Missão Artemis II tem eficácia do escudo térmico da Orion confirmada pela NASA após reentrada a Mach 39

Astronautas Artemis II - @nasa

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A Agência Espacial Norte-Americana (NASA) confirmou na quinta-feira (15) que o escudo térmico da espaçonave Orion funcionou dentro dos parâmetros planejados durante a reentrada atmosférica da missão tripulada Artemis II. As análises de engenharia realizadas nos Estados Unidos atestaram que a estrutura protegeu os sistemas da nave e manteve a cabine interna na faixa de 70 °F (aproximadamente 23 °C), enquanto o exterior enfrentava temperaturas superiores a 4.000 °F (cerca de 2.204 °C).

No retorno à Terra, registrado em 10 de abril de 2026, a cápsula atingiu velocidade máxima equivalente a 39 vezes a velocidade do som (Mach 39). “A espaçonave reentrou com precisão, entrando a apenas 192 pés do ponto de interface de entrada planejado, e amerissou com sucesso a apenas 0,59 milha do local de pouso previsto na costa de San Diego”, informou a NASA, em tradução livre, em comunicado oficial redigido pela porta-voz Erika Peters. Em medidas métricas, a margem na entrada atmosférica foi de cerca de 58 metros, e o pouso no Oceano Pacífico ocorreu a aproximadamente 950 metros do alvo.

Mudança na rota da Artemis II reduziu desgaste do Avcoat em dez vezes

O desempenho registrado na viagem de abril é resultado direto de alterações operacionais adotadas pela agência após o voo não tripulado Artemis I, realizado no final de 2022. Naquela ocasião, os gases gerados no interior do Avcoat — material ablativo projetado para dissipar calor por meio de desgaste controlado — não escaparam de maneira adequada devido à baixa permeabilidade de alguns blocos. O acúmulo de pressão interna fez com que pedaços carbonizados rachassem e se soltassem em 103 pontos diferentes da estrutura.

Como o escudo térmico da cápsula da Artemis II, batizada de Integrity pela tripulação, já estava fabricado e instalado quando a investigação do voo anterior terminou, os engenheiros descartaram a substituição da peça para evitar atrasos de anos no cronograma. A solução desenvolvida a partir de testes com jato de arco no Centro de Pesquisa Ames, na Califórnia, consistiu em modificar a trajetória de retorno, encurtando a distância máxima de alcance até o ponto de descida no Oceano Pacífico. Essa nova rota diminuiu o tempo de exposição da nave à faixa de temperatura crítica que provocava o acúmulo de gases, reduzindo em cerca de dez vezes a ocorrência de falhas: foram contabilizados apenas 9 pontos de perda de material carbonizado na Artemis II, ante os 103 do teste de 2022.

A missão de abril durou quase dez dias e marcou o primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos, levando a cápsula a uma distância máxima de 252.756 milhas da Terra. Estavam a bordo da Integrity o comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e a especialista de missão Christina Koch, todos da NASA, além do especialista de missão Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA).

Inspeções do escudo térmico da Orion passaram pela Flórida e pelo Alabama

A verificação física do sistema de proteção começou imediatamente após o pouso no mar, com avaliações preliminares conduzidas por mergulhadores da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) e pela equipe embarcada no navio de recuperação USS John P. Murtha. Na sequência, o módulo foi transferido para o Centro Espacial Kennedy, na Flórida, onde os técnicos examinaram o comportamento da estrutura nas junções entre os 186 blocos de formato único que compõem o escudo e nas áreas ao redor dos parafusos de fixação.

Concluída a etapa na Flórida, o equipamento seguiu para o Centro de Voos Espaciais Marshall, localizado em Huntsville, no Alabama. Os engenheiros desse centro conduzem uma bateria de análises estruturais e comparativas para medir a quantidade exata de material consumido pelo atrito atmosférico e validar os modelos matemáticos de previsão da agência.

O cronograma de lançamentos, resgate e inspeções técnicas do programa cumpriu as seguintes datas e etapas operacionais:

  • 1º de abril de 2026: lançamento da missão Artemis II a bordo do foguete Space Launch System (SLS) no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
  • 10 de abril de 2026, às 20h07 (horário da Costa Leste dos EUA): reentrada atmosférica e amerissagem da cápsula Orion no Oceano Pacífico, na costa de San Diego, na Califórnia.
  • Início de julho de 2026: acoplamento do novo escudo térmico atualizado ao módulo de tripulação da futura missão Artemis III.
  • Final de julho de 2026: integração física entre os módulos de tripulação e de serviço da Artemis III nas instalações da Flórida.
  • 1º de agosto de 2026: início da extração de pequenas amostras de Avcoat, exames internos de raios X e comparação de escaneamentos a laser pré e pós-voo do escudo da Artemis II no Centro Marshall, no Alabama.
  • 15 de outubro de 2026: divulgação do relatório de engenharia da NASA confirmando a eficácia da proteção térmica no retorno da tripulação.

Preparação da Artemis III inclui novo escudo e testes em órbita baixa em 2027

Enquanto a equipe no Alabama continua retirando amostras do equipamento usado em abril para analisar as propriedades físicas do material remanescente, a agência avança na montagem da espaçonave destinada à missão Artemis III, programada para 2027. Para esse próximo voo, o projeto de fabricação dos blocos de Avcoat foi atualizado de forma definitiva, garantindo permeabilidade uniforme em toda a superfície para permitir a saída de gases sem risco de rachaduras.

Pela reformulação da arquitetura do programa espacial definida pela NASA em 2026, a Artemis III deixou de ser a missão de descida lunar e passou a operar como um voo de demonstração na órbita baixa da Terra (LEO, na sigla em inglês). A operação vai testar sistemas de suporte e procedimentos de acoplamento da Orion com versões de teste dos módulos de pouso comerciais Starship, da empresa SpaceX, e Blue Moon, da Blue Origin. A tripulação designada para a viagem de 2027 é formada pelo comandante Randy Bresnik, da NASA, pelo piloto Luca Parmitano, da Agência Espacial Europeia (ESA), e pelos especialistas de missão Andre Douglas e Frank Rubio, ambos da NASA. O pouso de astronautas na superfície da Lua ficou transferido para a missão Artemis IV, prevista para 2028.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração