Intérprete de Gregório em História de Amor, Sérgio Viotti manteve união de 47 anos com Dorival Carper

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Sérgio Viotti Foto: Sérgio Viotti - Foto reprodução

Quase cinco décadas de convivência marcaram a vida pessoal do ator paulistano Sérgio Viotti, intérprete do médico Gregório Furtado na novela História de Amor, da Globo. Aos 35 anos de idade, o artista iniciou um relacionamento afetivo com o ator e diretor de teatro Dorival Carper, com quem permaneceu junto por 47 anos, até falecer aos 82 anos, em julho de 2009. Conduzida com discrição e sem registro civil formal, a parceria do casal acompanhou uma carreira extensa nas artes cênicas, que incluiu trabalhos no rádio britânico, na montagem de espetáculos teatrais e na criação da TV Cultura.

Antes de ganhar projeção nacional nas telenovelas brasileiras, o artista nascido na cidade de São Paulo morou por quase dez anos em Londres, na Inglaterra. Na capital britânica, onde residiu de 1950 a 1959, ele integrou a equipe da emissora BBC, atuando simultaneamente nas funções de produtor, tradutor, crítico literário e intérprete de peças de rádio-teatro. Ao regressar ao território brasileiro, passou a dedicar suas atividades à direção, aos palcos e à teledramaturgia, integrando o elenco de produções como Sinhá Moça e Terra Nostra, além de participar diretamente do grupo que estruturou a emissora educativa paulista.

A convivência contínua com Dorival Carper consolidou uma base de estabilidade na rotina do artista ao longo das décadas. Mesmo sem buscar exposição na imprensa para tratar de sua vida privada e de sua orientação sexual, Sérgio Viotti nunca escondeu a relação com o companheiro e mantinha a rotina do casal com naturalidade perante os colegas de profissão. O vínculo afetivo de 47 anos só chegou ao fim com a morte do veterano, causada por um ataque cardíaco em 2009.

Passagem pela BBC em Londres e chegada à teledramaturgia nacional

O percurso profissional de Sérgio Viotti começou a ser desenhado após seu nascimento na capital paulista, em 14 de março de 1927, expandindo-se posteriormente para o exterior e para diferentes formatos de comunicação. Durante o período compreendido entre 1950 e 1959, sua rotina de trabalho na BBC de Londres exigiu o domínio da língua inglesa e o exercício constante da crítica literária, da tradução e da produção radiofônica. A vivência prática nas transmissões de rádio-teatro britânicas forneceu o preparo técnico que o artista utilizou ao desembarcar de volta no Brasil, em 1959, quando ingressou de vez nos circuitos nacionais de teatro e televisão.

Nas emissoras brasileiras, a escalação do ator tornou-se frequente para compor personagens densos em diferentes faixas de horário e épocas retratadas. Na trama original de História de Amor, levada ao ar entre 1995 e 1996 e posteriormente reapresentada na programação da Globo, ele deu vida ao médico Gregório Furtado, figura caracterizada pela postura ética diante dos dilemas familiares do enredo. O currículo televisivo do intérprete reúne ainda participações nas novelas Meu Bem, Meu Mal, lançada em 1990, Xica da Silva, exibida em 1996, e na minissérie JK, produzida em 2006.

A presença de Sérgio Viotti nos estúdios de gravação estendeu-se até os últimos anos de sua vida. A despedida definitiva das telenovelas ocorreu em 2007, quando integrou o elenco de Duas Caras. Paralelamente ao ofício de intérprete diante das câmeras, seu nome ficou registrado nos bastidores da comunicação pública brasileira por sua atuação como um dos fundadores da TV Cultura, canal inaugurado com foco na difusão de conteúdos educativos e culturais.

Quase meio século de convivência com o diretor Dorival Carper

O encontro entre Sérgio Viotti e Dorival Carper ocorreu em 1962, ano em que o ator paulistano completou 35 anos e passou a dividir a vida pessoal e os projetos de trabalho com o companheiro. Nascido em 1936 e falecido em 2018, Carper exercia as profissões de diretor teatral e ator, compartilhando com Viotti o cotidiano das coxias e das produções culturais. A relação iniciada na década de 1960 manteve-se ininterrupta por 47 anos, atravessando transformações históricas e costumes sociais até julho de 2009, mês em que Viotti sofreu o ataque cardíaco que encerrou sua vida aos 82 anos.

Durante todo o período em que estiveram juntos, o casal não contou com o amparo de um contrato civil de casamento, uma vez que a regulamentação legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo no país só entrou em vigor em 2013, quatro anos após a morte do ator. A ausência de documentação oficial não impediu a manutenção de uma rotina pautada pelo apoio recíproco em uma época de restrições à visibilidade de casais formados por pessoas do mesmo sexo. Ambos optaram por preservar a intimidade doméstica longe do sensacionalismo, mas sem negar a existência do vínculo afetivo nos ambientes sociais e profissionais que frequentavam.

Após o falecimento do parceiro em 2009, Dorival Carper viveu por mais nove anos, vindo a falecer em 2018. Ao longo de sua trajetória nos palcos, Carper assinou a direção e atuou em espetáculos voltados à valorização do repertório cultural brasileiro, dividindo diversas vezes as tarefas de produção com o próprio Viotti. O trabalho conjunto nos teatros somou-se à parceria doméstica, sustentando uma convivência que superou a marca de quatro décadas dentro do ambiente artístico.

Atuação em novelas históricas e fundação da TV Cultura em 1969

A formação adquirida por Sérgio Viotti na década de 1950, enquanto trabalhava no departamento radiofônico e literário da BBC na Inglaterra, serviu de alicerce para a variedade de funções que ele assumiu a partir de seu retorno definitivo ao país, em 1959. O contato direto com os padrões de produção de Londres permitiu que o profissional transitasse pela crítica especializada, pela tradução de textos e pela direção cênica em um momento de expansão das artes dramáticas no eixo paulista e fluminense.

A partir da década de 1960, o rosto do ator tornou-se constante nas transmissões televisivas, com destaque para obras de época que exigiam composição dramática rigorosa. Na primeira versão de Sinhá Moça, levada ao ar em 1986, ele desempenhou um papel voltado à carga emocional da trama histórica. Mais tarde, em 1999, integrou o elenco de Terra Nostra, produção ambientada no período da imigração italiana, mantendo o ritmo de gravações que sustentaria até sua última aparição em folhetins, registrada em Duas Caras, no ano de 2007.

Fora do trabalho de interpretação nas telenovelas, um dos capítulos centrais do currículo do artista concretizou-se em 1969, ano de lançamento da TV Cultura. Integrante do grupo fundador da emissora em São Paulo, Viotti colaborou diretamente na formulação de uma grade de programação voltada ao ensino, às artes e à formação de público. Essa combinação de tarefas executivas, direção teatral, locução radiofônica e atuação em estúdio consolidou sua presença em diferentes frentes da produção audiovisual e cênica.

Datas e fatos que compõem o percurso biográfico do artista

Os 82 anos de vida de Sérgio Viotti reúnem registros no exterior, criações institucionais na televisão paulista e dezenas de personagens interpretados nos palcos e nos estúdios. Os eventos cronológicos e as particularidades técnicas de sua carreira demonstram como o ator dividiu o tempo entre a produção intelectual e a rotina de gravações.

  • 14 de março de 1927: data de nascimento de Sérgio Viotti na cidade de São Paulo.
  • 1950 a 1959: período de residência em Londres, com atuação profissional na emissora britânica BBC como tradutor, produtor, crítico literário e ator de rádio-teatro.
  • 1959: ano do retorno ao território brasileiro e do início das atividades contínuas no teatro e na televisão nacional.
  • 1962: começo do relacionamento afetivo e da parceria artística com o ator e diretor Dorival Carper, aos 35 anos de idade.
  • 1969: participação na fundação da TV Cultura, estruturando projetos de programação educativa para o público de diferentes faixas etárias.
  • 1986: atuação no elenco da novela histórica Sinhá Moça.
  • 1990: participação na novela Meu Bem, Meu Mal.
  • 1995 a 1996: exibição original da novela História de Amor, na qual interpretou o médico Gregório Furtado.
  • 1996: trabalho de atuação na novela Xica da Silva.
  • 1999: presença no elenco da produção de época Terra Nostra.
  • 2006: participação na minissérie biográfica JK.
  • 2007: gravação de Duas Caras, seu último trabalho na teledramaturgia antes de falecer.
  • Julho de 2009: falecimento aos 82 anos de idade, em decorrência de um ataque cardíaco, encerrando a união de 47 anos com Dorival Carper, que faleceu posteriormente em 2018.

Reexibição de obras na TV e presença no catálogo do Globoplay

A volta da novela História de Amor à grade de programação da Globo colocou novamente em evidência o trabalho de composição realizado por Sérgio Viotti na década de 1990. Na trama escrita com foco em relações familiares e conflitos cotidianos em ambiente urbano, o personagem Gregório Furtado exerce a medicina pautado por princípios de integridade profissional e compaixão humana. A reapresentação dos capítulos gravados entre 1995 e 1996 permite ao público acompanhar a técnica interpretativa do ator paulistano em um de seus papéis de maior visibilidade.

Além das transmissões na televisão aberta, o acervo de teledramaturgia que conta com a participação do artista permanece acessível sob demanda na plataforma de streaming Globoplay. Títulos históricos do catálogo, a exemplo de Sinhá Moça e Terra Nostra, preservam as cenas gravadas por Viotti ao longo das décadas de 1980 e 1990, apresentando a novas audiências o trânsito do intérprete entre personagens de época e figuras do cotidiano urbano.

No âmbito do teatro, a memória produtiva do artista permanece vinculada às montagens que dirigiu e encenou com foco em temáticas culturais e sociais do país. Grande parte desse repertório de palco foi desenvolvida em conjunto com o diretor Dorival Carper, com quem Viotti dividiu os projetos artísticos e a vida doméstica desde 1962 até sua morte, em julho de 2009.

Manuela é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2015

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