A celebração dos 160 anos de fundação do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) reuniu pesquisadores, estudantes, funcionários e autoridades no Theatro da Paz, em Belém, na noite de quinta-feira (15). A instituição de pesquisa mais antiga da Amazônia, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), foi homenageada com pronunciamentos institucionais e um concerto da orquestra Amazônia Jazz Band.
O evento foi promovido pelo Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e do Theatro da Paz, com apoio da Embaixada da Suíça no Brasil. Na abertura da cerimônia, o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, ressaltou a trajetória de resistência da entidade desde o século 19. “O Museu Goeldi não é apenas uma das mais antigas instituições de pesquisa no Brasil, mas também é um farol de inovação e de vanguarda na América Latina. As crises econômicas globais e as pandemias, ao longo de 160 anos, carregam em sua essência a semente da resistência. Haveremos de passar por esse momento decisivo com profunda lucidez, consciência crítica e união”, declarou o diretor.
Parceria suíça busca patrocinadores para restaurar a Casa Goeldi até a COP30
Durante a solenidade de 15 de outubro de 2026, o embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock, anunciou a busca por empresas e patrocinadores para viabilizar a restauração e a requalificação da Casa Goeldi. O imóvel, que serviu de residência ao naturalista suíço Emílio Goeldi e fica localizado dentro do Parque Zoobotânico, no centro de Belém, integra uma parceria público-privada entre a representação diplomática, o museu e o governo paraense, com foco nas ações voltadas à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).
“Estamos muito gratos e felizes por participar deste grande aniversário dos 160 anos e por continuar trabalhando junto com o Museu e com o Estado do Pará na parceria público-privada com empresas para a renovação da casa onde Emílio Goeldi morou lá no Museu. A ideia é concretizar essa renovação e, para isso, faço um chamado a patrocinadores, a empresas, que se juntem a nós, acho que é realmente um projeto que vale a pena porque olha para o futuro, para uma parceria Suíça e Brasil, falando de meio-ambiente, preservação, mas também de inovação e de respeito aos saberes ancestrais”, afirmou Hanspeter Mock.
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O secretário de Estado da Cultura do Pará, Bruno Chagas Ferreira, destacou a preservação do Parque Zoobotânico na avenida Magalhães Barata como parte da memória de Belém. “A Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Pará entra nessa parceria e celebração, como parte fundamental de fomentar e incentivar a arte e a memória, mas, acima de tudo, preservar o patrimônio que nós todos conhecemos e que faz parte da nossa cultura, da nossa tradição aqui de Belém, que é o Parque Zoobotânico, lá na Magalhães Barata”, disse o secretário.
Autoridades do MCTI e da Finep destacam produção científica no Museu Goeldi
A cerimônia contou com a participação de representantes do Governo Federal na área de pesquisa e financiamento. O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luiz Antonio Rodrigues Elias, defendeu a continuidade das políticas públicas para evitar interrupções nos estudos amazônicos. “Desejo que a própria comunidade científica continue aproximando-se da população, compartilhando suas descobertas, demonstrando de maneira inequívoca que a ciência está presente na vida de cada um de nós. Se em 1866, um pequeno grupo de pessoas teve a coragem de criar uma instituição dedicada ao conhecimento da Amazônia, as gerações seguintes terão a mesma determinação e a resiliência de preservá-la, ampliá-la e transformá-la em uma referência internacional”, afirmou Elias.
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Representando a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latge, falou sobre a necessidade de compreender as demandas de cada território. “É muito importante todo esse trabalho que o museu tem feito, não só aqui pra Amazônia, mas para mostrar ao Brasil o que está sendo feito aqui. É importante a gente ter esse olhar múltiplo, colaborativo, e entender as necessidades de cada território, de cada ciência, de cada povo. O Museu é uma casa fantástica. A gente olha as imagens do passado e percebe que a gente tem história, a ciência é uma história. Não se faz ciência de um dia para o outro”, declarou a secretária.
Amazônia Jazz Band apresenta repertório autoral nos 160 anos do Museu Goeldi
Enquanto os hinos do Brasil e do Pará eram executados e as autoridades discursavam, o telão do teatro exibiu fotografias históricas de expedições de campo, das salas de coleções científicas no Campus de Pesquisa e das instalações da Estação Científica Ferreira Penna, situada na Floresta Nacional de Caxiuanã. Na sequência, a orquestra Amazônia Jazz Band subiu ao palco sob a regência do maestro Eduardo Lima para apresentar um repertório composto por obras autorais de seus integrantes. O espetáculo teve a participação da cantora convidada Carol Ferreira, que interpretou duas músicas em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, incluindo uma composição própria.
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Datas, números e estrutura da celebração do Museu Goeldi em Belém
- Data de fundação da instituição: 6 de outubro de 1866.
- Abertura das comemorações de 160 anos: 6 de outubro de 2026, das 9h às 16h, com entrada gratuita e programação educativa no Parque Zoobotânico.
- Coletiva de imprensa no Theatro da Paz: quinta-feira (15), às 18h30, com participação de Nilson Gabas Júnior, Hanspeter Mock, Edyr Augusto Proença, Bruno Chagas Ferreira e do diretor-presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), Marcel do Nascimento Botelho.
- Solenidade e concerto comemorativo: início previsto às 19h30 de quinta-feira (15), com apresentação de 23 músicos durante cerca de uma hora e meia.
- Área do Parque Zoobotânico: 5,2 hectares de floresta preservada no centro de Belém.
Nomeação de 39 servidores e títulos de patrimônio cultural em 2026
O ano do aniversário de 16 décadas do Museu Paraense Emílio Goeldi foi antecedido pela recomposição de seu quadro funcional. Em janeiro de 2026, após quase 12 anos sem a realização de concurso público, a instituição teve a nomeação de 39 novos servidores efetivos, divididos entre 17 pesquisadores, 12 analistas e 10 tecnologistas. Somados aos quatro profissionais que ingressaram em 2025, o órgão recebeu 43 novos integrantes antes das festividades de outubro.
O palco escolhido para a homenagem também registrou marcos institucionais em 2026. Inaugurado em 1878, o Theatro da Paz foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em julho de 2026, como patrimônio cultural da humanidade, em uma candidatura conjunta com o Teatro Amazonas, de Manaus, denominada Teatros da Amazônia. O diretor do Theatro da Paz e escritor, Edyr Augusto Proença, classificou o museu como uma “joia mundial” pela sua relevância científica. Por sua vez, a Amazônia Jazz Band, fundada em 1994, atuou na cerimônia já detentora do título de patrimônio cultural imaterial de Belém, concedido pela Lei nº 10.292/2026.
