Inteligência artificial avança para 45% das empresas, mas falta de mão de obra afeta setor

Inteligencia Artificial - Summit Art Creations / shutterstock.com Foto: Inteligencia Artificial - Summit Art Creations / shutterstock.com

A inteligência artificial alcançou 45% das empresas brasileiras em 2026, consolidando um salto em relação aos 28,7% apurados no ano anterior. O crescimento veio acompanhado de um obstáculo operacional para a continuidade dessa expansão: uma em cada quatro companhias no país relata escassez de mão de obra qualificada para operar as ferramentas digitais.

Os dados constam de um levantamento conduzido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas com 3 mil corporações em todo o território nacional. A pesquisa, divulgada na terça-feira (6 de outubro de 2026), identificou que a carência de pessoal capacitado se tornou a principal barreira técnica, relatada por 25 de cada 100 estabelecimentos consultados pela instituição de pesquisa econômica.

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Números da pesquisa da FGV sobre inteligência artificial no Brasil

O levantamento do FGV Ibre detalhou o ritmo de adesão, os ganhos percebidos e os principais entraves corporativos enfrentados pelos gestores nacionais ao longo dos últimos meses:

Inteligência artificial IA
Foto: Inteligência artificial IA – Digineer Station/shutterstock.com
  • Adoção corporativa de inteligência artificial: 45% em 2026, contra 28,7% em 2025.
  • Percepção de aumento de produtividade: 64% em 2026, ante 52% em 2025.
  • Empresas sem barreiras para implementação da tecnologia: 50% do total avaliado.
  • Empresas que relatam falta de profissionais especializados: 25% (25 em cada 100 empresas).
  • Total de companhias participantes da sondagem: 3 mil empresas em atuação no território brasileiro.

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Gargalo de mão de obra impulsiona capacitação dentro das companhias

O descompasso entre a velocidade da adoção tecnológica e a disponibilidade de especialistas no mercado de trabalho tem obrigado as corporações a buscar alternativas imediatas. Para contornar a escassez de candidatos prontos no processo seletivo, as organizações direcionam investimentos para a formação dos próprios colaboradores, transformando setores técnicos internos em polos de treinamento.

“A qualificação da mão de obra acaba sendo uma barreira. Das empresas que estão utilizando, uma das principais medidas que elas têm tomado é de qualificação da própria mão de obra dentro da empresa, os próprios funcionários, para que ela consiga utilizar cada vez mais a inteligência artificial“, afirmou o economista e pesquisador do FGV Ibre Rodolpho Tobler.

Além da qualificação profissional, o levantamento revelou que o otimismo quanto ao rendimento do trabalho diário aumentou consideravelmente entre as equipes que já empregam modelos computacionais avançados. A proporção de corporações que constatam ganho de produtividade ao adotar a ferramenta subiu de 52% em 2025 para 64% em 2026, enquanto a metade dos negócios entrevistados assegurou não enfrentar nenhum tipo de obstáculo durante a integração dos sistemas digitais.

Setores de infraestrutura aplicam modelos preditivos em poços do pré-sal

A aplicação prática das soluções automatizadas atinge áreas de infraestrutura pesada, onde a precisão analítica evita paralisações financeiramente danosas. Na Wise, empresa focada no segmento de energia, algoritmos de inteligência artificial e ferramentas de simulação monitoram centenas de poços produtores de petróleo localizados a 200 km da costa marítima e a 7 mil metros de profundidade.

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Segundo o diretor de operações da Wise, João Vitor Bernardino, o sistema analisa dados contínuos para detectar falhas em componentes mecânicos antes que ocorra a interrupção completa da extração mineral. A companhia utiliza modelos que recriam digitalmente o comportamento dos poços para acelerar reparos e garantir o fluxo da operação em alto-mar.

“Existe um simulador daquele poço que leva em consideração todos os equipamentos que estão ali presentes. Junto com a IA, nós conseguimos identificar um problema em uma válvula e esse problema na válvula, uma vez que ele foi sanado, a gente conseguiu restaurar a produção daquele poço e evitar meses de perda de produção que seriam feitos sem usar essa tecnologia”, disse João Vitor Bernardino.

A empresa também enfrenta a disputa acirrada por talentos com formação em ciências exatas e matemática avançada, o que levou a administração a priorizar a instrução corporativa contínua de sua própria equipe. “Na nossa experiência, é muito difícil encontrar um profissional que atenda todos os requisitos que a gente precisa procurando no mercado. Formar eles dentro de casa é uma solução que a gente encontrou e atendeu muito bem esse desafio”, explicou o diretor de operações.

Indústria farmacêutica em Minas Gerais mapeia 3 mil processos

Em Juiz de Fora, município de Minas Gerais, a farmacêutica Mediquímica iniciou um mapeamento completo de sua estrutura de fabricação e distribuição para identificar pontos estratégicos de aplicação digital. O plano corporativo busca integrar ferramentas automáticas às rotinas de laboratório e gestão para eliminar falhas operacionais e acelerar a entrega de insumos de saúde.

A indústria concentra esforços na catalogação detalhada de cada etapa fabril antes de inserir os softwares inteligentes nos postos de trabalho. A direção da fábrica projeta uma migração faseada para assegurar que a força de trabalho acompanhe os novos procedimentos técnicos sem interromper a rotina de produção de medicamentos.

“A gente está mapeando todos os processos que existem na companhia – são mais de 3 mil processos -, e identificar onde a IA pode ser extremamente eficiente, implementando gradualmente a inteligência artificial nesses processos, com o objetivo de que ela reduza os erros”, declarou o presidente da Mediquímica, Alexandre França.

Trajetória do FGV Ibre no acompanhamento da tecnologia nacional

As sondagens corporativas realizadas pelo FGV Ibre monitoram a disseminação da inteligência artificial nos múltiplos setores da economia brasileira desde 2025. A série histórica de apurações aponta de forma recorrente a necessidade de políticas corporativas estruturadas e de iniciativas públicas focadas no desenvolvimento técnico das equipes, condição considerada indispensável para sustentar as taxas de crescimento da digitalização nos próximos ciclos econômicos.

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