Rafael Câmara assina com a Haas e será o 34º brasileiro na F1

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Rafa Câmara - Instagram Foto: Rafa Câmara - Instagram

A equipe norte-americana TGR Haas F1 Team anunciou nesta quinta-feira (15), em Londres, a contratação do piloto pernambucano Rafael Chaves Câmara, de 21 anos, como titular para a temporada 2027 da Fórmula 1. O acordo tem validade por múltiplos anos e fará do jovem o primeiro representante do Nordeste a competir na categoria e o 34º brasileiro a largar em um Grande Prêmio oficial.

Na estrutura da equipe para o campeonato de 2027, Câmara assumirá o assento do francês Esteban Ocon, que deixará a escuderia ao final da temporada de 2026. O piloto brasileiro formará dupla com o britânico Oliver Bearman, já confirmado como titular do time norte-americano.

A chegada de Câmara ao grid garante ao Brasil dois representantes titulares de maneira simultânea na categoria principal do automobilismo mundial pela primeira vez desde a temporada de 2016. Naquele ano, o país contou com Felipe Massa na equipe Williams e Felipe Nasr na Sauber, situação que voltará a se repetir em 2027 com o pernambucano na Haas e com a presença de Gabriel Bortoleto como piloto titular da Audi.

Testes em Portugal e liderança de Rafael Câmara na Fórmula 2

A escolha da equipe norte-americana pelo piloto brasileiro foi definida após o desempenho apresentado na temporada de estreia na Fórmula 2 e nas avaliações privadas conduzidas em pista. Em agosto de 2026, no circuito de Portimão, em Portugal, Câmara participou do programa TPC (Testing of Previous Cars, sigla em inglês para testes com carros de anos anteriores) a bordo do modelo VF-25, utilizado na temporada de 2025, e superou na disputa direta pela vaga os concorrentes Leonardo Fornaroli, Ryo Hirakawa e Jack Doohan.

O chefe de equipe da TGR Haas F1 Team, Ayao Komatsu, destacou o comportamento do brasileiro durante as atividades em Portugal e nas etapas de 2026. “Estou muito animado por contratar um talento tão jovem e incrível. Não preciso falar para todo mundo sobre suas conquistas nas fórmulas juniores, pois foram muito impressionantes; e, em sua temporada de estreia na Fórmula 2, a velocidade que ele demonstrou em alguns momentos muito difíceis, como nas qualificações em Mônaco e Montreal – tudo isso mostra o potencial que Rafa tem”, afirmou o dirigente.

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Komatsu também detalhou o trabalho do titular na avaliação prática com o carro da escuderia. “Ele mostrou, quando o colocamos para pilotar em nosso programa TPC (Testing of Previous Car) em Portugal, que conseguia se virar muito bem mesmo sem muito tempo para se familiarizar com o carro. Ele nos mostrou mais do que apenas velocidade bruta. Rafa conseguiu criar um ambiente para tirar o melhor de si mesmo; foi muito impressionante e, certamente, as voltas que ele completou foram especiais”, declarou.

Em comunicado oficial após o anúncio, Rafael Câmara agradeceu à direção do time e à base da Ferrari, em tradução livre: “Estou muito feliz por me juntar à TGR Haas F1 Team como piloto de Fórmula 1. É um passo importante na minha carreira e quero agradecer a Gene Haas e Ayao Komatsu pela confiança que depositaram em mim. Também sou muito grato à Academia de Pilotos da Scuderia Ferrari pelo apoio e por tudo o que contribuíram para o meu desenvolvimento ao longo dos anos, assim como à minha família por estar sempre presente durante toda essa jornada”.

Dados do contrato de Rafael Câmara e da campanha de 2026

A trajetória recente de Câmara inclui títulos em sequência nas divisões de acesso antes da campanha na Fórmula 2. Os dados oficiais da carreira do piloto e da negociação com a Haas reúnem os seguintes marcos:

  • Nascimento: 5 de maio de 2005, no Recife (PE).
  • Base e títulos anteriores: ingresso na Academia de Pilotos da Ferrari em 2022; campeão da Fórmula Regional Europeia (FRECA) em 2024 pela Prema Racing e campeão da Fórmula 3 da FIA em 2025 como estreante pela equipe Trident.
  • Campanha na Fórmula 2 em 2026: compete pela equipe Invicta Racing e soma sete pódios na temporada de estreia, sendo três vitórias em corridas principais (Feature Races) e outros quatro pódios.
  • Disputa pelo título da F2: lidera o campeonato com 7 pontos de vantagem sobre o vice-líder, o búlgaro Nikola Tsolov, piloto apoiado pela Red Bull.
  • Dirigentes responsáveis pela contratação: Gene Haas (proprietário e fundador da Haas F1 Team) e Ayao Komatsu (chefe de equipe).

Quantos brasileiros já correram na Fórmula 1 até Rafael Câmara?

A confirmação do pernambucano para 2027 coloca o piloto como o 34º brasileiro a alinhar no grid de largada de uma corrida oficial da Fórmula 1. Quando a contagem considera também os nomes que participaram apenas de sessões oficiais de treinos livres em fins de semana de Grande Prêmio, Câmara passa a ser o 36º representante do país a entrar na pista pela categoria.

Essa diferença numérica ocorre porque dois brasileiros pilotaram apenas em treinos de sexta-feira sem disputar corridas: Luiz Razia, que guiou pela Team Lotus/Caterham nos Grandes Prêmios da China e do Brasil em 2011, e Felipe Drugovich, que participou de sessões pela Aston Martin nos Grandes Prêmios da Itália, da Cidade do México e de Abu Dhabi.

A participação do Brasil na Fórmula 1 começou em 1951, com a estreia de Chico Landi no Grande Prêmio da Itália. Nos anos seguintes da década de 1950, também correram Gino Bianco (1952), Hermano da Silva Ramos, o Nano (1955-1956), e Fritz D’Orey (1958-1959). Nas décadas de 1970 a 1990, o país teve nas pistas José Carlos Pace (1972-1977), Wilson Fittipaldi Jr. (1972-1975), Luiz Pereira Bueno (1973), Ingo Hoffmann (1976-1977), Alex Dias Ribeiro (1976-1977), Chico Serra (1981-1983), Raul Boesel (1982-1983), Roberto Pupo Moreno (1987-1995), Maurício Gugelmin (1988-1992) e Christian Fittipaldi (1992-1994).

Títulos e vitórias do Brasil na história da Fórmula 1

A primeira vitória brasileira na categoria foi registrada no Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1970. Já os resultados mais recentes de destaque ocorreram com Rubens Barrichello, autor da última vitória do país no Grande Prêmio da Itália de 2009, e com Felipe Massa, responsável pela última pole position (primeiro lugar no grid de largada) no Grande Prêmio da Áustria de 2014 e pelo último pódio brasileiro, obtido no Grande Prêmio da Itália de 2015. O retrospecto acumulado pelo Brasil na Fórmula 1 contabiliza os seguintes números:

  • Total acumulado pelo país: 8 títulos mundiais de pilotos, 101 vitórias em corridas, 126 pole positions e 293 pódios.
  • Ayrton Senna (competiu de 1984 a 1994): 41 vitórias e três títulos mundiais pela McLaren (1988, 1990 e 1991).
  • Nelson Piquet (competiu de 1978 a 1991): 23 vitórias e três títulos mundiais, sendo dois pela Brabham (1981 e 1983) e um pela Williams (1987).
  • Emerson Fittipaldi (competiu de 1970 a 1980): 14 vitórias e dois títulos mundiais, conquistados pela Lotus (1972) e pela McLaren (1974).

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Apesar de confirmar que o vínculo assinado é válido por múltiplos anos, a equipe Haas não divulgou oficialmente a duração exata em temporadas do contrato firmado com Rafael Câmara. Antes de se apresentar em definitivo para a estreia na Fórmula 1 em 2027, o piloto pernambucano disputa as duas últimas etapas da temporada de 2026 da Fórmula 2, programadas para os circuitos do Catar e de Abu Dhabi.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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