Horário de verão 2026/2027 é descartado pelo governo após estudos do setor elétrico

Relógio conceito de horário de verão

Relógio conceito de horário de verão - Foto: RomoloTavani/istock

O Ministério de Minas e Energia (MME) confirmou que não retomará o horário de verão na temporada 2026/2027, preservando o fuso padrão em todas as regiões do país. A definição do governo federal afeta o planejamento de trabalhadores, empresas de logística, comércio, educação e o setor elétrico, que não precisarão adiantar os relógios em uma hora. O objetivo central é garantir estabilidade operacional e cortar gastos de adaptação, mantendo a previsibilidade no calendário anual de atividades.

  • Segmentos mais influenciados: varejo, transporte coletivo, instituições de ensino e geração de energia.
  • Finalidade da manutenção: preservar a regularidade das jornadas e evitar despesas extras de transição.
  • Vigência definida: todo o ciclo de 2026 e 2027 permanece sob o horário oficial padrão.

A escolha da pasta prioriza o planejamento logístico e a gestão de eficiência energética, embora mantenha discussões abertas sobre os efeitos da luminosidade natural nas diferentes regiões.

Estudos do ONS e mudança na matriz elétrica justificam a suspensão

A decisão do governo baseia-se em relatórios prospectivos elaborados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável por coordenar a geração e a transmissão de energia, e avaliados pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). As análises da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026 concluíram que a alteração nos ponteiros não é necessária para assegurar o abastecimento durante o período seco e de pico de carga.

A modernização da rede elétrica e a expansão de fontes renováveis, com destaque para a geração solar por painéis fotovoltaicos, diminuíram a eficácia de adiantar o relógio. Além do fator energético, a padronização do fuso evita desencontros operacionais em áreas de alta demanda no comércio e nos transportes.

Rotina de trabalhadores, escolas e varejo sem alteração nos relógios

Sem a mudança sazonal que vigorou de forma contínua entre 1985 e abril de 2019, os trabalhadores mantêm suas jornadas biológicas e profissionais inalteradas. As redes de ensino também conservam os cronogramas regulares de aulas, o que simplifica a organização das linhas de transporte escolar.

No setor varejista, por outro lado, o comércio precisa adequar o atendimento nos horários de maior movimento em localidades onde o escurecer ocorre mais cedo. Prestadoras de serviços igualmente revisam a distribuição de suas equipes para sustentar a produtividade sem elevar os custos operacionais com iluminação e segurança.

Relogio horario de verão – Foto: Muhammad Labib Adilah/istock

Economia de 0,5% na rede elétrica e demanda no horário de pico

Historicamente adotado entre outubro e fevereiro para aliviar a pressão sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN) na faixa das 18h às 21h, o adiantamento de uma hora deixou de entregar resultados expressivos. Na chamada rampa de carga do início da noite, a geração solar cai enquanto o consumo residencial sobe, mas o ONS

apontou que a medida não soluciona essa demanda de potência, pois o maior pico de uso migrou para o meio da tarde.

Saiba mais: Horário de verão em 2026 e 2027 é descartado pelo Ministério de Minas e Energia após análise do ONS

Levantamentos técnicos do setor mostram que o horário diferenciado gerava uma economia de apenas 0,5% no consumo nacional de eletricidade, percentual considerado baixo diante dos custos de implantação. O uso disseminado de lâmpadas de LED, sistemas de armazenamento e o acionamento coordenado de usinas hidrelétricas e termelétricas já garantem a estabilidade da rede, enquanto o governo amplia a fiscalização sobre metas de eficiência energética.

Operação do transporte público e estratégias de atendimento comercial

Para o comércio de rua e shoppings, que tradicionalmente estendiam o expediente para aproveitar a claridade no fim da tarde, a manutenção do horário padrão preserva a regularidade das operações diárias. Os lojistas, contudo, ajustam as estratégias de vendas para atrair o público antes do anoitecer.

Já as concessionárias de transporte público operam com tabelas fixas ao longo de todo o verão. A ausência da transição elimina a necessidade de reprogramar frotas, turnos de motoristas e janelas de integração em outubro e fevereiro.

Políticas de sustentabilidade e ajustes na rotina de empresas e consumidores

No planejamento de longo prazo, o Ministério de Minas e Energia mantém o foco em incentivos para tecnologias de baixo consumo e fontes limpas, dentro do monitoramento permanente do CMSE. Diretrizes voltadas à otimização de horários e sustentabilidade também seguem em estudo para as áreas de educação e mobilidade urbana.

Mesmo sem a obrigação de mexer nos ponteiros na temporada 2026/2027, a chegada dos meses mais quentes pede organização prática no dia a dia:

  • Trabalhadores: manter a regularidade nos horários de descanso para preservar o rendimento durante os dias de calor intenso.
  • Empresas: calibrar as escalas de trabalho e o atendimento ao público de acordo com o fluxo de clientes no fim da tarde.
  • Consumidores: programar compras e lazer ao ar livre levando em conta que o sol se põe no horário habitual da estação.
Luís Pereira: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.