Morte de Netinho resgata história real da musa da música Milla

Netinho - Divulgação: Site Oficial

Netinho - Divulgação: Site Oficial

O cantor de axé Ernesto de Souza Andrade Júnior, conhecido como Netinho, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, no Hospital Aliança Star, em Salvador (BA). O artista tratava um linfoma não Hodgkin do tipo B, tipo de câncer que atinge o sistema linfático, cujo quadro clínico evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

A morte do intérprete trouxe de volta à tona a origem de “Milla”, um dos principais sucessos de sua carreira solo, composto por Manno Góes em parceria com o coautor Tuca Fernandes no final dos anos 1980. Em nota oficial sobre o falecimento, a assessoria de imprensa do músico se pronunciou sobre o legado deixado por ele. “Artista extraordinário, talentoso, sensível e inovador, Netinho construiu uma trajetória marcada pela alegria, pela música e por um carisma inconfundível”, declarou a equipe do cantor.

Romance de Manno Góes na Ilha de Itaparica inspirou Milla

Embora tenha se tornado famosa na voz de Netinho nos carnavais e micaretas do país, a letra de “Milla” retrata uma vivência pessoal de Manno Góes. Em entrevista concedida em 2015, o compositor confirmou que a personagem existiu de verdade, validando a percepção de 82% do público que participou de uma enquete televisiva na época. O nome verdadeiro da mulher nunca foi revelado publicamente pelo autor para preservar a privacidade dela. A inspiração surgiu durante um namoro de verão que durou cerca de três meses na praia de Mar Grande, localizada na Ilha de Itaparica (BA), quando o músico conheceu a jovem nos finais da década de 1980.

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“Durante os verões de 86, 87, eu ia muito para Mar Grande, uma praia que tem aqui na Ilha de Itaparica, pertinho de Salvador. Em Mar Grande tem um farol. E esse farol vivia apagado e, quando você está chegando no cais, dá para você ver bem o moinho que está lá. Numa dessas minhas idas a Mar Grande, eu conheci uma menina baixinha, de covinha. A gente ficava muito no cais de Mar Grande”, disse Manno Góes na ocasião.

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O relacionamento terminou quando a jovem precisou se mudar para Recife (PE). Anos mais tarde, ela retornou para a capital baiana e, por coincidência, passou a morar no mesmo edifício que o compositor. “Então, assim, o destino trouxe ela de volta para o meu cais”, afirmou o autor sobre o reencontro que baseou os versos da canção. Na época da revelação, Manno Góes contou que ambos seguiam casados com outras pessoas e tinham filhos. “Mila existiu realmente. Foi um amor de verão que aconteceu em Mar Grande, como a música retrata”, declarou o compositor.

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Divergência entre Netinho e Manno Góes sobre Hollywood na letra

Outro trecho da composição que gerou interpretações distintas ao longo dos anos foi a menção a “Hollywood”. Ao comentar a repercussão da faixa e a identificação dos fãs com lembranças de amores inesquecíveis, Netinho afirmou que o verso fazia alusão a um estabelecimento específico frequentado pelo casal. “Ela estava na cama de um motel que tinha o teto que abria e a pessoa da cama via as estrelas no céu”, disse o cantor.

Manno Góes contestou a explicação dada pelo intérprete e negou qualquer referência ao local citado. “O motel Hollywood não tem nada a ver com a música. O nosso amor é um amor de Hollywood”, afirmou o autor da letra. Diante da versão do compositor, Netinho defendeu que o sentido da obra cabia a quem ouvia a faixa. “Hollywood, sendo um motel, sendo a própria Hollywood, Ilha do Sol, sendo Itaparica, outra ilha qualquer, o que importa é que a pessoa fique feliz”, declarou o vocalista.

Datas da carreira de Netinho e da canção Milla

Natural de Santo Antônio de Jesus (BA), Netinho iniciou sua trajetória nos trios elétricos à frente da Banda Beijo antes de seguir carreira solo na década de 1990, emplacando canções como “Beijo na Boca”, “Estrela Primeira” e “Barracos”. O álbum que consagrou “Milla” é apontado como o primeiro disco ao vivo de um cantor baiano, vendeu mais de 1 milhão de cópias no Brasil e manteve a música por 10 semanas no primeiro lugar das paradas musicais de Portugal, embora a obra tenha sido alvo de disputas judiciais posteriores entre o intérprete e o compositor. A trajetória do artista e da obra reúne os seguintes marcos:

  • 12 de julho de 1966 — Nascimento de Ernesto de Souza Andrade Júnior em Santo Antônio de Jesus (BA).
  • 1988 — Estreia do cantor no Carnaval de Salvador como vocalista da Banda Beijo.
  • 1996 — Lançamento do álbum “Netinho ao Vivo!”, gravado em Aracaju (SE), com a faixa “Milla”.
  • 21 de junho de 2015 — Revelação pública de Manno Góes sobre a identidade real da musa de Mar Grande.
  • 22 de março de 2025 — Anúncio público do diagnóstico de linfoma não Hodgkin do tipo B do cantor.
  • 13 de outubro de 2026 — Falecimento de Netinho aos 60 anos no Hospital Aliança Star, em Salvador.

Por desejo expresso deixado pelo próprio Netinho, as cerimônias de velório e cremação ocorrerão de maneira reservada, restritas a familiares e amigos próximos, sem divulgação de horário e local exatos ao público.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração