Magazine Luiza salta 10,73% e lidera ganhos do Ibovespa na semana

Magazine Luiza ((MGLU3) - Alf Ribeiro / Shutterstock.com Foto: Magazine Luiza ((MGLU3) - Alf Ribeiro / Shutterstock.com

As ações ordinárias do Magazine Luiza (MGLU3) registraram alta de 10,73% e alcançaram a cotação de R$ 11,35 na tarde de sexta-feira (9), liderando os ganhos entre todas as componentes do Ibovespa na B3. O avanço consolidou uma rentabilidade acumulada de 49,15% ao longo da semana, puxada diretamente pelo alívio nas taxas dos contratos de juros futuros negociados no mercado financeiro.

O movimento positivo refletiu uma melhora expressiva no apetite por ativos de risco na praça brasileira, que beneficiou diretamente as companhias de comércio eletrônico e bens de consumo discricionário. O alívio nas curvas de juros atenua o custo da dívida dessas empresas e expande as projeções de rentabilidade das operações nos próximos trimestres.

Confira também: Split payment: entenda o mecanismo da Reforma Tributária que divide governo Lula e Flávio

O que explica a disparada das ações do Magazine Luiza na B3?

Ibovespa, bolsa de valores
Foto: Ibovespa – Foto: Alf Ribeiro / Shutterstock.com

A recuperação acelerada dos papéis da varejista ocorreu em resposta à redução contínua nas taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs), contratos negociados na B3 que balizam o custo do dinheiro no médio e longo prazos. Quando essas taxas recuam, o valor presente do fluxo de caixa projetado pelas empresas aumenta, gerando reprecificação imediata no pregão acionário, sobretudo para operações que carregam maior alavancagem financeira.

Acompanhe: Mudança no ITCMD: como o novo imposto sobre herança e doação afeta o seu patrimônio

No mercado de renda fixa, a taxa do contrato de DI com vencimento para janeiro de 2027 caiu para 13,432%, ante o patamar de 13,441% verificado no ajuste anterior. Em vencimentos mais longos, a taxa para janeiro de 2029 cedeu de 12,315% para 12,24%, enquanto o contrato com vencimento em janeiro de 2031 recuou de 12,447% no ajuste prévio para 12,29%, ampliando o fôlego comprador nas mesas de operações.

O movimento favorável não ficou restrito ao Magazine Luiza e se espalhou pelo setor de varejo e consumo durante a sessão. As ações de Lojas Renner (LREN3) subiram 7,7%, os papéis da C&A (CEAB3) registraram avanço de 5,75% e as cotas do Assaí (ASAI3) fecharam a tarde com valorização de 3,63%.

Projeções de BTG Pactual e Itaú BBA para os resultados do Magazine Luiza

Relatório elaborado pelo BTG Pactual apontou que o Magazine Luiza apresenta a maior sensibilidade positiva a eventuais cortes na taxa básica de juros, a Selic, entre as empresas acompanhadas pela instituição. De acordo com o modelo financeiro do banco, cada redução de 1 ponto percentual na Selic tem potencial de elevar o lucro líquido da companhia em cerca de 19%, superando o reflexo calculado para concorrentes como o Assaí, com ganho projetado de 9,9%.

O estudo do BTG Pactual levou em conta o endividamento, a exposição direta à taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e a posição de caixa de cada empresa, trabalhando com uma estimativa de Selic a 12,5% ao final de 2027. O banco ponderou a necessidade de critério por parte dos aplicadores: “Entretanto, em um setor estruturalmente mais competitivo, a seleção das ações deverá ser consideravelmente mais importante do que nas recuperações anteriores”.

Continue lendo: Azul recebe aval do Cade para aporte de US$ 100 milhões da American Airlines com regras de governança

Em análise complementar, o Itaú BBA calculou que o Magazine Luiza, a rede de farmácias Pague Menos e a varejista Lojas Quero-Quero figuram entre as organizações mais beneficiadas pela queda do custo do crédito. A equipe do banco destacou que, diante de um alívio macroeconômico capaz de conduzir as taxas de juros reais ao patamar de 6%, essas três companhias acumulam potencial de valorização superior a 40% na bolsa, patamar também projetado para Smart Fit, C&A, Grupo SBF e Allied.

“A normalização dos múltiplos deve ser um dos fatores mais poderosos de valorização em um ambiente de queda dos juros. A avaliação das ações ficou em segundo plano durante anos, mas esse cenário pode estar mudando”, afirmou o Itaú BBA em relatório enviado a clientes.

Rali pós-primeiro turno de outubro de 2026 aproxima bolsa dos 210 mil pontos

O salto do setor varejista coincidiu com o rali histórico vivenciado pelo mercado acionário brasileiro no início de outubro de 2026, impulsionado pelo encerramento do primeiro turno das eleições. Os investidores passaram a precificar menor prêmio de risco institucional e macroeconômico para o país, o que levou o principal indicador da B3 a renovar máximas históricas e se aproximar do patamar inédito de 210 mil pontos.

Saiba mais: Preço da arroba do boi gordo atinge máxima histórica de R$ 372,95 em SP

Essa descompressão na taxa de retorno exigida pelo capital privado estimulou a entrada de recursos em setores cíclicos domésticos, historicamente mais penalizados por períodos prolongados de política monetária restritiva. Com expectativas de flexibilização futura e juros em trajetória descendente nas projeções do mercado, ativos com receitas vinculadas ao poder de compra das famílias registraram recomposição acelerada de preços.

Cotações e indicadores do Magazine Luiza na sessão de 9 de outubro de 2026

  • Cotação das ações MGLU3 na sessão: R$ 11,35, com alta de 10,73% apurada às 13h50
  • Rentabilidade acumulada pelo papel na semana: 49,15% de valorização na B3
  • Contrato de DI para janeiro de 2027: 13,432%, ante 13,441% no ajuste anterior
  • Contrato de DI para janeiro de 2029: 12,24%, ante 12,315% no ajuste anterior
  • Projeção do BTG Pactual para taxa Selic/CDI: 12,5% ao final de 2027
  • Sensibilidade estimada no lucro do Magazine Luiza: alta de 19% para cada corte de 1 ponto percentual na Selic

Leia também: CNJ faz mutirão nacional para renegociar tributos com desconto

O preço de fechamento definitivo e a variação exata da ação ao término do pregão de sexta-feira (9) não foram consolidados neste levantamento, uma vez que as cotações oficiais e o volume financeiro final dependem do encerramento das negociações na B3 após as 17h.

Notícias relacionadas