as equipes conseguiram coletar dados diretos no dia 26 de agosto de 2026, quando sobrevoaram a fumaça liberada pelo incêndio Wildhorse, no leste de Idaho. “Nós sabíamos que havia um fogo em vegetação rasteira ali, e todo mundo pensou que era apenas um fogo menor e não se preocupou. E acabou sendo o evento principal”, afirmou David Peterson, meteorologista de pesquisa do Laboratório de Pesquisa Naval e co-investigador da missão, em tradução livre.

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Gulfstream V e aeronave ER-2 da NASA monitoram plumas a 15 quilômetros

A estrutura das tempestades foi analisada de forma combinada por diferentes plataformas aéreas e terrestres. Enquanto o jato Gulfstream V cruzava o interior das nuvens para colher partículas e gases, o avião ER-2 da NASA voava em altitudes extremas para captar imagens e medir a velocidade das correntes de ar ascendentes. Ao mesmo tempo, equipes científicas em terra operavam caminhões com instrumentos para monitorar as colunas de fumaça a partir da superfície.

Uma nuvem pirocumulonimbus se forma quando um incêndio intenso canaliza uma chaminé de fumaça para a estratosfera, acima da altura da maioria das nuvens formada - NASA
Foto: Uma nuvem pirocumulonimbus se forma quando um incêndio intenso canaliza uma chaminé de fumaça para a estratosfera, acima da altura da maioria das nuvens formada – NASA

As maiores nuvens pirocumulonimbus conseguem transportar aerossóis e partículas a altitudes de 10 a 15 quilômetros, o que equivale a faixas entre 30.000 e 50.000 pés acima do solo. Nessa altitude, o material cruza o limite da troposfera e entra na estratosfera terrestre, camada onde a fuligem pode circular o planeta por meses seguidos e afetar o balanço de radiação global, funcionando de maneira semelhante à poeira gerada por grandes erupções vulcânicas.

Neil Lareau detalha mecanismo que gera ventos próprios no incêndio Wildhorse

No evento registrado em Idaho, a cientista Sarah Woods, que atuava como observadora de bordo a bordo do jato Gulfstream, avistou a formação da nuvem logo após o início da queima. A tripulação realizou manobras na região e permaneceu durante três horas atravessando a pluma que se deslocava rumo ao estado de Wyoming, obtendo amostras raras cerca de uma hora após a erupção do sistema.

“Uma coisa única sobre as pirocumulonimbus é que elas são um clima gerado pelo fogo, o que significa que o fogo cria seu próprio clima”, declarou Neil Lareau, cientista atmosférico da Universidade de Nevada em Reno e coordenador das equipes de solo da missão, em tradução livre. Segundo o pesquisador, o incêndio produz sua própria tempestade de raios e, durante esse processo, gera rajadas severas de vento.

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Dados da missão INSPYRE estabelecem bases para alertas a brigadistas

A investigação busca gerar ferramentas que ajudem a salvar vidas nas linhas de combate ao fogo e aprimorar cálculos de projeção meteorológica. Os dados recolhidos durante os voos de 2026 reúnem medidas para prever quando uma nuvem em desenvolvimento causará ventos descendentes repentinos, permitindo que os comandantes retirem os brigadistas das áreas de perigo antes que as chamas mudem de direção sem aviso.

  • 6 semanas de operações aéreas concentradas no verão de 2026;
  • 10 a 15 quilômetros de altitude alcançados pelas nuvens pirocumulonimbus;
  • 14 sensores de sensoriamento remoto operados a bordo da aeronave ER-2;
  • 3 horas de voos contínuos no interior da pluma do incêndio Wildhorse.

Incertezas sobre energia térmica e próximos passos da pesquisa em 2027

A relevância das tempestades de fogo começou a ser percebida na virada do século XXI, quando satélites revelaram colunas de fumaça atingindo altitudes estratosféricas. Apesar do avanço nos registros, a ciência ainda não determinou com exatidão em quais proporções o fenômeno é impulsionado pelo calor liberado na superfície ou pelas condições atmosféricas preexistentes nas camadas superiores. “Ainda não entendemos se elas são impulsionadas pela energética do fogo, pela intensidade do fogo ou pelas condições atmosféricas acima”, explicou Olga Kalashnikova, pesquisadora do Jet Propulsion Laboratory da NASA, em tradução livre. Os cientistas trabalham na modelagem dos dados coletados antes de iniciar a próxima etapa de campo da campanha INSPYRE, prevista para 2027.

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