Pedrinho promete rever licitação do Maracanã gerida por Fla e Flu

Pedrinho, do Vasco — Dikran Sahagian/Vasco Foto: Pedrinho, do Vasco — Dikran Sahagian/Vasco

O presidente do Club de Regatas Vasco da Gama, Pedro Paulo de Oliveira, o Pedrinho, afirmou que o clube vai defender a revisão do processo licitatório e da concessão do Maracanã. A declaração ocorreu na terça-feira (6), no Rio de Janeiro, logo após o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro negar um recurso do time para atuar no estádio na semifinal da Copa Sul-Americana.

Na decisão desfavorável ao time cruz-maltino, o desembargador Alexandre de Carvalho Mesquita, da 23ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, indeferiu liminarmente o pedido de efeito suspensivo que buscava liberar o confronto contra o Boca Juniors na praça esportiva. O dirigente vascaíno reagiu ao resultado processual e afirmou que intensificará as cobranças contratuais: “Se o Vasco passou um período sem representatividade e isso está incomodando, vai incomodar muito mais, inclusive com relação ao consórcio do Maracanã, com a licitação. Eu vou rever isso. Pode ter certeza absoluta.”

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Decisão judicial no TJ-RJ barra partida no Maracanã

O recurso vascaíno tentava derrubar a posição da 2ª Vara Cível da Capital, que havia negado a tutela de urgência contra a Fla-Flu Serviços S.A., concessionária responsável por administrar o complexo esportivo. Ao manter a negativa de forma liminar, o relator Alexandre de Carvalho Mesquita apontou que o processo envolve acentuada complexidade fático-probatória, citando a necessidade de avaliar a viabilidade da partida em relação às condições do gramado, ao calendário de eventos e à operação do local.

A tentativa de atuar no Maracanã contava com manifestações favoráveis do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Militar, que apoiaram a escolha do estádio por razões de segurança pública e preservação da ordem. O regulamento da Confederação Sul-Americana de Futebol exige capacidade mínima de 30 mil torcedores nas arenas a partir da fase semifinal, o que inviabiliza o uso de São Januário sem autorização excepcional dos órgãos de segurança e da própria entidade desportiva.

Acordo previa quatro jogos por ano para o Vasco no Maracanã

Pedrinho sustentou que os termos de utilização do Maracanã foram definidos diretamente em um memorando de entendimento com os gestores da concessão. Segundo o presidente do Vasco, a formatação desse documento atendeu a um pedido feito pelo presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap. O acordo previa que todos os clássicos regionais fossem realizados na praça esportiva, além de reservar ao Vasco o direito de mandar quatro partidas anuais fora dos clássicos.

O dirigente declarou que a administração do estádio vem bloqueando as opções de mando da equipe em partidas decisivas: “O que que eles estão fazendo? Me sufocando, me empurrando, para eu jogar onde eles querem que eu jogue? Eles vão vetando os lugares e vão me me tirando a possibilidade de eu exercer o meu direito?”

O mandatário vascaíno também pontuou que o clube utilizou essa prerrogativa em apenas uma ocasião recente fora de clássicos, quando enfrentou o Corinthians pela final da Copa do Brasil, em 21 de dezembro de 2025: “Fiz esse jogo no Maracanã e nunca mais usei de todos os outros os direitos que eu tenho no contrato. Eu vou continuar lutando. Se isso vai incomodar, pode se preparar, porque eu vou lutar com o Vasco todas as vezes que, na minha opinião, o Vasco for injustiçado dentro de um contrato.”

Veja também: Justiça nega pedido do Vasco para jogar semifinal contra o Boca Juniors no Maracanã

Venda da SAF e calendário da semifinal da Copa Sul-Americana

A cobrança pública sobre a gestão do Maracanã ocorreu no mesmo dia em que o Conselho Deliberativo do Vasco aprovou a venda de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol para a Almirante Participações, empresa liderada pelo empresário Marcos Lamacchia. O processo de reestruturação do clube serviu de base para as declarações de Pedrinho sobre maior firmeza institucional nos contratos públicos e esportivos do estado.

  • Sábado, 10 de outubro de 2026: data-limite para o Vasco comunicar à Conmebol o estádio da partida de volta no Rio de Janeiro
  • Terça-feira, 13 de outubro de 2026, às 21h30: Boca Juniors e Vasco disputam a semifinal de ida em La Bombonera, em Buenos Aires
  • Terça-feira, 20 de outubro de 2026, às 21h30: Vasco recebe o Boca Juniors pelo jogo de volta da semifinal continental
  • 4 recusas acumuladas pela administração do Maracanã a solicitações vascaínas na temporada: jogos contra Vitória, Palmeiras, Santa Fe e Boca Juniors
  • 30 mil pessoas: capacidade mínima de público determinada pelo regulamento da Conmebol para a fase semifinal do torneio

A 23ª Câmara de Direito Privado do TJ-RJ ainda não emitiu uma decisão definitiva de mérito sobre o agravo do clube, já que aguarda a apresentação formal de contrarrazões da Fla-Flu Serviços S.A. A Conmebol também não oficializou o estádio que receberá o jogo de volta da semifinal, mantendo pendente a definição entre o Maracanã, o Estádio Nilton Santos ou uma eventual liberação condicionada de São Januário até o sábado (10).

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