Bloco com 252 deputados eleitos mantém aliança e apoia Hugo Motta para 2027

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Hugo Motta em sessão do Plenário desta terça-feira Foto: Hugo Motta em sessão do Plenário desta terça-feira - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Líderes e presidentes nacionais das legendas de centro na Câmara dos Deputados decidiram nesta quarta-feira (14) manter o atual bloco parlamentar para a próxima legislatura e oficializaram apoio à reeleição do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). O grupo, que reúne nesta quarta-feira (14) 271 parlamentares, passará a contar com 252 deputados eleitos a partir de 1º de fevereiro de 2027, ficando a apenas cinco votos da maioria absoluta de 257 cadeiras necessária para vencer a disputa pela Mesa Diretora em primeiro turno.

A decisão conjunta foi fechada durante um almoço na residência oficial da Câmara dos Deputados, em Brasília, em 14 de outubro de 2026. O encontro reuniu dirigentes e líderes do União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, além da federação PSDB-Cidadania e da federação Solidariedade-PRD.

Ao todo, 15 signatários assinaram o manifesto que dá aval a Hugo Motta para iniciar as negociações políticas em busca de sua recondução ao comando da Câmara dos Deputados. Participaram do acordo e subscreveram o documento o presidente nacional do União Brasil e deputado federal eleito, Antonio Rueda, e o líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes; o senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, e o líder da bancada, Doutor Luizinho; o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o líder da sigla, Antonio Brito; o deputado federal e presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e o líder Augusto Coutinho; o deputado federal e presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, ao lado do líder Isnaldo Bulhões Jr.; o deputado federal e presidente da federação PSDB-Cidadania, Aécio Neves, junto ao líder Adolfo Viana; a deputada federal e presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, com o líder Rodrigo Gambale; e o presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força, que representou a federação Solidariedade-PRD.

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No texto divulgado após a reunião, os dirigentes afirmaram que o grupo atuará de maneira unificada na escolha do comando da Casa no próximo ano. “O bloco também caminhará unido na eleição da Mesa Diretora do próximo ano. O presidente Hugo Motta terá nosso apoio para iniciar o diálogo em busca de convergência e unidade em torno de sua reeleição à Presidência da Câmara dos Deputados”, diz a nota conjunta assinada pelos líderes e presidentes dos partidos do bloco.

As cúpulas partidárias declararam ainda que a manutenção da aliança pretende preservar o modelo atual de gestão legislativa. “Em reunião realizada hoje entre os líderes e as direções dos partidos, decidimos pela manutenção do bloco partidário na próxima Legislatura, reafirmando nossa disposição de caminhar juntos, respeitando as diferenças e buscando convergências em favor do Brasil”, afirmaram os dirigentes no documento.

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O manifesto acrescenta que a articulação busca assegurar representatividade às diferentes bancadas. “Nosso objetivo é dar continuidade ao trabalho que temos construído por uma Câmara plural, independente e aberta ao diálogo com todas as correntes políticas, garantindo espaço a todos os 513 deputados e avançando nas decisões importantes para o país. Com esse espírito de união, harmonia e compromisso, o bloco seguirá trabalhando de forma conjunta”, declarou o grupo na nota oficial.

Articulação de Hugo Motta avança com adesão do PSD, apoio do PDT e resistência do PL

A formalização do bloco foi antecedida por negociações individuais com as legendas. Na terça-feira (13), o PSD reuniu sua bancada e tornou-se o primeiro partido do grupo a aderir formalmente à candidatura de recondução de Motta. Já na manhã desta quarta-feira (14), antes mesmo do almoço na residência oficial, o presidente da Câmara recebeu a declaração de apoio do PDT, partido que terá uma bancada de 6 deputados a partir de fevereiro de 2027.

O movimento coordenado pelas siglas de centro tem como objetivo antecipar o cenário da sucessão na Mesa Diretora e isolar a resistência do PL, partido de Flávio Bolsonaro, que se opõe à reeleição de Hugo Motta. A divergência na Câmara ocorre apesar de legendas integrantes do bloco — como União Brasil, PP, Republicanos e Podemos — apoiarem Flávio Bolsonaro no cenário político nacional.

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, criticou a antecipação das candidaturas e defendeu mudanças no comando das Casas do Congresso Nacional. “Se alguém quiser se colocar como candidato agora, queima a largada. Como líder, trabalhei e tenho consciência de que deve haver negociação. A Casa que ficar com um biênio não pode ser renovada para o 2º”, afirmou o deputado.

Regras do Regimento Interno da Câmara para blocos e votação secreta em 2027

Pelo Regimento Interno da Câmara dos Deputados, um bloco parlamentar pode ser formado por dois ou mais partidos ou federações que somem, no mínimo, 16 deputados, passando a atuar sob liderança comum como se fosse uma única legenda. O tamanho total de cada bloco define diretamente o peso político das siglas na abertura da legislatura, determinando a ordem de preferência para a escolha do comando das comissões permanentes e a distribuição proporcional dos cargos na Mesa Diretora entre os 513 deputados da Casa.

Na sua primeira eleição para o comando da Câmara, realizada em fevereiro de 2025, Hugo Motta venceu a disputa com 444 votos e o apoio de 18 partidos, registrando a segunda maior votação de um presidente da instituição desde a redemocratização do país.

Apesar do compromisso firmado pelos 15 dirigentes partidários nesta quarta-feira (14), a nota conjunta das cúpulas não assegura automaticamente o voto de todos os integrantes das bancadas. A eleição para a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, marcada para o início da próxima legislatura em 1º de fevereiro de 2027, ocorre por meio de votação secreta em plenário.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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