Novo teste de DNA-HPV no SUS altera rotina preventiva de mulheres adultas

Médica, ginecologista - New Africa / shutterstock.com

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O teste de DNA-HPV no Sistema Único de Saúde começou a substituir a citopatologia convencional, popularmente conhecida como Papanicolau, no rastreamento primário do câncer do colo do útero em todo o território nacional. A nova metodologia molecular altera o acompanhamento preventivo da população feminina de 25 a 64 anos, ampliando para cinco anos o intervalo de repetição do exame nos casos em que o laudo for negativo para o vírus.

A incorporação da tecnologia molecular foi formalizada por meio da Portaria SECTICS/MS número 3, assinada em 7 de março de 2024, e as regras clínicas foram oficializadas pelo governo federal em 18 de agosto de 2025 com as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero. A transição ocorre de forma progressiva e busca modernizar a capacidade diagnóstica da rede pública antes do aparecimento de feridas graves no tecido uterino.

Teste de DNA-HPV: produção nacional identifica 14 tipos do vírus

A tecnologia diagnóstica incorporada ao SUS é de desenvolvimento nacional, fabricada pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, entidade ligada à Fundação Oswaldo Cruz e administrada pelo diretor-presidente Pedro Barbosa. Diferente da análise citológica tradicional, que busca ao microscópio alterações celulares já provocadas pela infecção, o teste genético pesquisa a presença do próprio vírus em nível molecular, revelando o micro-organismo antes do desenvolvimento de lesões no colo do útero.

Foto: Mulher deitada, cansaço, menopausa – triocean / shutterstock.com

Ao todo, o exame molecular identifica 14 subtipos oncogênicos do papilomavírus humano, com destaque para as variantes de alto risco HPV 16 e HPV 18, que respondem por cerca de 70% das lesões precursoras de câncer cervical diagnosticadas no país. Quando a presença dessas duas variantes específicas é constatada na amostra, a diretriz estabelece encaminhamento imediato da paciente para o exame de colposcopia. Caso o teste aponte positividade para os outros 12 subtipos monitorados, o laboratório executa uma citologia reflexa como triagem complementar para avaliar o estado celular.

Para a usuária atendida no posto, o procedimento de coleta assemelha-se à rotina ginecológica já conhecida nos postos de saúde, com uso de espéculo e escova estéril. A enfermeira Gabriela Giacomini, integrante da Câmara Técnica de Enfermagem e Saúde da Mulher do Conselho Federal de Enfermagem, detalhou o processo ambulatorial: “A forma de coletar é muito parecida com a colpocitologia oncótica, o papanicolau. O material é um pouquinho diferente, com treinamento básico o enfermeiro pode coletar o exame”.

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Diretrizes do teste de DNA-HPV redefinem a rotina de atendimento

As novas normas técnicas foram desenhadas para conferir maior eficiência às condutas na atenção primária e direcionar recursos para os casos com maior risco oncológico. O intervalo de monitoramento varia conforme a tecnologia disponível e os diagnósticos laboratoriais:

  • Intervalo de 5 anos: preconizado para mulheres e pessoas com colo do útero assintomáticas de 25 a 64 anos que apresentarem resultado negativo no teste molecular.
  • Intervalo de 3 anos: aplicado na rotina antiga da citopatologia tradicional, após a obtenção de dois resultados anuais consecutivos sem alterações.
  • Encaminhamento direto para colposcopia: obrigatório após a identificação molecular dos genótipos oncogênicos HPV 16 ou HPV 18.
  • Citologia reflexa: realizada na mesma amostra quando o resultado acusar infecção pelos outros 12 subtipos oncogênicos detectáveis.
  • Autocoleta vaginal assistida: modalidade prevista com kits específicos para alcançar residentes em áreas isoladas ou grupos com barreiras de acesso aos consultórios.

O intervalo quinquenal aplica-se exclusivamente a pessoas sem queixas clínicas. O Ministério da Saúde adverte que sintomas como dor pélvica persistente, corrimento atípico, sangramento fora do ciclo menstrual ou após relações sexuais continuam exigindo consulta ginecológica imediata, independentemente do tempo transcorrido desde a última coleta.

Ministério da Saúde iniciou testes de DNA-HPV em 12 estados

A implantação prática do exame molecular começou na sexta-feira, 15 de agosto de 2025, por meio de um projeto-piloto estruturado em 12 estados e no Distrito Federal, com o objetivo de equipar todos os municípios brasileiros até o final de 2026. A expansão faz parte da estratégia de prevenção para reduzir os índices de um tumor que registra 17.010 novos casos a cada ano no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou a estratégia de infraestrutura mobilizada para viabilizar os testes na atenção básica: “A partir de hoje, estamos implementando essa nova forma de diagnóstico e prevenção do câncer do colo do útero em 12 estados brasileiros. Estamos aproveitando a infraestrutura criada durante a pandemia para os testes de biologia molecular. Essa estrutura agora será utilizada para o diagnóstico do HPV, permitindo reduzir o tempo de espera e iniciar o tratamento o mais rápido possível”.

A determinação brasileira segue a recomendação emitida em 2021 pela Organização Mundial da Saúde, que passou a orientar os governos a adotarem a triagem molecular de DNA-HPV como primeira opção nos programas de rastreio de câncer cervical. No Brasil, o modelo de vigilância atua de forma combinada com a vacinação contra o HPV oferecida pelo SUS, disponibilizada em dose única para meninas e meninos na faixa dos 9 aos 14 anos.

Um levantamento publicado em 2026 na Revista Panamericana de Salud Pública indicou que a troca gradual das metodologias vai demandar expansão na infraestrutura ambulatorial em todas as regiões, exigindo maior disponibilidade de colposcopias, biópsias e pequenas cirurgias para absorver os casos positivos detectados com mais rapidez. Nas Unidades Básicas de Saúde onde a nova plataforma laboratorial ainda não foi ativada, a realização convencional do Papanicolau permanece sendo feita de forma ininterrupta.

O Ministério da Saúde ainda não confirmou o cronograma exato de datas para a entrada do teste de DNA-HPV nas cidades situadas fora do lote piloto inicial. As administrações municipais seguem enviando equipes técnicas para capacitação conforme a liberação dos novos lotes de insumos pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná.

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