A pesquisa American Job Quality Study (AJQS), levantamento sobre a qualidade do emprego nos Estados Unidos conduzido pelo instituto Gallup, pela organização Jobs for the Future (JFF) e pelo fundo The Families & Workers Fund, aponta que 63% dos trabalhadores que usam inteligência artificial concluem suas tarefas mais rápido. Divulgados na terça-feira (6) em Washington, D.C., os dados indicam que 56% dos usuários da tecnologia encontram soluções mais criativas, 47% focam nas partes mais interessantes da função e 46% relatam melhora na qualidade das entregas.
Apesar do ganho de tempo relatado, a velocidade extra frequentemente resulta em acúmulo de funções dentro das empresas. Cerca de 31% dos profissionais que aplicam inteligência artificial no expediente afirmam que os empregadores pediram que eles assumissem mais responsabilidades em razão do uso da ferramenta, índice que sobe para 37% no recorte dos que trabalham mais rápido com o recurso.
Como a frequência de uso da inteligência artificial altera os resultados no trabalho?
Os números fazem parte do segundo ano do American Job Quality Study e foram coletados entre 26 de janeiro e 24 de março de 2026 com uma amostra total de 15.482 trabalhadores norte-americanos. Desse grupo, 7.845 entrevistados relataram ter utilizado ferramentas de inteligência artificial no ambiente profissional ao menos algumas vezes no último ano. Na amostra geral do levantamento, 28% declararam recorrer à tecnologia pelo menos uma vez por semana, o que o estudo classifica como uso regular, enquanto 54% afirmaram nunca ter acionado o recurso em suas atividades.
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A comparação entre os profissionais que utilizam os sistemas diariamente ou semanalmente e aqueles que fazem apenas uso esporádico demonstra uma diferença direta na percepção de rendimento durante o expediente, além de detalhar as taxas de rejeição para cada indicador avaliado pela pesquisa nos Estados Unidos:
- Velocidade na conclusão de tarefas: 79% dos usuários regulares relatam ganho de rapidez, contra 38% dos usuários irregulares (no total de usuários de IA, 28% responderam que a ferramenta não ajuda neste quesito e 9% disseram que não se aplica).
- Soluções mais criativas: 67% dos usuários frequentes apontam avanço na criatividade, ante 39% dos esporádicos (no geral, 36% responderam não e 9% informaram que não se aplica).
- Foco nas partes mais interessantes da função: 61% no uso regular, contra 27% no uso irregular (no geral, 39% responderam não e 14% disseram não se aplica).
- Maior qualidade nas entregas: 59% entre usuários regulares, ante 26% entre esporádicos (no geral, 43% responderam não e 11% apontaram não se aplica).
- Aumento de responsabilidades pedido pelo empregador: registrado por 31% do total de usuários de IA, enquanto 57% responderam que não houve cobrança extra e 11% declararam que a situação não se aplica ao cargo.
Diferenças salariais e de escolaridade no acesso à IA nos Estados Unidos
A adoção das ferramentas tecnológicas e a percepção de seus benefícios concentram-se nas faixas de maior renda, escolaridade e hierarquia corporativa. Para Molly Blankenship, vice-presidente associada de estratégia e impacto da organização Jobs for the Future e uma das líderes do estudo, as vantagens da tecnologia “não estão sendo compartilhadas de forma igualitária, elas não estão alcançando todos os trabalhadores”, afirmou, em tradução livre.
O uso regular da inteligência artificial entre profissionais com diploma universitário chega a 40%, mais que o dobro dos 17% registrados entre aqueles sem ensino superior. Na divisão por nível hierárquico, 37% dos gestores utilizam a tecnologia semanalmente ou diariamente, frente a 25% dos colaboradores sem cargo de chefia. Quando o recorte analisa apenas quem já utiliza a ferramenta, 68% dos graduados dizem que o recurso acelera o trabalho, contra 51% dos profissionais com ensino médio ou formação inferior. Na divisão por faixa salarial no trabalho principal, 70% dos usuários que recebem US$ 10.000 ou mais por mês relatam ganho de velocidade nas tarefas, percentual que cai para 58% entre os que ganham menos de US$ 4.000 mensais.
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A disparidade também aparece na comparação entre setores da economia e na classificação de bem-estar corporativo. Cerca de metade dos funcionários de serviços profissionais e empresariais, atividades financeiras e áreas de informação ou mídia faz uso regular de inteligência artificial. Na outra ponta, de 70% a mais de 80% dos trabalhadores de apoio à saúde, produção industrial e vendas no varejo nunca utilizaram a tecnologia no cargo. O levantamento aponta ainda que 52% dos profissionais que acionam a ferramenta toda semana ocupam o que o índice classifica como emprego de qualidade, proporção que recua para 32% entre os que nunca usam o sistema.
Limitações da pesquisa da Gallup e histórico do estudo
Na prática cotidiana de escritórios, analistas financeiros utilizam programas de inteligência artificial para organizar dados, resumir relatórios extensos e estruturar apresentações, enquanto equipes de marketing, recursos humanos e atendimento ao cliente aplicam o recurso para elaborar rascunhos, classificar informações e responder a solicitações recorrentes. O instituto Gallup ressalta, contudo, que as estatísticas da pesquisa refletem exclusivamente a autoavaliação dos próprios funcionários entrevistados sobre a rotina, o que não comprova relação causal direta nem representa uma medição independente de produtividade ou qualidade feita pelos empregadores. Como os sistemas podem omitir dados ou gerar respostas sem fundamento, tarefas que envolvem decisões financeiras e informações confidenciais exigem revisão humana de cálculos e referências.
O primeiro relatório do American Job Quality Study foi publicado em outubro de 2025, a partir de uma iniciativa conjunta que reuniu Jobs for the Future, The Families & Workers Fund, o instituto de pesquisa W.E. Upjohn Institute e o Gallup. Naquela edição de estreia, o consórcio ouviu mais de 18 mil trabalhadores para criar uma métrica representativa sobre a qualidade do emprego no mercado norte-americano.
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Os dados divulgados em 6 de outubro de 2026 pelo Gallup, sob o título “AI Benefits at Work Unevenly Distributed” (Benefícios da IA no trabalho distribuídos de forma desigual, em tradução livre), constituem uma prévia temática focada em tecnologia. O relatório completo do segundo ano do American Job Quality Study tem lançamento previsto para o final de outubro de 2026.
