Agentes da Polícia Federal deflagraram a Operação Double Barrel nesta quinta-feira (15) para investigar o comércio ilegal de armas de fogo em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. As investigações apontam que um morador do município vendeu armamento clandestino para investigados na Operação Sem Desconto, que apura fraudes milionárias em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A ação policial teve início a partir de provas obtidas em apreensões anteriores da Operação Sem Desconto, cujo compartilhamento recebeu autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Com base no material repassado à corporação no interior paulista, os policiais identificaram o fornecimento ilegal de armamentos e saíram às ruas para recolher provas sobre a extensão do esquema.
Operação Double Barrel: venda de metralhadora e pagamentos por Pix
A análise das provas compartilhadas com a Polícia Federal em Presidente Prudente revelou que as negociações para a compra do armamento ocorriam por meio de um aplicativo de mensagens, com os pagamentos realizados via transferências bancárias instantâneas (Pix). Entre os itens comercializados no esquema está uma metralhadora de fabricação estrangeira equipada com supressor de ruído, equipamento conhecido como silenciador, que não possui registro de importação regular no Brasil e indica introdução clandestina no território nacional.
De acordo com a Polícia Federal, o objetivo das buscas realizadas no município paulista é localizar armas remanescentes que ainda possam estar em posse dos envolvidos e reunir novos elementos de prova. Os nomes do morador apontado como vendedor e dos investigados da Operação Sem Desconto que compraram os itens não foram divulgados pela corporação, que também ainda não detalhou o balanço final do que foi apreendido nas diligências.

Mandados e órgãos responsáveis pela Operação Double Barrel em Presidente Prudente
- Data e horário da deflagração: 15 de outubro de 2026, às 8h07 (horário de Brasília).
- Mandados judiciais: 3 mandados de busca e apreensão cumpridos em Presidente Prudente (SP).
- Juízo responsável: Vara Regional das Garantias da 5ª Região Administrativa Judiciária do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
- Origem da autorização no STF: Petição nº 14.831/DF.
- Unidade policial à frente do caso: Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal em Presidente Prudente.
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Fraudes de R$ 6,3 bilhões no INSS deram origem à investigação em 2025
As provas que embasaram a ação policial no interior de São Paulo vieram da Operação Sem Desconto, deflagrada originalmente em 23 de abril de 2025 pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), ocasião em que foram cumpridos 211 mandados de busca e apreensão. Aquela investigação revelou um esquema que falsificava assinaturas de aposentados e pensionistas para filiá-los a entidades associativas de fachada sem autorização, gerando descontos indevidos que causaram um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 e afetaram cerca de 2 milhões de beneficiários.
Quando a operação contra as fraudes previdenciárias veio a público em abril de 2025, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens dos alvos. As medidas judiciais também resultaram no afastamento da cúpula da autarquia federal, incluindo o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que acabou posteriormente indiciado no âmbito do inquérito.
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Na frente aberta em Presidente Prudente com a Operação Double Barrel, a Polícia Federal informou que as apurações prosseguem para identificar outros possíveis participantes do esquema. Os investigados poderão responder pelo crime de comércio ilegal de arma de fogo, além de eventuais novos delitos que sejam comprovados a partir da análise do material recolhido.
