Cartoon Network tem mais de 200 GB de arquivos de animação vazados

Por falta de foto oficial - Divulgação Cartoon

Por falta de foto oficial - Divulgação Cartoon

O Cartoon Network sofreu um vazamento massivo de dados que expôs na internet mais de 200 GB de arquivos internos confidenciais de animação neste domingo (11). O incidente de segurança atingiu documentos técnicos de bastidores e materiais de desenvolvimento de mais de 30 séries consagradas criadas pelo canal infantil nos Estados Unidos.

O acervo digital, apelidado em comunidades da internet como Classic CN Gigaleak, foi disseminado em pastas hospedadas no Google Drive e em plataformas abertas de compartilhamento. Diante da circulação acelerada das pastas, as companhias detentoras dos direitos de propriedade intelectual iniciaram ações de contestação para remover os links ativos sob alegação formal de violação de direitos autorais.

Cartoon Network reúne arquivos editáveis e materiais técnicos de séries históricas

O lote divulgado contém elementos que raramente ultrapassam os limites restritos dos computadores dos estúdios de produção. Entre os itens verificados estão folhas de modelos de personagens, conhecidas como model sheets, que funcionam como guias visuais padronizados com expressões e proporções exatas para que diferentes desenhistas mantenham o traço idêntico ao longo de uma temporada inteira. Também constam arquivos vetoriais em formato EPS, que conservam a nitidez das ilustrações em qualquer escala de ampliação, além de projetos brutos em Photoshop e softwares de animação em Flash.

A extração expôs igualmente os puppet rigs, que operam como marionetes digitais fragmentadas em dezenas de peças articuladas. Essa tecnologia permite que profissionais movimentem personagens diretamente em programas digitais sem a necessidade de redesenhar cada quadro manualmente. O material contempla ainda storyboards, que detalham visualmente a narrativa cena a cena antes das gravações, e documentos conceituais de apresentação usados pelas equipes para vender ideias de novas séries à direção dos estúdios.

Saiba mais: Bobby Kotick assume vaga no conselho de administração da Skydance

O inventário de produções afetadas inclui títulos fundamentais na formação do canal ao longo de três décadas de programação. Entre as obras com materiais disponíveis estão The Amazing World of Gumball, The Powerpuff Girls, Foster’s Home for Imaginary Friends, The Looney Tunes Show, Teen Titans de 2003, Dexter’s Laboratory, Regular Show, Adventure Time, Duck Dodgers, Garfield, Robot Chicken e The Grim Adventures of Billy & Mandy.

Veja também: Skydance unifica Warner Bros. Games e Paramount Games após fusão

A divulgação não autorizada provocou reações divergentes no meio artístico e profissional de Hollywood. Embora pesquisadores e estudantes de arte considerem esses arquivos um registro valioso sobre a evolução das técnicas digitais na indústria televisiva ocidental, profissionais do setor apontam que a distribuição pública sem consentimento expõe anos de trabalho técnico não remunerado para esse propósito, além de infringir o controle das marcas sobre suas criações originais.

Confira também: HBO Max e Paramount+ serão unidos em streaming único da Skydance

Dados da exposição de arquivos do Cartoon Network

  • Volume total estimado do acervo: mais de 200 GB de documentos digitais e artes
  • Produções atingidas: mais de 30 séries animadas desenvolvidas para o canal
  • Plataformas usadas na propagação: pastas do Google Drive e serviços de hospedagem de arquivos
  • Formatos identificados: artes vetoriais EPS, projetos editáveis de Photoshop, arquivos em Flash, storyboards e puppet rigs
  • Empresas contatadas sobre o caso: Warner Bros. e Paramount

Origem do vazamento no Cartoon Network e derrubada de links

A rota inicial de propagação das pastas foi associada a um perfil anônimo criado na rede social X sob o nome de usuário totallynotaburner. Registrada no início de outubro de 2026 e sediada nos Estados Unidos, a conta distribuiu links primários e uma lista mestra em formato de texto compartilhada por meio de um documento digital que redirecionava internautas para servidores externos com arquivos antigos das séries.

Acompanhe: Sequência de Hogwarts Legacy e novos jogos avançam com reestruturação da Skydance

O repórter Chance Townsend, em apuração publicada às 15h41 pelo portal Mashable neste domingo, 11 de outubro de 2026, acessou o acervo e conferiu de maneira independente a autenticidade dos registros das produções. Simultaneamente, o jornalista Justin Carter, do portal Gizmodo, também registrou a circulação dos arquivos nos canais de discussão especializados. Conforme os links ganhavam amplitude, os serviços de hospedagem passaram a suspender os acessos por infração direta de copyright.

Tanto a Warner Bros. quanto a Paramount receberam pedidos formais da imprensa para apresentar um posicionamento a respeito da origem do incidente e da autenticidade integral das pastas, mas não responderam às solicitações até o momento. A titularidade e os sistemas de TI das companhias atravessam um período de reestruturação ampla no mercado audiovisual internacional.

Transação da Skydance e antecedentes de segurança na animação

A ocorrência do vazamento coincide com uma grande movimentação corporativa no mercado de mídia dos Estados Unidos. Na terça-feira, 6 de outubro de 2026, a Skydance, comandada pelo executivo David Ellison, concluiu o processo de aquisição envolvendo a Warner Bros. Discovery em uma transação estimada em aproximadamente US$ 110 bilhões. Com essa operação, a Skydance assumiu a gestão de marcas de cinema e televisão que incluem Cartoon Network, Warner Bros., HBO, DC Studios, CNN e Paramount.

Embora usuários de redes sociais tenham atribuído a falha aos servidores da Paramount em razão da troca de comando, autoridades do setor apontam prudência na análise da origem do problema. Em cobertura sobre o episódio, o repórter Nillohit Bagchi, do portal Indiatimes, destacou a ausência de confirmações oficiais.

“Não há atualmente nenhuma evidência verificada que ligue o vazamento a uma fusão, a uma reestruturação corporativa ou a uma divulgação deliberada por qualquer pessoa de dentro das empresas”, afirmou Nillohit Bagchi, em tradução livre.

O incidente com o Cartoon Network soma-se a episódios prévios envolvendo estúdios norte-americanos que também tiveram arquivos corporativos expostos. A preservação da memória dos canais já gerava debates desde agosto de 2024, quando a Warner Bros. Discovery desativou permanentemente o site oficial CartoonNetwork.com após 26 anos ininterruptos no ar, redirecionando os visitantes para a plataforma de streaming Max.

Cartoon Network: histórico de vazamentos em arquivos de grandes estúdios

  • 2023 — Nickelodeon confirma que arquivos internos de produção de seu departamento de animação vazados na rede eram autênticos, embora partes fossem antigas.
  • 2024 — Divisão de animação para televisão da Disney sofre vazamento de documentos conceituais internos de produções como Gravity Falls e The Owl House.
  • Agosto de 2024 — Warner Bros. Discovery encerra o site CartoonNetwork.com após 26 anos de operação e transfere o catálogo para o serviço Max.
  • Abril de 2026 — Trechos e a versão completa do filme Avatar: Aang, The Last Airbender, da Paramount, vazam na internet meses antes da estreia oficial no streaming.
  • 6 de outubro de 2026 — Skydance, liderada por David Ellison, conclui a aquisição da Warner Bros. Discovery em negócio avaliado em US$ 110 bilhões.
  • 11 de outubro de 2026 — Vazamento do Cartoon Network expõe mais de 200 GB de arquivos de bastidores na internet.

Cartoon Network: pontos ainda não esclarecidos sobre a exposição dos arquivos

A forma exata pela qual os dados foram extraídos dos servidores internos permanece indeterminada. Não há confirmação de que os arquivos tenham saído de invasões recentes aos sistemas da Paramount ou da Warner Bros., nem se o material já circulava privadamente entre colecionadores de mídia antes da conclusão da venda da empresa para a Skydance.

A identidade civil da pessoa responsável pela conta totallynotaburner continua desconhecida. Enquanto órgãos internos das companhias avaliam medidas jurídicas adicionais e notificam provedores para retirar espelhos do acervo do ar, os detentores dos direitos autorais ainda não formalizaram queixas públicas sobre o caso.