A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) deflagrou uma operação contra a milícia chefiada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, no Condomínio Jardim Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A ação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, realizada na quarta-feira (14) com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar, resultou no indiciamento de nove pessoas pela cobrança ilegal de taxas de moradores do programa Minha Casa Minha Vida.
Segundo a delegada titular da Draco-IE, Luciana Fonseca, as investigações apontaram que o grupo destituiu os administradores regulares do conjunto habitacional e nomeou dez síndicos ligados à estrutura paramilitar para recolher o dinheiro. “Identificamos uma estrutura administrativa que foi criada naquele condomínio, na qual síndicos foram colocados pela milícia, ou seja, síndicos regulares foram retirados e colocaram síndicos vinculados à milícia, que então eram responsáveis por realizar a cobrança em face desses moradores”, afirmou a delegada.
Como funcionava a cobrança da milícia no Condomínio Jardim Guandu?
Para impor o pagamento nos mais de mil apartamentos do conjunto residencial, os suspeitos ameaçavam as famílias com agressões físicas, expulsão dos imóveis e morte. O inquérito teve início nos primeiros meses de 2026, a partir de relatos das próprias vítimas, quando diligências no local prenderam três pessoas em flagrante com armas de fogo e celulares, aparelhos cuja extração de dados revelou a divisão de tarefas da organização criminosa.
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- Taxa mensal ilegal por moradia: de R$ 70 a R$ 80, com valor que podia dobrar em caso de atraso no pagamento.
- Faturamento mensal estimado pela polícia: entre R$ 80 mil e R$ 100 mil com as extorsões no condomínio.
- Ordens judiciais da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa: dois mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão.
Foragidos e participação de sargento da Polícia Militar em Nova Iguaçu
Os dois alvos de prisão preventiva não foram encontrados na operação e são considerados foragidos da Justiça. Um deles é o suspeito identificado como Felipe (ou Filipe) Alves da Silva, apontado como braço direito de Juninho Varão e comandante operacional que recebia os repasses das cobranças. O outro procurado é Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, o MJ, investigado por cobrar diretamente nas portas dos apartamentos. “Ele era a pessoa encarregada de pressionar o morador a pagar (a extorsão). Ele é quem ia diretamente às residências e ameaçava com violência física e expulsão”, declarou a delegada Luciana Fonseca.
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Um policial militar da ativa, o sargento Carlos Luis Torres Correia, conhecido como Carlão e lotado no 7º BPM (Alcântara, em São Gonçalo), foi alvo de um mandado de busca e apreensão por suspeita de gerenciar grupos de WhatsApp para controlar porteiros e síndicos, além de comparecer a reuniões para intimidar os condôminos. “Pela busca que foi realizada na data de hoje, a gente já identifica uma residência bem robusta, luxuosa, possivelmente incompatível com o soldo recebido por ele na função de policial militar”, disse Luciana Fonseca sobre a ação de 14 de outubro de 2026. O militar foi conduzido à Cidade da Polícia, no bairro do Jacarezinho, onde afirmou que “vou provar minha inocência”, manteve-se em silêncio no depoimento formal e foi liberado.
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Apreensões da Draco-IE e histórico criminal de Juninho Varão
Nos endereços vistoriados pelos agentes da Polícia Civil e da Corregedoria, incluindo a residência do sargento e áreas do condomínio, foram recolhidos diversos materiais ligados à rotina de controle do conjunto habitacional.
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- Equipamentos e registros: aparelhos celulares, computadores, cadernos de anotações e envelopes com comprovantes de cobrança.
- Objetos e veículo: chaves de imóveis, um distintivo da Polícia Militar supostamente falso, um porrete de madeira usado em agressões e uma caminhonete com sinais de adulteração.
Além do esquema de extorsão, a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) apura se o assassinato do morador Vitor Hugo Pereira Tomaz, retirado de casa por homens armados e encontrado morto no Rio Guandu em 29 de setembro de 2025, foi motivado pela recusa em pagar a taxa. Chefe da milícia que atua em parte de Nova Iguaçu e da Zona Oeste da capital, Juninho Varão acumula seis mandados de prisão em aberto no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A ordem judicial mais recente foi expedida pela 4ª Vara Criminal em 3 de fevereiro de 2026, por suspeita de autorizar a morte de um rival em janeiro de 2025 na localidade de Jesuítas, em Santa Cruz, região disputada com remanescentes do grupo de Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, preso desde dezembro de 2023.
