A equipe norte-americana TGR Haas F1 Team anunciou na quinta-feira (15) a contratação do piloto brasileiro Rafael Câmara para a temporada de 2027 da Fórmula 1 em acordo plurianual. A chegada do pernambucano, somada à permanência do paulista Gabriel Bortoleto na equipe Audi, encerra um hiato de 11 anos sem dois representantes titulares simultâneos do Brasil na categoria e abre novas frentes de patrocínio no mercado nacional.
Para o professor de marketing esportivo da ESPM, Ivan Martinho, a presença da dupla altera o patamar comercial da modalidade no país independentemente do desempenho imediato das equipes nas pistas. “Mesmo que a Haas não dispute títulos, isso não diminui seu potencial de mobilização. Afinal, a relevância comercial de um esporte não depende apenas de quem vence, mas também de quem faz o público se importar. E, nesse aspecto, a Fórmula 1 acaba de ganhar mais um ativo valioso no Brasil”, disse.
Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara movimentam patrocínios na Fórmula 1
O interesse corporativo em torno de representantes nacionais no campeonato mundial já é observado desde a entrada de Gabriel Bortoleto na categoria principal do automobilismo. A presença do piloto titular da Audi colocou a equipe no radar de investidores que buscam exposição internacional e relacionamento direto com consumidores brasileiros, atraindo empresas de setores como tecnologia, telecomunicações, varejo, finanças e cosméticos para acordos comerciais vinculados ao competidor e à escuderia.
- Mercado Livre
- Porto
- KitKat (marca pertencente ao grupo Nestlé)
- Banco de Brasília (BRB)
- Motorola
- Snapdragon
- O Boticário
- Claro
- PicPay
De acordo com especialistas do setor consultados em análise publicada nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, a adição de um segundo titular amplia a criação de conteúdo, as ações de hospitalidade corporativa e as ativações em autódromos. O sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, Fábio Wolff, afirmou que o novo cenário atrai companhias de diferentes portes. “Dois pilotos criam mais histórias para acompanhar ao longo da temporada e novas oportunidades de campanhas, conteúdo, relacionamento com clientes e experiências nos autódromos”, declarou.
Na avaliação do Country Manager (diretor-geral no país) da ABSOLUT Sport no Brasil, Joaquim Lo Prete, a confirmação de mais um nome nacional favorece a comercialização de pacotes de hospitalidade premium, como os oferecidos para o Grande Prêmio de Fórmula 1 no Brasil. “A novidade tem potencial para ampliar o interesse do público que acompanha a F1 e, ao mesmo tempo, abrir novas oportunidades para marcas e negócios ligados direta ou indiretamente ao automobilismo”, afirmou Lo Prete. O ex-jogador, diretor executivo de futebol e sócio-fundador da AdSports, Toninho Cecílio, completou a análise sobre o mercado. “O retorno definitivo do Brasil ao grid da Fórmula 1 com Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara não é apenas um marco esportivo, mas o início de uma nova era que reativa o mercado nacional e reposiciona as marcas brasileiras na vitrine mais valiosa do esporte mundial”, disse.
Salário de US$ 2 milhões e exigências do mercado na Fórmula 1
O volume financeiro movimentado pela categoria reflete diretamente na remuneração dos atletas, cujo salário-base anual na Fórmula 1 é estimado em cerca de US$ 2 milhões por competidor, valor que pode dobrar ou triplicar por meio de acordos comerciais paralelos. Os valores exatos dos contratos individuais de Gabriel Bortoleto e de Rafael Câmara, bem como as cifras dos acordos de patrocínio firmados até o momento, não são divulgados oficialmente pelas equipes ou pelas empresas patrocinadoras. Apesar do potencial financeiro, Fábio Wolff apontou que o retorno exige planejamento estratégico. “Dois brasileiros no grid não significam automaticamente o dobro de patrocínios. A conversão desse interesse em negócios depende da capacidade de cada projeto de oferecer uma proposta clara às marcas, com ativações consistentes e resultados mensuráveis”, declarou.
Saiba mais: Rafael Câmara garante vaga na Fórmula 1 em 2027 após acordo entre Haas e Ferrari
Trajetória de Rafael Câmara até a vaga titular na Haas em 2027
A última ocasião em que o Brasil contou com dois pilotos titulares durante uma temporada completa da Fórmula 1 ocorreu em 2016, quando Felipe Massa competiu pela Williams e Felipe Nasr defendeu a Sauber. “Desde 2016, com Felipe Massa e Felipe Nasr, o Brasil não tinha dois pilotos titulares no grid da Fórmula 1. Rafael Câmara chega com uma trajetória de destaque nas categorias de base e representa mais do que uma promessa esportiva”, afirmou o professor Ivan Martinho.
Natural do Recife (PE) e neto de Niege Rossiter, pioneira do automobilismo na capital pernambucana na década de 1960, Rafael Câmara tem 21 anos e será o 34º piloto brasileiro na história da Fórmula 1. Integrante da Scuderia Ferrari Driver Academy (academia de formação de jovens pilotos da equipe Ferrari), ele conquistou os títulos da Fórmula Regional Europeia (FRECA) em 2024 e da Fórmula 3 da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em 2025. A vaga na equipe chefiada por Ayao Komatsu foi assegurada após o brasileiro registrar o melhor tempo em uma sessão do programa Testing of Previous Cars (TPC, treino oficial realizado com carros de temporadas anteriores) em agosto de 2026, no circuito de Portimão, em Portugal, quando pilotou o modelo VF-25 e superou os concorrentes Leonardo Fornaroli e Ryo Hirakawa.
Na Haas, o pernambucano substituirá o francês Esteban Ocon, que deixa a escuderia ao término de 2026, e deverá ter o britânico Oliver Bearman como companheiro de equipe. Para competir a partir de 2027, o brasileiro escolheu o número 50 em alusão à sua data de nascimento, 5 de maio de 2005, visto que o número 5, sua primeira opção, já é utilizado por Gabriel Bortoleto. Antes da estreia na categoria principal, Rafael Câmara disputa as duas últimas etapas da temporada de 2026 da Fórmula 2, campeonato que lidera pela equipe Invicta Racing. “Agora, meu foco está em me preparar da melhor maneira possível para este novo desafio. Haverá muito a aprender, e estou ansioso para trabalhar em estreita colaboração com a equipe, entender o carro e continuar evoluindo como piloto”, afirmou Câmara.
