A cautela com a inflação americana e a disputa eleitoral brasileira levou o Ibovespa, principal índice da B3 (a bolsa de valores de São Paulo), a fechar em queda de 0,18% nesta quarta-feira (14), aos 206.505,98 pontos. No mesmo pregão, o dólar à vista subiu 0,17% e encerrou negociado a R$ 5,0289, enquanto as taxas de juros futuros reduziram a pressão inicial ao longo da tarde.
Durante a manhã, o indicador acionário chegou a recuar mais de 1%, oscilando entre a mínima de 203.463,77 pontos e a máxima de 207.220,81 pontos no dia. A recuperação parcial ocorreu com o avanço das ações de petroleiras, impulsionadas pela valorização do petróleo no exterior e por relatórios do banco americano Bank of America (BofA).
“Eu acredito que o juro americano nesse nível acaba pesando em qualquer bolsa emergente. Aqui dentro, a bolsa vinha de uma alta de quase 9% em uma semana com o rali eleitoral. Então, qualquer notícia ruim vira um motivo de realização de lucro”, afirmou Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital.
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Petrobras e PRIO seguram o Ibovespa enquanto varejo recua
O desempenho positivo das empresas de óleo e gás evitou uma baixa maior na bolsa paulista após o Bank of America reiterar a recomendação de compra para o setor, elevando o preço-alvo das ações da Petrobras de R$ 55 para R$ 70 e o da PRIO de R$ 71 para R$ 74. Em Londres, na bolsa ICE, o contrato futuro do petróleo tipo Brent para dezembro subiu 0,35%, fechando cotado a US$ 106,06 por barril. Na ponta oposta do mercado doméstico, companhias de construção e varejo, que dependem de crédito e sofrem impacto direto dos juros elevados no orçamento dos consumidores, registraram as perdas mais expressivas da sessão.
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- PRIO (PRIO3): alta de 2,29%, cotada a R$ 68,29 (maior ganho do Ibovespa).
- Petrobras preferencial (PETR4): alta de 2,22%, a R$ 58,11.
- Petrobras ordinária (PETR3): alta de 1,94%, a R$ 65,02.
- Magazine Luiza (MGLU3): queda de 4,49%, a R$ 10,85.
- Tenda (TEND3): queda de 5,46% (maior baixa do Ibovespa).
- Casas Bahia (BHIA3, fora do índice): recuo de 24,31%, a R$ 1,09, após aprovar linha de crédito de até R$ 250 milhões com o Banco do Brasil.
Inflação nos Estados Unidos de 3,7% derruba bolsas em Nova York
No cenário externo, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, indicador oficial da inflação nos Estados Unidos) avançou 0,6% em setembro na comparação mensal, em linha com o esperado por economistas, mas acumulou alta de 3,7% em 12 meses, superando a projeção de 3,6% do mercado. O núcleo do CPI, medida que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, subiu 0,3% em setembro ante expectativa de 0,2%, o que ampliou a preocupação de investidores com novos aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Em setembro de 2026, a autoridade monetária dos Estados Unidos já havia iniciado um ciclo de aperto ao elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano, em meio ao encarecimento da energia provocado pelo conflito no Oriente Médio e por bloqueios no Estreito de Ormuz.
“Por mais que (o CPI) tenha vindo em linha com o mercado, há uma certa ansiedade para os próximos passos do Fed. Então, há uma aversão a risco por conta da possibilidade de juros mais elevados nos EUA”, declarou Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
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Pressionadas pela inflação e pelo receio sobre o alto endividamento de companhias em projetos de inteligência artificial, as bolsas de Nova York fecharam no vermelho: o índice Dow Jones caiu 0,09% (aos 51.621,78 pontos), o S&P 500 cedeu 1,11% (aos 7.719,54 pontos) e o tecnológico Nasdaq recuou 1,88% (aos 26.692,87 pontos). O setor de tecnologia registrou retração de 2,62%, puxado pelas ações da CoreWeave, que caíram 15,46% após o rendimento de seus títulos de dívida se aproximar de 15%, e pelos papéis da Oracle, que perderam 8,83%.
Dólar a R$ 5,0289 e contratos de DI reagem aos Treasuries
O dólar à vista chegou a atingir a máxima de R$ 5,0551 pela manhã, mas desacelerou durante a tarde acompanhando a inversão para queda nos rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida pública do Tesouro americano) de longo prazo. Mesmo com o avanço no pregão de 14 de outubro de 2026, a moeda americana acumula baixa de 2,82% em outubro e desvalorização de 8,38% no ano ante o real, o que mantém a moeda brasileira com o segundo melhor desempenho de 2026 entre as divisas mais negociadas do mundo, atrás apenas do peso colombiano.
Esse alívio nos títulos americanos também reduziu a pressão sobre os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI, que indicam a expectativa para os juros futuros na B3). A taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou em 12,725% ao ano, alta de 3 pontos-base frente aos 12,699% da véspera, enquanto o contrato para janeiro de 2035 fechou em 12,66% ao ano, avanço de 8 pontos-base sobre os 12,579% anteriores.
Na agenda econômica interna, o volume do setor de serviços no Brasil recuou 0,1% em agosto em relação a julho e cresceu 0,6% na comparação anual, ficando abaixo das estimativas de mercado, que projetavam altas de 0,4% no mês e de 1,1% no ano. Os investidores acompanharam ainda a tramitação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho de seis dias de atividade por um de descanso (6×1).
Pesquisas sobre Lula e Flávio Bolsonaro pautam o mercado na B3
O segundo dia consecutivo de ajustes na bolsa ocorre após um forte rali registrado na semana posterior ao primeiro turno (entre 5 e 9 de outubro), período em que o Ibovespa alcançou recordes históricos na faixa dos 209 mil pontos. Naquele intervalo, a B3 recebeu cerca de R$ 13 bilhões em capital estrangeiro e o Banco Central contabilizou fluxo cambial positivo de US$ 2,416 bilhões, depois que o primeiro turno de 4 de outubro terminou com 47,03% dos votos válidos para o senador Flávio Bolsonaro (PL) e 45,16% para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Além do vetor externo, pesou [no desempenho da Bolsa] a realização dos lucros após o forte avanço acumulado da semana anterior”, disse Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.
Na terça-feira (13), o Ibovespa já havia caído 1,04% (aos 206.887,52 pontos) e o dólar subido 0,74% (a R$ 5,0227) após levantamento BTG/Nexus indicar empate técnico no segundo turno, com 48% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro e 45% para Lula. “Se as próximas pesquisas não trouxerem novidade, o dólar pode cair um pouco. Se a diferença diminuir, podemos ver aumento das tensões”, avaliou Fernando Cesar, operador sênior da AGK Corretora.
A atenção dos agentes financeiros volta-se agora para a divulgação da pesquisa Quaest de intenção de votos, prevista para as 18h (horário de Brasília) desta quarta-feira (14), e para o levantamento do instituto Datafolha, programado para quinta-feira (15), antes da votação do segundo turno presidencial marcada para domingo, 25 de outubro de 2026.
