Arqueólogos da Xunta de Galicia (o governo regional galego) e da Universidade de Vigo descobriram no Castelo dos Mouros um muro de aparente origem castreja, período correspondente à Idade do Ferro, sob os vestígios de um edifício de época romana na Ilha de Ons, na Espanha. O achado, divulgado na segunda-feira (19), representa o primeiro registro pré-romano localizado fora da muralha defensiva desse antigo povoado fortificado, em um setor a leste onde até então só haviam sido documentados restos da ocupação romana.
O trabalho no sítio arqueológico foi conduzido pelo Grupo de Estudos de Arqueologia, Antiguidade e Território (GEAAT) e encerrou a segunda fase da campanha de escavações de 2026. A identificação dessa parede antiga abaixo dos níveis de uso de um cômodo romano indica que a área habitada pelos povos originários da região pode ter ultrapassado os limites fortificados que os pesquisadores reconheciam até o momento.
Escavações no terraço do Castelo dos Mouros revelam cinco habitações
Além da frente de trabalho no exterior da muralha, os pesquisadores avançaram nas escavações do terraço intermediário do Castelo dos Mouros. Nesse setor interno do castro tipo de povoado fortificado característico do noroeste da Península Ibérica, a equipe deu sequência à abertura de uma cabana localizada em 2025, cuja identificação inicial já havia permitido detectar outras três construções parcialmente escavadas na mesma área.
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O registro de um novo muro de planta curva durante a etapa de outono elevou para cinco o total de habitações da Idade do Ferro confirmadas no terraço intermediário. Os arqueólogos também finalizaram a escavação da maior dessas estruturas residenciais, o que permitiu observar detalhes da arquitetura doméstica do assentamento.
A arqueóloga e diretora da intervenção arqueológica no Castelo dos Mouros, Alba Rodríguez, detalhou o resultado obtido no interior da construção principal. “Durante esta nova intervenção, completou-se a escavação da maior dessas construções, uma ampla habitação que conserva em seu interior uma possível estrutura de combustão central, interpretada como uma lareira”, afirmou, em tradução livre. Dentro da mesma casa, a equipe encontrou um conjunto de lajes de pedra fincadas verticalmente no solo.
Localização, equipe e cronograma da campanha de 2026 no Castelo dos Mouros
Os trabalhos arqueológicos mobilizaram pesquisadores, restauradores e estudantes de doutorado ao longo de duas temporadas de campo financiadas pelo governo ambiental galego, com apoio operacional de funcionários locais e de uma estatal espanhola. Os dados oficiais da operação na Ilha de Ons reúnem a estrutura territorial e institucional do projeto:
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- Localização geográfica: Castelo dos Mouros, situado na Ilha de Ons, pertencente ao município de Bueu, na província de Pontevedra, comunidade autônoma da Galícia, no noroeste da Espanha.
- Divulgação oficial dos resultados: 19 de outubro de 2026, após o encerramento da etapa de outono.
- Cronograma de 2026: primeira fase iniciada em maio (primavera europeia) e segunda fase retomada e concluída em outubro (outono europeu).
- Financiamento: Consellería de Medio Ambiente e Cambio Climático (secretaria regional de meio ambiente da Galícia), por meio do Parque Nacional Marítimo-Terrestre das Illas Atlánticas de Galicia.
- Coordenação e equipe técnica: direção científica do professor Adolfo Fernández, da Universidade de Vigo; direção da intervenção de Alba Rodríguez; participação dos arqueólogos Patricia Valle, Nerea Ruanova e Raúl Méndez, além dos estudantes de doutorado Sara Brao e Pablo Piedras.
- Apoio em campo: agentes e vigilantes da Ilha de Ons e profissionais da empresa pública Tragsa.
Ocupação de nove séculos no Castelo dos Mouros e pesquisas desde 2021
As campanhas sistemáticas de escavação conduzidas pelo GEAAT no Castelo dos Mouros começaram em 2021 e demonstram que o assentamento teve uma ocupação densa e contínua por aproximadamente nove séculos, o equivalente a cerca de 900 anos de história. Durante os primeiros anos de pesquisa, os vestígios coletados sustentavam a divisão territorial entre dois períodos distintos da Antiguidade.
O modelo anterior apontava que a população castreja da Idade do Ferro vivia concentrada exclusivamente dentro do perímetro protegido pela muralha defensiva. Já os assentamentos do período romano distribuíam-se pela parte baixa do terreno e pela encosta que desce até a praia de Canexol, área costeira onde os arqueólogos identificaram antigas fábricas romanas destinadas à salga de peixes para conservação e processamento de recursos marinhos.
Na primeira fase da campanha de 2026, iniciada em maio, a abertura de uma estância situada a leste da zona fortificada já havia confirmado que a ocupação romana se expandira para fora das defesas originais. A retomada das escavações no mesmo ponto em outubro, contudo, revelou o muro pré-romano sob o edifício mais recente, alterando a leitura histórica sobre o uso do espaço externo antes da chegada dos romanos.
Conservação no Castelo dos Mouros prepara o sítio para visitação
Paralelamente às descobertas subterrâneas, a etapa de outubro incluiu ações diretas de preservação das estruturas arquitetônicas sob a liderança da especialista Iria Veloso. O foco principal dessa frente foi a contenção de danos em paredes antigas expostas pelas escavações fora do recinto amuralhado.
Segundo a diretora Alba Rodríguez, o trabalho envolveu a estabilização de um dos muros escavados no exterior da muralha, que apresenta um delicado estado de conservação. A pesquisadora acrescentou que a medida tem como objetivo facilitar a continuidade das investigações arqueológicas e contribuir para o futuro processo de musealização e valorização do sítio arqueológico.
Como parte das ações de divulgação científica e preparo para o turismo cultural na região, a equipe do GEAAT também promoveu atividades de formação na própria Ilha de Ons durante a campanha, nas quais recebeu e instruiu 60 novos guias especializados que atuam no Parque Nacional Marítimo-Terrestre das Illas Atlánticas de Galicia.
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Apesar dos avanços registrados na campanha de 2026, os pesquisadores ainda não confirmaram a datação exata nem a função específica do muro castrejo recém-descoberto sob a construção romana, assim como sua relação arquitetônica com o restante do assentamento. Também permanece em aberto a utilidade exata da estrutura formada por lajes de pedra fincadas verticalmente dentro da maior cabana do terraço intermediário, respostas que dependem da realização de futuras campanhas de escavação no local.
