Ação de André Janones faz buscas sobre Bolsonaro subirem no Google

André Janones - Mario Agra, Câmara dos Deputados

André Janones - Mario Agra, Câmara dos Deputados

O deputado federal André Janones (Rede-MG) coordenou uma mobilização digital nesta terça-feira (20) para orientar apoiadores a pesquisarem e estimularem buscas no Google pelo termo “Bolsonaro mandou matar Lula”. A ação ocorreu no Brasil a cinco dias do segundo turno presidencial e provocou um aumento superior a 5.000% nas pesquisas pela frase na plataforma.

A orientação partiu do parlamentar, que lidera o grupo digital denominado Exército do Lula, com a diretriz de que os militantes espalhassem a sugestão de busca em todas as redes sociais sem fazer afirmações diretas sobre o caso. “Nós vamos estimular as pessoas a fazerem pesquisas no Google (…) sem emitir nenhuma opinião, sem dizer se aquilo é verdadeiro, se aquilo é falso”, declarou André Janones.

Estratégia de André Janones mira votação de 25 de outubro

Para atrair eleitores de diferentes perfis políticos na reta final da campanha, o deputado instruiu seus seguidores a adotarem postagens com tom de curiosidade, evitando um posicionamento explícito que pudesse afastar usuários de outros espectros ideológicos nas redes sociais. “Independente de você ser de direita ou de esquerda, jogue no Google […] e veja o que acontece”, orientou o parlamentar, que resumiu a função dos apoiadores na operação digital: “Nosso papel vai ser só estimular a pessoa a fazer a pesquisa”.

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Janones classificou a manobra como “a bala de prata” para tentar influenciar o resultado das urnas na votação marcada para domingo (25). A campanha do presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disputa o segundo turno em situação de desvantagem após ter sido derrotada no primeiro turno pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro.

Buscas por Bolsonaro e Lula crescem mais de 5.000% no Google Trends

Os dados registrados pela ferramenta Google Trends apontaram que o termo “bolsonaro mandou matar lula” teve uma elevação superior a 5.000% no território nacional. O índice de crescimento nas pesquisas foi verificado tanto na comparação com as 24 horas imediatamente anteriores quanto em relação ao mesmo período da semana passada.

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O movimento coordenado por Janones também impulsionou variações de consulta sobre o mesmo tema dentro do buscador. As expressões “bolsonaro mandou matar lula?” e “bolsonaro tentou matar lula” atingiram a classificação de “Grande Aumento” nos registros da plataforma digital.

A concentração mais alta de interesse pelo termo ocorreu nas regiões Nordeste e Centro-Oeste do país, tendo o estado do Rio Grande do Norte e o Distrito Federal na liderança do ranking de pesquisas realizadas pelos usuários ao longo do dia.

Denúncia da PGR de 272 páginas detalha plano Punhal Verde e Amarelo

Ao digitarem a frase sugerida pela mobilização no buscador, os eleitores encontraram reportagens sobre a denúncia de 272 páginas apresentada à Justiça pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra o ex-presidente da República Jair Bolsonaro

(PL) e mais 33 pessoas. Na Ação Penal 2668, relatada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que Jair Bolsonaro teve ciência e concordou com o plano batizado de “Punhal Verde e Amarelo” e com a operação “Copa 2022”, que previam o assassinato de Lula e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, inclusive por envenenamento, além da neutralização do próprio Alexandre de Moraes para impedir a transição de poder após o pleito de 2022.

Os 34 denunciados no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado responderam na Corte por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

TSE suspendeu canal de André Janones com 3,2 milhões de seguidores

A articulação promovida nesta terça-feira (20) dá sequência às ações digitais comandadas pelo deputado em favor da candidatura petista, que já foram alvo da Justiça Eleitoral durante a campanha de segundo turno. O canal de WhatsApp Exército do Lula, criado por André Janones para distribuir tarefas de militância na internet, chegou a alcançar a marca de 3,2 milhões de seguidores em menos de uma semana de funcionamento antes de sofrer restrições judiciais.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal de mensagens após atender a uma ação movida pela campanha de Flávio Bolsonaro. A decisão apontou o uso da ferramenta para disparo de desinformação e destacou a atuação coordenada de seguidores que executam ordens digitais sem examinar o conteúdo.

A cronologia dos processos judiciais e dos atos da campanha eleitoral envolve as seguintes datas e órgãos responsáveis:

  • 18 de fevereiro de 2025, às 20h30: o procurador-geral da República, Paulo Gonet, formaliza no STF a denúncia contra Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas pela tentativa de golpe de Estado;
  • 2 de setembro de 2025: Paulo Gonet apresenta a acusação no julgamento da Ação Penal 2668 na Primeira Turma do STF e reafirma a comprovação do plano Punhal Verde e Amarelo;
  • 11 de outubro de 2026: o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspende o canal Exército do Lula no WhatsApp a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro;
  • 20 de outubro de 2026: André Janones orienta apoiadores a estimularem buscas no Google sobre Jair Bolsonaro e Lula;
  • 25 de outubro de 2026: realização do segundo turno das eleições presidenciais entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.