Uma massa de ar quente e úmida avança sobre o Brasil a partir de 20 de outubro de 2026, substituindo o ar frio anterior e provocando chuvas intensas, queda de granizo e ventos fortes nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte até domingo (25). As instabilidades ganham força no fim de semana com a evolução de um cavado para um ciclone no sábado (24) e a chegada de uma frente fria no dia seguinte.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão federal responsável pelo monitoramento do clima no país, emitiu alertas amarelos de temporais para o Paraná com validade da tarde desta quarta-feira (21) até sexta-feira (23). O aviso abrange inicialmente 178 municípios das regiões central e oeste paranaense, onde são esperadas rajadas de vento de até 60 km/h e queda de granizo. “Apesar de os principais modelos meteorológicos apresentarem diferenças na intensidade prevista da chuva, ambos sinalizam o Paraná como a área de maior destaque para as instabilidades”, informou a empresa de meteorologia Climatempo em nota oficial.
Formação de cavado e avanço da umidade entre quarta-feira e sexta-feira
A mudança nas condições do tempo se acentua nesta quarta-feira (21) com a formação de um cavado, que é uma área alongada de baixa pressão atmosférica, aumentando a nebulosidade na Região Sul e em parte do Sudeste. Durante a tarde e a noite, a previsão indica pancadas intensas no noroeste do Rio Grande do Sul, no extremo oeste de Santa Catarina e no sudoeste do Paraná, enquanto o sul de São Paulo deve registrar apenas chuva fraca.
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Na quinta-feira (22), o transporte constante de umidade vinda tanto do oceano quanto da região amazônica alimenta nuvens carregadas pelo território nacional, espalhando o risco de temporais pelos quatro estados do Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Ao mesmo tempo, o corredor de umidade da Amazônia favorece a ocorrência de tempestades em Mato Grosso do Sul, no noroeste de Mato Grosso, em Rondônia, no Acre e na faixa oeste do Amazonas.
Já na manhã de sexta-feira (23), o sistema de baixa pressão ganha força no Sul e provoca temporais no leste, norte e noroeste do Rio Grande do Sul, além de atingir Santa Catarina e parte do território paranaense. No período da tarde, a chuva perde força nas áreas sulistas e se desloca com maior vigor para São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás, deixando o Espírito Santo sob precipitação moderada e concentrando pancadas fortes em pontos isolados do Acre, com risco de queda pontual de granizo no território paulista, fluminense e capixaba.
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Volumes de chuva e rajadas de vento previstos pelo Inmet
Os boletins meteorológicos do Inmet para a semana entre 19 e 26 de outubro detalham os volumes esperados e a velocidade dos ventos nas faixas sob maior instabilidade:
- Paraná (regiões central e oeste): volume de até 30 mm por hora ou 50 mm por dia, com ventos de até 60 km/h entre quarta-feira (21) e sexta-feira (23).
- São Paulo, Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo: acumulado total entre 30 mm e 80 mm de quinta-feira (22) a segunda-feira (26), com rajadas de 40 km/h a 60 km/h.
- Extremo sul de Mato Grosso do Sul: acumulado total entre 20 mm e 80 mm de quinta-feira (22) a domingo (25), acompanhado de raios e eventual granizo.
- Oeste do Amazonas: acumulado em sete dias entre 20 mm e 40 mm, com volumes pontuais que podem superar os 100 mm até segunda-feira (26).
Ciclone em seis estados no sábado e frente fria no domingo de eleições
O pico das instabilidades ocorre no sábado (24), quando o cavado estacionado sobre a Região Sul evolui para um ciclone, elevando de forma direta o risco de tempestades severas em seis estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Esse sistema organiza um novo canal de umidade sobre o Centro-Sul e vem acompanhado de descargas elétricas, queda de granizo e rajadas intensas de vento.
No domingo (25), data de realização do segundo turno das eleições gerais no Brasil, uma frente fria avança pelo continente e pode gerar tempestades já durante a madrugada no litoral norte de Santa Catarina, no Paraná, em Mato Grosso do Sul e no sul de São Paulo. Ao longo do dia, o Sudeste e o território sul-mato-grossense permanecem com tempo fechado e pancadas de chuva em diferentes horários, com precipitações mais pesadas à tarde no noroeste de Mato Grosso do Sul, enquanto a circulação do ciclone mantém o ar úmido e o alerta de temporais no interior e na faixa leste do Rio Grande do Sul, incluindo a capital Porto Alegre.
Massa de ar polar anterior e monitoramento climático do TSE
A chegada do calor úmido e dos temporais sucede uma massa de ar polar que derrubou as temperaturas em oito estados do Centro-Sul na segunda-feira (19), impulsionada pela passagem de um ciclone extratropical anterior pelo oceano. Na ocasião, os termômetros registraram mínimas próximas de 0°C em Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina, e nos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, com marcas previstas de até -4°C nos pontos mais elevados da Serra Catarinense, dentro de um mês de outubro cujo boletim climático do Inmet já apontava tendência de chuvas acima da média histórica para os três estados do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e sudeste de Minas Gerais.
Para acompanhar o impacto das tempestades no domingo (25), quando a votação do segundo turno ocorre das 8h às 17h pelo horário de Brasília, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira, acionará a Sala Nacional de Situação Climática. Instituído pela Portaria nº 527, de 14 de agosto de 2026, o grupo passa a operar de maneira ininterrupta a partir de 24 horas antes da abertura das urnas para monitorar eventos meteorológicos severos e propor medidas de contingência onde houver necessidade.
