Puberdade precoce atinge bebê de 10 meses no Reino Unido e exige tratamento

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Sophie e Sienna - Reprodução/Creatorzine Foto: Sophie e Sienna - Reprodução/Creatorzine

A britânica Sophie Dumas, de 41 anos, moradora de Londres, na Inglaterra, relatou nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, que sua filha Sienna foi diagnosticada com puberdade precoce central aos 10 meses de idade. Com 5 anos atualmente, a criança recebe injeções de bloqueadores hormonais a cada quatro semanas para interromper o desenvolvimento antecipado e preservar sua estatura na vida adulta.

A investigação médica começou após uma profissional de saúde que acompanhava a bebê notar um aumento no tecido mamário. “Sienna era uma bebê feliz e saudável. Eu não tinha percebido antes que as mamas estavam começando a se desenvolver. Além disso, os bebês costumam ser gordinhos, o que os torna ainda mais adoráveis, e ela também era amamentada. Por isso, não achei que houvesse nada de incomum em sua aparência”, contou Sophie Dumas.

Exames de Sienna aos 10 meses em Londres confirmaram a puberdade precoce

Encaminhada a uma equipe de endocrinologistas pediátricos na capital do Reino Unido, a menina passou por uma bateria de avaliações que exigiu a permanência da família durante um dia inteiro no hospital, cujo nome não foi divulgado. Os médicos realizaram testes de estímulo hormonal, procedimento no qual são feitas coletas de sangue para estabelecer o valor de referência do hormônio luteinizante (LH), seguidas pela injeção de um hormônio sintético para medir a reação do organismo em diferentes intervalos de tempo. Durante o atendimento, o estresse fez com que a bebê suasse a ponto de deslocar os cateteres, uma de suas veias colapsou e os profissionais precisaram coletar o sangue por meio de pequenas picadas nos calcanhares.

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A investigação incluiu radiografias para medir o grau de maturação óssea e uma ressonância magnética cerebral, solicitada para descartar tumores ou alterações neurológicas. Com o resultado normal do exame de imagem, os especialistas fecharam o diagnóstico de puberdade precoce central (PPC), condição mais comum no sexo feminino em que o cérebro envia sinais hormonais antes do período esperado, muitas vezes sem causa identificada.

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Para a mãe, a busca por referências após a confirmação médica esbarrou na escassez de relatos semelhantes na mesma faixa etária. “Foi muito difícil lidar com a falta de informações. As únicas famílias com quem consegui conversar estavam em grupos no Facebook, mas os pais tinham filhos de 7 ou 8 anos. Então, as experiências não eram realmente relevantes para a nossa situação. É uma experiência muito solitária, e ainda tenho tantas perguntas, principalmente sobre como vou explicar tudo isso para Sienna”, disse.

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Rotina de bloqueio hormonal de Sienna e impactos aos 5 anos

Para impedir que o organismo da criança continue avançando pelo processo puberal, o protocolo adotado pelos médicos britânicos consiste na aplicação regular de um medicamento injetável chamado análogo do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina). A previsão da equipe médica é manter as aplicações até que Sienna alcance cerca de 11 ou 12 anos, prazo que dependerá da evolução de sua idade óssea e de seu crescimento.

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A contenção medicamentosa busca evitar que as placas de crescimento dos ossos amadureçam cedo demais e interrompam a estatura final da menina, mas a rotina de procedimentos hospitalares gera desgaste emocional na família. “Mas, quando é a sua filha que você precisa segurar para que os médicos consigam coletar sangue ou aplicar injeções, enquanto ela chora: ‘Mamãe, por favor, me ajude. Por favor, não deixe que me machuquem’, é de partir o coração. Também não posso dizer a ela que precisa tomar essas injeções para não ficar doente, porque isso não seria verdade”, afirmou Sophie. Ela acrescentou que a reação da filha oscila a cada ciclo de quatro semanas: “Às vezes, ela lida muito bem com isso, mas ainda há muitas ocasiões em que chuta, grita e se esconde. Como mãe, é um ato de amor: você sabe que é o melhor para ela, mas isso acaba com você por dentro”.

Mesmo sob bloqueio hormonal, a criança de 5 anos apresenta sintomas físicos periféricos, como o surgimento de espinhas no rosto em áreas ligadas à ação de hormônios. Na escola, colegas chegaram a zombar da menina achando que as marcas eram catapora, episódio que levou a professora da turma a intervir para orientar os alunos.

“Todos queremos que nossos filhos continuem sendo crianças pelo maior tempo possível, preservando aqueles sonhos mágicos e a imaginação cheia de fadas e princesas. Por isso, sentir que o próprio corpo de Sienna estava tentando roubar sua infância parecia injusto. A puberdade precoce central certamente não ameaça sua vida, mas muda muita coisa”, declarou a mãe, que atualmente pesquisa a viabilidade de realizar o congelamento de óvulos da filha para preservar sua fertilidade futura, caso a condição afete a capacidade reprodutiva na vida adulta.

Critérios da Sociedade Brasileira de Pediatria e dados do Ministério da Saúde

A identificação precoce relatada pela família em Londres envolve parâmetros clínicos monitorados por entidades médicas internacionais e brasileiras. De acordo com a ginecologista e obstetra Priscilla Frauches e a ginecologista Adriana Bittencourt Campaner, o quadro pode ter origem genética, resultar de traumatismos e tumores ou estar associado a fatores ambientais, como obesidade, dieta rica em isoflavonas, exposição exógena a hormônios e contato com disruptores endócrinos presentes em alimentos e cosméticos.

Os protocolos clínicos do Ministério da Saúde e as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelecem referências numéricas e sinais específicos para diferenciar o desenvolvimento esperado da condição precoce:

  • Idade da puberdade normal: ocorre entre 8 e 13 anos nas meninas e entre 9 e 14 anos nos meninos, segundo a SBP.
  • Limite para diagnóstico de puberdade precoce: surgimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos no sexo feminino e antes dos 9 anos no sexo masculino.
  • Principais sinais clínicos de alerta: aparecimento do broto mamário em meninas, aumento testicular em meninos, surgimento de pelos pubianos ou nas axilas, além de suor e mau cheiro corporal.
  • Evolução dos casos em meninas: dados do Ministério da Saúde indicam que entre 21% e 64% das crianças que desenvolvem broto mamário antes dos 8 anos têm apenas telarca isolada (desenvolvimento mamário sem progressão para a puberdade completa), enquanto de 18% a 20% dos registros configuram o primeiro sinal de puberdade precoce verdadeira.

Diante da necessidade de acompanhamento especializado para definir a causa e a indicação do análogo do GnRH, Sophie Dumas orienta que outros pais busquem avaliação clínica ao menor sinal de alteração física nos filhos. “Minha principal recomendação é procurar orientação médica sempre que houver alguma preocupação, mesmo que você ache que possa parecer neurótica, e até buscar uma segunda opinião. Nossa profissional de saúde nem sequer achava que a preocupação seria levada a sério. Se ela não tivesse percebido algo que eu nunca notei, Sienna não teria começado o tratamento tão cedo”, concluiu.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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