Pesquisa mostra que 92% temem renda do INSS e 62% não têm previdência

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Aposentadoria, poupança, moedas Foto: Aposentadoria, poupança, moedas - MonthiraYodtiwong/ Istockphoto.com

A pesquisa nacional Conversão em Renda, elaborada pela Icatu Seguros em parceria com a Conversion, aponta que 92% dos brasileiros consideram que a aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), órgão público responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários, não será suficiente para garantir a estabilidade financeira no futuro. Divulgado em outubro de 2026, o levantamento mostra que, apesar da desconfiança com o benefício oficial, 62% dos entrevistados ainda não possuem um plano de previdência privada e 95% afirmam não ter recursos acumulados suficientes para parar de trabalhar.

O índice de 92% de percepção de insuficiência em relação ao valor pago pelo INSS resulta da soma de dois grupos distintos dentro da amostragem. Enquanto 63% dos participantes declaram que o benefício público será totalmente incapaz de cobrir os custos de vida na velhice, outros 29% avaliam que a quantia mensal atenderá às necessidades financeiras apenas de maneira parcial. Mesmo entre os cidadãos que já conseguiram montar alguma reserva financeira ao longo da carreira, 46% reconhecem que o montante guardado até o momento está abaixo do patamar necessário para assegurar uma velhice tranquila.

INSS - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: INSS – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Aposentadoria do INSS exige estratégia individual, diz diretor da Icatu Seguros

Para o diretor de Produtos de Previdência da Icatu Seguros, Henrique Diniz, o levantamento comprova que a preocupação com o orçamento doméstico na terceira idade já existe, mas ainda encontra barreiras práticas para virar ação efetiva no orçamento das famílias. “As pessoas já têm clareza de que talvez os instrumentos disponíveis hoje não sejam suficientes para a aposentadoria e de que precisam começar a se organizar e se planejar para alcançar o objetivo de ter uma aposentadoria tranquila”, afirmou o executivo sobre o comportamento mapeado pelo estudo.

O diretor aponta que o acesso a conteúdos sobre finanças tem ampliado a percepção da população sobre o tema, mas a construção de uma reserva exige medidas práticas muito antes do encerramento da carreira. “A difusão de informação, seja pela mídia ou pelas redes sociais, ajuda e favorece o acesso a mais informações e uma compreensão maior sobre a necessidade de planejamento e proteção financeira”, disse Diniz. O executivo completou a avaliação detalhando o peso do benefício estatal no orçamento das famílias: “A previdência social é base essencial para a aposentadoria dos brasileiros. Mas, para manter o padrão de vida e garantir mais segurança no futuro, é importante que cada pessoa tenha também uma estratégia de planejamento individual. A aposentadoria precisa ser construída muito antes do último dia de trabalho”.

Falta de reserva para complementar o INSS atinge 70% da Geração X e 64,7% da baixa renda

O recorte demográfico e econômico da pesquisa Conversão em Renda revela que a falta de preparação financeira atinge com maior intensidade trabalhadores mais velhos, mulheres e famílias de menor poder aquisitivo. Quase metade de toda a amostra nacional (49%) declara que ainda não começou a poupar ou que está apenas nos estágios iniciais de organização para o pós-carreira. A proximidade da idade de deixar o mercado não altera esse quadro: na chamada Geração X, grupo formado por pessoas de 45 a 60 anos, o índice de trabalhadores que não se sentem prontos para parar de trabalhar chega a 70%, enquanto a disparidade salarial e de gênero amplia o distanciamento em relação aos investimentos de longo prazo.

  • Recorte por faixa de renda: entre os brasileiros que recebem até R$ 1 mil mensais, 64,7% nunca pouparam para a velhice, índice que cai para 3,2% no grupo com rendimentos acima de R$ 28 mil por mês.
  • Diferença entre gêneros: 29% das mulheres afirmam não ter dado nenhum passo no planejamento para a aposentadoria, mais que o dobro do percentual registrado entre os homens, que é de 14%.
  • Estratégia feminina: dentro do universo de mulheres ouvidas pelo estudo, 44% relatam que a principal medida adotada para o futuro é guardar dinheiro na caderneta de poupança.
  • Diálogo familiar: 55% das mulheres entrevistadas discutem o planejamento da aposentadoria com seus cônjuges, diante de 62% entre os homens que mantêm esse hábito.

Cálculo de gastos na aposentadoria do INSS e busca por orientação financeira

A ausência de cálculo exato sobre o custo de vida futuro e a predominância de conselhos informais explicam parte da dificuldade em converter a preocupação em patrimônio. “O brasileiro sabe que precisa se preparar, mas muitas vezes não consegue transformar essa preocupação em uma estratégia financeira estruturada. É nesse ponto que orientação, educação financeira e acesso a soluções adequadas fazem diferença”, declarou Henrique Diniz, diretor da Icatu Seguros, ao analisar os obstáculos enfrentados pelos trabalhadores.

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  • Estimativa de despesas mensais: 58% dos participantes possuem apenas uma noção aproximada de quanto precisarão receber por mês na aposentadoria, 28% afirmam saber calcular esse valor com precisão e 14% admitem não fazer ideia do montante necessário.
  • Fontes de consulta financeira: 66% recorrem a amigos e familiares para pedir orientação sobre aposentadoria, 18% consultam especialistas ou assessores de investimentos, 5% procuram corretores de seguros ou previdência e 12% não conversam com ninguém sobre dinheiro.
  • Maiores temores financeiros: a falta de uma reserva para emergências lidera as preocupações com 30% das menções, seguida pelo medo de que os recursos financeiros acabem antes do fim da vida (24%) e pelo receio de não conseguir pagar despesas essenciais do dia a dia (23%).

Aplicações usadas para reforçar a renda do INSS e metodologia de abril de 2026

Para os trabalhadores que buscam reverter a desproteção financeira apontada no estudo e complementar o benefício do INSS, o caminho indicado no levantamento passa por ajustar as contas do presente, consultar profissionais especializados e diversificar as aplicações combinando produtos de liquidez rápida com planos de previdência privada. Na parcela de entrevistados que já consegue poupar algum valor mensal, a preferência recai sobre títulos de renda fixa, como o Tesouro Direto (programa de venda de títulos públicos federais a pessoas físicas) e o CDB (Certificado de Depósito Bancário, título emitido por bancos), que lideram a lista com 61% de adesão, seguidos pela caderneta de poupança (40%), pela compra de imóveis (34%) e pela previdência privada (27%).

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Os percentuais exatos de preferência por esses quatro tipos de ativos financeiros (61% em Tesouro Direto e CDB, 40% em poupança, 34% em imóveis e 27% em previdência privada) constam no material de referência da pauta, mas ainda não tiveram o detalhamento confirmado de forma independente nas demais divulgações públicas do estudo.

A coleta de dados da pesquisa Conversão em Renda foi realizada por meio de plataforma online pela Conversion, agência especializada em dados e comportamento digital, durante o mês de abril de 2026, tendo sua primeira divulgação pública ocorrida na quinta-feira (8) e nova repercussão nacional na terça-feira (13), antes da consolidação do material em 14 de outubro de 2026. A amostra reuniu 500 pessoas a partir de 18 anos de idade, distribuídas pelas cinco regiões do Brasil, de diferentes classes sociais e ocupações profissionais, sendo composta por 60% de mulheres e 40% de homens.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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