O levantamento “O empreendedor e as férias”, realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), aponta que 27% dos proprietários de microempresas têm receio de se ausentar do cotidiano do negócio durante o período de descanso. A pesquisa, retomada nesta sexta-feira (16) para a análise de práticas de continuidade operacional em São Paulo, mostra que 33% dos empresários registram queda na produtividade da empresa quando estão fora.
O estudo indica que 70% dos empreendedores tiram férias ao menos uma vez por ano, enquanto 13% não costumam sair de recesso. “A pesquisa mostra que, no geral, o empreendedor consegue se organizar para sair de férias, mas dos 13% que não costumam se ausentar do negócio, 34% estão há mais de três anos sem descanso, o que pode indicar a necessidade de ajuste na gestão ou na estrutura do empreendimento, já que fazer uma pausa do trabalho é benéfico para a saúde física e mental”, afirmou Carolina Fabris Ferreira, coordenadora de pesquisas do Sebrae-SP.
Sebrae-SP detalha planejamento e calendário de descanso nas empresas
Entre os donos de microempresas (MEs), 42% demonstram preocupação em encontrar alguém capaz de executar o próprio trabalho durante o período de ausência. Apesar dos entraves operacionais relatados por parte dos entrevistados, 56% dos empreendedores ouvidos pelo Sebrae-SP avaliam que antecipar e organizar assuntos antes da viagem garante maior tranquilidade no recesso.
Nos momentos de folga, 57% dos proprietários afirmam desfrutar o lazer com tranquilidade e 53% dizem conseguir recarregar as energias. A duração média mais comum do afastamento é de duas semanas, concentrada principalmente no verão e no meio do ano.
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Os dados da pesquisa do Sebrae-SP detalham a metodologia, o calendário preferido pelos empresários e as taxas de antecipação de tarefas por porte de negócio:
- Amostra e período da coleta: 1,2 mil donos de micro e pequenas empresas com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ativo, ouvidos por e-mail entre 22 de abril de 2024 e 15 de maio de 2024.
- Divulgação original dos dados: 2 de julho de 2024, às 13h28, pela Agência Sebrae de Notícias (ASN), com retomada para análise de continuidade em 16 de outubro de 2026.
- Antecipação de tarefas por porte: 79% dos proprietários de empresas de pequeno porte (EPPs) e 66% dos Microempreendedores Individuais (MEIs) adiantam demandas antes de viajar.
- Antecedência do planejamento: 45% planejam o recesso de 7 a 12 meses antes, 33% organizam entre 2 e 6 meses antes e 18% preparam a pausa de 12 a 24 meses antes.
- Meses mais frequentes para as férias: janeiro lidera com 36% das escolhas, seguido por dezembro (32%), julho (22%) e fevereiro (21%).
Norma ISO 22301 orienta empresas contra paralisia operacional
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Na área de gestão, especialistas em continuidade de negócios classificam a centralização excessiva no proprietário como dependência de pessoas-chave. Quando processos, acessos a contas, negociações com fornecedores ou aprovações de pagamentos ficam restritos ao dono, o crescimento da companhia pode gerar a chamada paralisia empresarial, situação em que a rotina operacional trava na ausência do gestor.
Para evitar que o afastamento do proprietário interrompa o faturamento ou o atendimento, a norma internacional ISO 22301 estabelece os requisitos para Sistemas de Gestão de Continuidade de Negócios (SGCN). A diretriz orienta organizações de diferentes portes a planejar, implementar, monitorar e testar mecanismos capazes de manter operações críticas ativas durante interrupções.
A aplicação prática da ISO 22301 exige testes prévios para verificar se a equipe conhece suas funções sem o gestor. Em pequenos negócios, o exercício consiste em simular a indisponibilidade total do empresário por alguns dias em uma atividade crítica, identificando quem assume o atendimento a clientes, o acesso aos sistemas e a autorização de pagamentos.
Transição de Steve Jobs para Tim Cook na Apple ilustra separação de funções
A diferença entre importância estratégica e dependência operacional é exemplificada no mercado corporativo pela transição de comando na Apple. Em 14 de janeiro de 2009, o cofundador e então diretor-executivo (CEO, cargo máximo de comando de uma empresa) Steve Jobs anunciou uma licença médica até o fim de junho daquele ano. O então diretor de operações (COO, executivo responsável pela rotina diária) Tim Cook assumiu a gestão cotidiana, enquanto Jobs permaneceu nas decisões estratégicas.
A manutenção da rotina ocorreu porque a estrutura já havia sido testada anteriormente: Cook havia tornado-se diretor de operações em 2005, após comandar a companhia de forma temporária em 2004 durante a recuperação cirúrgica do fundador. Quando Jobs tirou nova licença médica em janeiro de 2011, as ações da empresa recuaram no mercado financeiro, mas a operação seguiu funcionando até 24 de agosto de 2011, data em que Jobs renunciou definitivamente ao cargo e foi sucedido por Cook através do plano de sucessão.
Sebrae lista medidas para o empresário organizar o recesso sem perdas
A ausência programada nas férias funciona como um indicador das tarefas que já estão distribuídas na equipe e das informações que precisam ser documentadas. Para reduzir a dependência exclusiva do proprietário, a orientação técnica é registrar procedimentos, frequência, etapas e responsáveis por cada atividade interna.
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Além do registro formal de processos, o Sebrae recomenda aos donos de micro e pequenas empresas quatro medidas práticas para viabilizar o descanso sem prejudicar o caixa: definir as datas de afastamento em períodos de baixa demanda no setor, fracionar as férias em intervalos mais curtos como quatro pausas de uma semana ao longo do ano, comunicar clientes, fornecedores e colaboradores com antecedência e delegar funções operacionais à equipe.
