Fogo na Indonésia consome 1,9 milhão de hectares até setembro

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Incêndio Floresta - EB Adventure Photography - shutterstock.com Foto: Incêndio Floresta - EB Adventure Photography - shutterstock.com

Quase 2 milhões de hectares de vegetação queimaram nos incêndios na Indonésia entre janeiro e o fim de setembro de 2026, segundo análise de imagens de satélite divulgada na segunda-feira (19) pela plataforma de monitoramento florestal Nusantara Atlas. A destruição abrange 19,2 mil quilômetros quadrados, área que equivale a quase 12 vezes o tamanho da cidade de Londres e se concentra nas ilhas de Sumatra e Bornéu.

Diante do avanço do fogo e da fumaça que encobre a região, o governo em Jacarta recuou da posição inicial de que controlaria a emergência sozinho e anunciou no fim da segunda-feira (19) que aceitou ajuda internacional da Malásia e de Singapura. O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, ordenou uma mobilização de recursos humanos e aéreos para tentar frear as queimadas.

Nusantara Atlas aponta subnotificação na área queimada na Indonésia

Incêndio - Rawpixel.com/ shutterstock.com
Foto: Incêndio – Rawpixel.com/ shutterstock.com

O fundador da plataforma de monitoramento de desmatamento Nusantara Atlas, David Gaveau, explicou que o levantamento utiliza critérios rígidos e que a densa camada de fumaça sobre o arquipélago impediu os satélites de registrarem parte do terreno destruído. “Nossas estimativas de área queimada são conservadoras por duas razões. Primeiro, excluímos cicatrizes individuais de queimadas menores que 6,25 hectares. Segundo, priorizamos evitar falsas detecções”, afirmou Gaveau, em tradução livre. Para o pesquisador, “a área total queimada relatada, portanto, subestima a verdadeira área queimada”.

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Do lado governamental, o porta-voz do Ministério das Florestas da Indonésia, Ristianto Pribadi, declarou que a administração pública ainda calcula a extensão total atingida pelo fogo no país e que os dados divulgados pela plataforma independente não podem ser prontamente confirmados. O levantamento por satélite e os registros oficiais apresentam diferenças nos volumes medidos ao longo do ano:

  • 202.000 hectares: último dado oficial divulgado pelo governo indonésio, referente ao total queimado até o fim de julho de 2026;
  • 895.650 hectares: área acumulada destruída pelo fogo até agosto de 2026, segundo o mapeamento do Nusantara Atlas;
  • 1.916.588 hectares: extensão total queimada no país entre janeiro e o fim de setembro de 2026, após o volume mais que dobrar em um único mês;
  • 6,25 hectares: área mínima de cada cicatriz de incêndio exigida para entrar na contagem da plataforma de satélites.

Como a fumaça dos incêndios na Indonésia afeta voos e países vizinhos?

A queima contínua da vegetação formou uma névoa tóxica que atravessou as fronteiras indonésias e derrubou os índices de qualidade do ar na Malásia, em Singapura e no Timor-Leste, provocando o fechamento de escolas e o aumento nos atendimentos por problemas respiratórios. Na província de Bangka Belitung, situada na ilha de Sumatra e administrada regionalmente por chefes executivos locais como Riza Herdavid, chefe da regência de Bangka do Sul (divisão administrativa equivalente a um município), um incêndio em área de turfa impulsionado pelo vento atingiu um vilarejo em outubro, destruiu casas e forçou a retirada de centenas de moradores.

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Para combater as chamas que avançam sob baixa visibilidade, o ministro coordenador para Assuntos Políticos e de Segurança da Indonésia (cargo do gabinete que supervisiona pastas de defesa e ordem pública), Dudung Abdurachman, confirmou o reforço estrangeiro. “Já respondemos à proposta de ajuda, eles [a Malásia] vão auxiliar com três aeronaves e 52 profissionais”, declarou Abdurachman. O país também realiza operações de semeadura de nuvens em Sumatra e na porção indonésia da ilha de Bornéu, chamada de Kalimantan. “Estamos usando gelo seco para dispersar a fumaça e permitir que a luz solar ajude a desencadear a formação de nuvens de chuva antes de realizar operações de semeadura de nuvens com sal”, explicou o porta-voz presidencial da Indonésia, Prasetyo Hadi.

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A crise aérea e as operações de resposta acumularam marcas expressivas desde o agravamento da estiagem no país:

  • 2.604 voos domésticos: total de viagens aéreas afetadas pela baixa visibilidade na Indonésia desde 11 de agosto de 2026;
  • Mais de 1.400 voos: quantidade de decolagens domésticas que precisaram ser canceladas ou adiadas por causa da fumaça;
  • 107 voos de modificação climática: total de saídas aéreas realizadas apenas na província de Kalimantan Ocidental nas últimas quatro semanas para tentar provocar chuva artificial.

El Niño agrava seca na Indonésia e supera devastação de 2019

A maior parte da destruição registrada em 2026 ocorreu após o início do período seco, em junho, intensificado por um forte ciclo do fenômeno climático El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico e reduz as chuvas no Sudeste Asiático. O calor prolongado resseca as áreas de turfa, um tipo de solo pantanoso rico em matéria orgânica que se torna altamente inflamável quando perde umidade, somando-se ao uso tradicional do fogo para limpar terrenos destinados à agricultura e à produção de óleo de palma. O total queimado até setembro de 2026 é 38% maior do que o registrado no mesmo intervalo de 2019, quando o fogo consumiu 1,39 milhão de hectares até setembro e fechou o ano com 2,63 milhões de hectares destruídos.

David Gaveau avalia que a crise atual pode atingir proporções semelhantes às de 2015, ano de uma das maiores emergências ambientais do país, embora a comparação direta não seja possível porque os satélites usados na medição atual não operavam naquela época. “Minha intuição é que provavelmente é tão ruim quanto. Se você olhar para o número absoluto de focos de calor, ele continua subindo cada vez mais”, disse o fundador do Nusantara Atlas.

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Apesar da confirmação do acordo de cooperação com os dois países vizinhos, as autoridades indonésias ainda não divulgaram detalhes sobre quais equipamentos, aeronaves ou efetivos serão enviados por Singapura para atuar na linha de frente.

Nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, o painel de monitoramento em tempo real do Nusantara Atlas atingiu a marca acumulada de 1,15 milhão de focos de calor registrados no território indonésio desde o começo do ano.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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