Telecirurgias robóticas chegam a 34 procedimentos pelo SUS em três meses

Telecirurgia - DC Studio/Shutterstock.com

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O Hospital de Amor registrou 34 telecirurgias robóticas oncológicas e 50 cirurgias robóticas presenciais pelo Sistema Único de Saúde em três meses de funcionamento do programa de procedimentos a distância. O balanço divulgado nesta terça-feira (6) consolida as operações feitas a partir do centro cirúrgico de Barretos, no interior de São Paulo, em conexão direta com a unidade de Porto Velho, em Rondônia.

A iniciativa pública é desenvolvida em conjunto com o Ministério da Saúde e o Ministério das Comunicações, voltada a levar técnicas cirúrgicas de alta complexidade para fora dos grandes centros urbanos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a estrutura busca ampliar o acesso especializado: “Estamos incorporando novas tecnologias, como a cirurgia robótica, para oferecer tratamentos cada vez mais modernos e qualificados à população. A cirurgia robótica amplia as possibilidades de acesso ao levar a experiência de equipes especializadas a diferentes regiões do país, com segurança, precisão e qualidade no atendimento”.

Como funciona a telecirurgia robótica entre Barretos e Porto Velho?

Foto: SUS – Foto: Andrzej Rostek/Shutterstock.com

A realização de intervenções cirúrgicas a distância exige equipamentos de alta definição e redes de dados com transmissão imediata para sincronizar os movimentos das mãos do médico aos braços mecânicos do robô. Na cirurgia convencional com robótica, o cirurgião atua sentado em um console instalado na mesma sala onde o paciente permanece sedado, ao lado da equipe de enfermagem e anestesia. Na telecirurgia, a equipe médica principal opera o console a milhares de quilômetros do hospital em que a pessoa internada está sob os cuidados de outra equipe cirúrgica de apoio.

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Para assegurar a precisão dos cortes e a cauterização dos tecidos tumorais sem atrasos de sinal, o sistema utiliza dois links independentes de fibra óptica e redundância móvel pela tecnologia 5G, associados a uma rede virtual privada de dados. Essa estrutura garante uma latência de transmissão estritamente inferior a 100 milissegundos, limite técnico estabelecido pelos protocolos médicos para evitar qualquer descompasso entre a visão da câmera tridimensional e a reação dos instrumentos cirúrgicos.

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O diretor de Inovação do Hospital de Amor e diretor científico do IRCAD América Latina, Luis Gustavo Romagnolo, explicou a cooperação entre as equipes durante os procedimentos. “Fizemos essa parceria com o Ministério das Comunicações onde conseguimos conectar a plataforma robótica lá em Porto Velho. Com isso, ajudamos um médico de lá, que já sabe operar um robô, mas tem dificuldades técnicas, a melhorar o procedimento dele. Muitos pacientes com câncer foram beneficiados e puderam ir para casa mais cedo”, disse o cirurgião.

Números e detalhes técnicos do programa de telecirurgias do SUS

  • Procedimentos remotos: 34 telecirurgias robóticas realizadas em três meses
  • Procedimentos locais: 50 cirurgias robóticas convencionais presenciais
  • Investimento federal: R$ 2 milhões destinados por acordo interministerial para infraestrutura
  • Conexão principal: dois links de fibra óptica dedicados e rede móvel 5G de contingência
  • Latência máxima de comando: limite inferior a 100 milissegundos durante os atos cirúrgicos
  • Primeiro paciente operado: João Barnabé Sobrinho, de 74 anos, em Porto Velho

Especialidades oncológicas atendidas pelo Hospital de Amor

O programa concentra as cirurgias nas áreas de urologia e ginecologia oncológica, atendendo tumores de próstata, cólon, reto e colo do útero. Entre as intervenções executadas constam prostatectomias, histerectomias e retossigmoidectomias. O primeiro procedimento de telecirurgia ocorreu em 30 de junho de 2026, quando os médicos em Barretos conduziram a distância a retirada de um tumor no reto de João Barnabé Sobrinho, de 74 anos, internado na unidade rondoniense.

Além da cirurgia pioneira de retossigmoidectomia em junho, o programa executou durante o mês de julho uma sequência urológica com 10 pacientes do SUS, englobando oito prostatectomias para câncer de próstata e duas nefrectomias para retirada de tumores renais. A aplicação do método robótico reduz o sangramento operatório, preserva estruturas nervosas e permite diminuir o tempo de internação hospitalar na recuperação pós-operatória de doentes da rede pública.

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O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, declarou que o projeto comprova o alcance social das redes avançadas: “A iniciativa demonstra como a expansão da infraestrutura de telecomunicações pode reduzir desigualdades regionais ao levar procedimentos altamente especializados para áreas distantes dos grandes centros, beneficiando pacientes atendidos exclusivamente pelo SUS”.

Acordo interministerial e expansão das redes de telecomunicações

A infraestrutura de comunicação empregada na integração entre São Paulo e Rondônia contou com investimento de R$ 2 milhões viabilizado pela parceria entre os ministérios e a entidade filantrópica. O acordo de cooperação técnica foi firmado em 15 de maio de 2026, mesma data em que houve o lançamento da pedra fundamental do Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica na sede da instituição, em Barretos.

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O modelo de transmissão adaptou parâmetros de tráfego de dados de alta estabilidade e criptografia que antes eram restritos a operações do setor de Defesa, direcionando os canais protegidos para a medicina assistencial do SUS. A linha direta entre o interior paulista e a capital de Rondônia cobre uma distância de aproximadamente 2.700 quilômetros em linha de rede.

Os atendimentos das telecirurgias robóticas continuam direcionados exclusivamente a pacientes regulados pelas unidades oncológicas do próprio Hospital de Amor credenciadas ao SUS. O balanço consolidado de três meses não detalhou individualmente quais outros estados ou hospitais regionais já receberam conexão ativa após a integração de Rondônia, etapa que depende da validação contínua da malha de transmissão e da instalação de novos consoles cirúrgicos.

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