A atriz e apresentadora Maisa Silva compartilhou em sua conta no Instagram, nesta quinta-feira (15), a prática do power nap enquanto descansava em uma praia na Grécia durante férias no verão europeu. A técnica consiste em um cochilo rápido, com duração recomendada entre 10 e 30 minutos, utilizado para repor as energias e aliviar a fadiga diária sem prejudicar o descanso noturno.
A publicação foi feita nos stories da rede social, onde a artista apareceu deitada na areia e afirmou que realizava a pausa. O termo de origem inglesa significa, em tradução livre, um cochilo rápido, realizado tipicamente após o almoço e semelhante ao hábito tradicional da sesta.
Como funciona o power nap praticado por Maisa Silva
Para explicar o funcionamento fisiológico do hábito adotado por Maisa Silva em 15 de outubro de 2026, o pneumologista e médico do sono Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Núcleo Interdisciplinar da Ciência do Sono (NICS) e do Laboratório do Sono do Instituto do Coração (InCor) da Universidade de São Paulo (USP), detalha que o corpo humano apresenta uma tendência biológica à sonolência no início da tarde. Esse processo ocorre devido a alterações metabólicas e térmicas naturais do organismo após o horário das refeições.
“Quando a gente é criança, até uma determinada idade, é comum também dar uma cochilada depois do almoço, porque existe uma pequena queda da temperatura, que te convida a dormir. O seu metabolismo muda também. Muitas vezes, você está usando energia para metabolizar a sua comida. Existe uma secreção de ácido no estômago, uma maré alcalina, mas, mesmo que você não se alimente, existe um convite, digamos assim, à cochilar”, disse Geraldo Lorenzi Filho.
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O especialista aponta que o descanso curto deve ser mantido apenas nas fases iniciais do adormecimento. Ultrapassar o teto recomendado faz com que o indivíduo entre em estágios mais pesados de repouso diurno, provocando a chamada inércia do sono, estado em que a pessoa desperta desorientada. “Inércia do sono é quando você acorda mais cansado ou mais sonolento do que foi dormir. Isso acontece muito no sono profundo”, afirmou o médico do InCor.
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Tempos do power nap e fases do ciclo do sono
O descanso humano divide-se em etapas distintas de atividade cerebral e relaxamento muscular, com métricas de tempo definidas pela medicina do sono para o repouso diurno e noturno:
- Duração segura do power nap: de 10 a 30 minutos no máximo.
- Tempo médio mais comum do cochilo após o almoço: cerca de 20 minutos.
- Duração média de um ciclo completo de sono noturno: 90 minutos.
- Quantidade de ciclos por noite: de 3 a 5 ciclos completos.
- Necessidade diária de sono noturno para adultos: variação individual de 6 a 9 horas.
- Sono superficial: primeira fase do adormecimento, na qual as ondas cerebrais ficam progressivamente mais lentas e com amplitude maior à medida que os neurônios disparam de forma sincronizada.
- Sono profundo: etapa predominante na primeira metade da noite, com o corpo totalmente relaxado, sem sonhos ou pensamento ativo, sendo o momento mais difícil para despertar.
- Fase REM (sigla em inglês para movimento rápido dos olhos): predominante na segunda metade da noite, período em que ocorrem os sonhos, com o cérebro ativo e a musculatura corporal relaxada.
Limites do cochilo de Maisa Silva e uso por atletas
Geraldo Lorenzi Filho afirma que a pausa diurna não substitui o repouso da noite. “Tem gente que precisa dormir menos, outras que precisam dormir mais. Falamos em oito horas, mas tem gente que fica bem com seis, sete ou as que precisam de nove horas”, declarou. Segundo ele, a demanda muda conforme a faixa etária. “Isso varia em função de vários fatores, é individual e também variável com a fase da vida. Em geral, o jovem adolescente precisa dormir muito mais do que os adultos. Os idosos, em geral, não têm um sono tão prolongado e podem precisar de menos sono ou podem começar a se adaptar a um padrão que a gente chama de polifásico, ou seja, de dormir em vários momentos ao longo do ciclo de 24 horas”, disse.
“O cochilo pode ser bom. Ele pode também complementar uma deficiência de sono. Pode ser útil, mas o ideal é que ele não substitua o sono noturno”, completou o diretor do Laboratório do Sono. O médico cita ainda que atletas de alto rendimento utilizam pausas programadas devido ao elevado desgaste físico, como o jogador de futebol Cristiano Ronaldo, que adota o hábito de dormir cinco vezes ao dia. “Eles gastam uma quantidade grande de energia e precisam de mais quantidade de sono, então não é uma receita de bolo para todo mundo, é uma possibilidade. E é lógico que você precisa ter um lugar adequado para dormir, um lugar tranquilo”, declarou.
Estudo da USP em São Paulo sobre pausas de 30 minutos
De acordo com a literatura médica sobre medicina do sono, cochilos planejados na faixa praticada por Maisa Silva ajudam a restaurar o estado de alerta, melhorar a memória, reduzir hormônios ligados ao estresse e aprimorar o foco por várias horas, sendo indicados sobretudo para estudantes, trabalhadores em turnos e viajantes sob efeito de mudança de fuso horário. Um estudo conduzido na cidade de São Paulo por pesquisadores do InCor da USP, incluindo Geraldo Lorenzi Filho, avaliou 4.625 cochilos registrados em um centro especializado na região central da capital paulista e identificou que 57% das pausas duravam 30 minutos, enquanto 33% dos usuários frequentavam o espaço mais de uma vez por semana para compensar a privação de sono e elevar a produtividade.
