Doenças oculares crônicas como glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética evoluem sem sintomas perceptíveis nos estágios iniciais e ameaçam a visão de forma definitiva. Médicos do Hospital de Olhos de Pernambuco emitiram orientações nesta segunda-feira (12) apontando que a ausência de manifestações clínicas imediatas atrasa a busca por socorro e amplia as chances de cegueira irreversível na população adulta e idosa.
O oftalmologista especialista em glaucoma Michel Bittencourt, do Hospital de Olhos de Pernambuco, explicou que a falta de dor faz com que o diagnóstico ocorra muitas vezes quando a estrutura neurológica do olho já sofreu prejuízos severos. A perda gradual do campo visual periférico ou a visão turva costumam sinalizar fases adiantadas das patologias, momento em que o tecido lesionado não pode mais ser recuperado por intervenções clínicas.
Glaucoma de ângulo aberto responde por 90% dos diagnósticos
Entre as diferentes manifestações de enfermidades no globo ocular, o glaucoma de ângulo aberto figura como a ocorrência mais comum observada nos consultórios. A anomalia se instala de maneira gradual a partir de falhas na drenagem dos fluidos internos do olho, desencadeando o aumento da pressão intraocular que comprime e deteriora as fibras que formam o nervo óptico, responsável por levar as imagens captadas até o cérebro.
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“O mais frequente é o de ângulo aberto, que afeta até 90% dos pacientes e costuma ser assintomático e indolor, inclusive em casos mais avançados. Quando surgem sintomas como embaçamento ou perda do campo visual periférico, na maioria das vezes a doença já avançou muito”, afirmou Michel Bittencourt. O médico acrescentou que o controle exige constância absoluta: “O Glaucoma se caracteriza pelos danos progressivos ao nervo óptico, geralmente em consequência do aumento da pressão intraocular (PIO). Para evitar a perda irreversível da visão, o paciente deve manter a frequência de exames e de medição da pressão a cada seis meses, em média, além de utilizar rigorosamente os medicamentos nos horários prescritos”.
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Degeneração macular compromete a nitidez e visão central
Outra enfermidade de evolução silenciosa que incide com maior frequência com o passar dos anos é a degeneração macular relacionada à idade, conhecida pela sigla DMRI. O problema se concentra na mácula, pequena estrutura situada no centro da retina que confere a precisão necessária para tarefas cotidianas como ler textos, reconhecer rostos e enxergar detalhes em linhas retas.
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De acordo com o oftalmologista especialista em retina e diretor médico do Hospital de Olhos de Pernambuco, Vasco Bravo Filho, o envelhecimento atua de forma decisiva no surgimento desse quadro degenerativo. “A doença ocular é provocada pelo desgaste progressivo da mácula, região da retina responsável pela visão de detalhes, e está relacionada com fatores biológicos, genéticos e ambientais, sendo o envelhecimento um dos principais gatilhos”, declarou o especialista.
A degeneração macular se divide entre os tipos seco e úmido. Na modalidade seca, o desgaste dos tecidos ocorre de maneira mais lenta por meio do acúmulo de resíduos proteicos sob a retina. Já a apresentação úmida é marcada pelo crescimento anormal e desordenado de novos vasos sanguíneos que vazam líquido e sangue sob a mácula, exigindo monitoramento constante e o uso de injeções intravítreas para deter a proliferação vascular e conter perdas abruptas da visão central.
Retinopatia diabética danifica vasos após descontrole glicêmico
A retinopatia diabética compõe o rol de complicações vasculares geradas por níveis elevados e persistentes de açúcar no sangue. A exposição contínua à glicemia desregulada deteriora as paredes dos microvasos da retina, ocasionando inchaços, microaneurismas e vazamento de fluidos. Se não houver contenção do problema, vasos frágeis proliferam e podem se romper, gerando hemorragias internas e descolamentos de retina.
O diretor médico Vasco Bravo Filho reforçou que a execução do exame de fundo de olho é o meio mais seguro para detectar os sinais da retinopatia antes que o paciente note qualquer turvação no foco. Para aqueles que já apresentam lesões vasculares identificadas no fundo do olho, as avaliações clínicas precisam ser repetidas em intervalos de três a seis meses para evitar a evolução para quadros de difícil controle.
Tratamentos disponíveis e periodicidade de exames no Hospital de Olhos de Pernambuco
As condutas terapêuticas para conter a perda da acuidade visual variam segundo a gravidade e o estágio em que cada patologia é diagnosticada pelos especialistas:
- Glaucoma de ângulo aberto: controle por meio de colírios hipotensores diários e medição da pressão intraocular em intervalos médios de seis meses.
- Degeneração macular seca: acompanhamento oftalmológico de rotina associado ao suporte com suplementação nutricional e sessões de fotobiomodulação.
- Degeneração macular úmida: monitoramento intensificado com aplicações regulares de injeções intraoculares de compostos antiangiogênicos na cavidade vítrea.
- Retinopatia diabética com alterações leves: controle estrito dos índices glicêmicos, pressão arterial e colesterol, com reavaliações médicas a cada três ou seis meses.
- Retinopatia diabética com sangramentos ou edema: intervenção por meio de fotocoagulação a laser ou injeções intravítreas de substâncias medicamentosas.
Para assegurar a continuidade do tratamento de pessoas diagnosticadas com essas patologias crônicas no Recife, o Hospital de Olhos de Pernambuco mantém em funcionamento o programa Gestão do Cuidar. A iniciativa institucional organiza o fluxo de consultas, simplifica o agendamento de exames periódicos e fornece orientação contínua para evitar abandono da terapia medicamentosa prescrita pelos oftalmologistas.
A manifestação formal dos especialistas do centro médico de Pernambuco sobre os perigos da evolução assintomática dessas três condições foi divulgada inicialmente na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, com orientações detalhadas sobre a necessidade de avaliação ocular preventiva antes do surgimento de falhas visuais.
