PF prende homem com R$ 350 mil em mochilas após perseguição na Aldeota

Polícia Federal - Foto: Polícia Federal - Foto: Instagram

O empresário Douglas Queiroz Farache, de 34 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Federal na tarde de 30 de setembro de 2026, no bairro Aldeota, em Fortaleza, transportando R$ 350 mil em dinheiro vivo dentro de duas mochilas. A captura ocorreu após o suspeito tentar fugir em um veículo de luxo e provocar uma colisão em série contra três carros e um poste de iluminação no cruzamento das ruas Maria Tomásia e Visconde de Mauá.

A Polícia Federal investiga a ocorrência sob suspeita de lavagem de dinheiro e apura eventual relação com compra de votos, já que o episódio ocorreu a quatro dias do primeiro turno das eleições de 2026. Em manifestação sobre o caso, a corporação pontuou que “Douglas estava na posse de aproximadamente R$ 350.000,00 em espécie, quatro dias antes da realização do pleito eleitoral, circunstância destoante das transações normalmente realizadas por particulares e suspeita em razão do período”.

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Perseguição policial e acidente na Aldeota

Conforme os autos do inquérito, Farache realizou o saque da quantia em uma agência bancária do bairro Aldeota e tentou escapar no momento em que percebeu a aproximação de uma viatura com sirene ligada. A fuga desordenada terminou apenas quando o utilitário esportivo Haval H9 colidiu contra três veículos de terceiros e se chocou contra a estrutura de um poste de iluminação pública na via urbana.

Viatura da Polícia Federal - Divulgação/ PF
Foto: Viatura da Polícia Federal – Divulgação/ PF

No documento do Auto de Prisão em Flagrante, a autoridade policial registrou a postura de risco adotada durante a tentativa de escape: “A locução dos fatos, como apresentada, além de sua gravidade intrínseca, revela disposição concreta de subtrair-se à ação estatal ao custo do risco a terceiros, circunstância relevante para a análise do perigo que a liberdade do conduzido representa à aplicação da lei penal”. Além das cédulas, os agentes apreenderam três aparelhos de telefone celular que estavam com o condutor.

Cédulas apreendidas e movimentações no banco

O montante total apreendido no veículo estava distribuído em notas de baixo e médio valor dentro das bagagens de mão recolhidas pelos policiais federais:

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  • R$ 200.000,00 recolhidos em cédulas de R$ 50;
  • R$ 70.000,00 recolhidos em cédulas de R$ 100;
  • R$ 52.000,00 recolhidos em cédulas de R$ 20;
  • R$ 25.000,00 recolhidos em cédulas de R$ 10;
  • R$ 3.000,00 recolhidos em cédulas de R$ 5.

Relatórios de inteligência financeira apontaram que Douglas Farache declarava rendimentos mensais entre R$ 2 mil e R$ 10 mil, patamar considerado incompatível com a movimentação bancária de cerca de R$ 3,8 milhões registrada entre 2021 e agosto de 2025. O monitoramento identificou ainda que outros R$ 750 mil estavam com saques provisionados para 1º e 2 de outubro de 2026 em agências dos bairros Aldeota e Cocó, integrando um volume de R$ 2,4 milhões provisionados para retirada nos dias seguintes à prisão.

Audiência de custódia e decisão da Justiça Federal

Dois dias após a prisão, na manhã de 2 de outubro de 2026, a Justiça Federal realizou a audiência de custódia e concedeu liberdade provisória a Douglas Farache, rejeitando o pedido de prisão preventiva formulado pela Polícia Federal. A magistrada acolheu o parecer do Ministério Público Federal e impôs medidas cautelares ao investigado, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a retenção de seu passaporte.

O advogado Renato Araújo afirmou que “as alegações da Polícia Federal não procedem e nega qualquer relação com políticos e campanhas. O dinheiro é absolutamente lícito, tanto de origem como de destino”. Em nota divulgada após a soltura, o defensor completou: “A audiência de custódia ocorreu normalmente e, como a defesa esperava, Douglas foi colocado em liberdade. O Ministério Público e a magistrada entenderam que não havia elementos que justificassem a manutenção da prisão. A defesa sustenta que a conduta atribuída a Douglas não configura atividade ilícita e seguirá demonstrando isso no curso do devido processo legal, com pleno exercício do contraditório e da ampla defesa”.

Antecedentes e apuração sobre veículo de Douglas Farache

Douglas Farache já possuía registros e respondia a processos anteriores na Justiça por três crimes de estelionato e um de furto. O veículo que ele dirigia durante a abordagem pertence a um comerciante de Itapipoca com histórico de candidatura a vereador e passagens policiais por porte ilegal de arma de fogo e transporte irregular de eleitor no ano de 2012.

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Apesar de o veículo possuir adesivos de propaganda de dois candidatos, um a deputado federal e outro a estadual, a corporação informou que não há comprovação direta entre o montante recolhido e as campanhas eleitorais. A identidade do segundo homem que acompanhou o investigado até a agência bancária não foi revelada, e a apuração segue sob sigilo para o cumprimento das perícias nos telefones apreendidos.

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