Radar do Mercado: Raízen (RAIZ4), Americanas (AMER3) e Casas Bahia (BHIA3) no radar desta terça-feira (20)

Gráficos financeiro, ações - Arsenii Palivoda/shutterstock.com

Gráficos financeiro, ações - Arsenii Palivoda/shutterstock.com

O juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, decretou na segunda-feira (19) o encerramento da recuperação judicial da Americanas (AMER3) e das demais empresas do grupo. A decisão compõe os comunicados que repercutem no pregão da B3, a bolsa de valores brasileira, nesta terça-feira (20), ao lado da conversão do registro da Raízen Energia na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, e da assembleia de acionistas do Grupo Casas Bahia (BHIA3).

Para encerrar o processo da Americanas, cujo pedido havia sido feito pela varejista em março de 2026 após pareceres favoráveis da Administração Judicial e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o magistrado reconheceu o cumprimento das obrigações vencidas nos dois anos seguintes à homologação do plano. A sentença rejeitou objeções de detentores de títulos no exterior, conhecidos como bondholders, e determinou a retirada da expressão “em recuperação judicial” dos registros oficiais, embora ainda caiba recurso. “Qualquer credor que se repute prejudicado por descumprimento de obrigação do plano poderá requerer a execução específica ou a falência”, afirmou o juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira.

Fim da recuperação judicial da Americanas e histórico do processo

Em fato relevante, a Americanas S.A. declarou que “o encerramento da recuperação judicial representa um marco importante na trajetória da companhia e inaugura uma nova etapa de seus negócios”. O presidente-executivo (CEO) da varejista, Fernando Dias Soares, explicou o efeito prático da saída do regime judicial na relação com o mercado. “Muitos fornecedores têm restrições em investimento em companhias em recuperação judicial. A gente não podia aumentar limite de crédito, por exemplo. Tinha sempre um teto de crescimento que agora deixa de ter”, disse o executivo. A diretoria da empresa conta também com Sebastien Durchon no cargo de diretor financeiro (CFO) e de Relações com Investidores.

A crise na companhia teve início em 19 de janeiro de 2023, quando a empresa entrou em recuperação judicial após a revelação de fraudes e inconsistências contábeis no valor de R$ 20 bilhões e uma dívida aproximada informada à época de R$ 43 bilhões. O plano de reestruturação foi aprovado em dezembro de 2023 por 91% dos credores e homologado pela Justiça em 26 de fevereiro de 2024. No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou crescimento de 9,3% nas vendas nas mesmas lojas (indicador chamado no varejo de Same Store Sales, que compara unidades abertas há pelo menos um ano) e acumulou R$ 500 milhões em ganhos de eficiência operacional.

Foto: Americanas – thiago bacelar/Shutterstock.com

Raízen Energia obtém registro na CVM e Casas Bahia aprova capital

No setor de energia, a CVM aprovou o pedido de conversão do registro de emissor de valores mobiliários da Raízen Energia, controlada pela Raízen S.A. (RAIZ4), da categoria B para a categoria A, nos termos da Resolução CVM nº 80. O fato relevante divulgado em 19 de outubro de 2026 informa que a mudança integra o Plano de Recuperação Extrajudicial e a reestruturação societária do grupo, autorizando a subsidiária a realizar ofertas públicas de ações e outros títulos no mercado. Na mesma data, as ações da controladora Raízen fecharam cotadas a R$ 0,39.

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Já os acionistas do Grupo Casas Bahia aprovaram, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada na segunda-feira (19), a ratificação do pedido de recuperação judicial ajuizado pela companhia e por determinadas subsidiárias em 16 de agosto de 2026 perante o Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, com um montante de dívidas de R$ 17,3 bilhões. O juízo responsável ainda não se manifestou sobre o deferimento do processamento da recuperação judicial da varejista, mas permanecem em vigor os efeitos da tutela de urgência concedida em 28 de agosto de 2026.

Na mesma assembleia, os acionistas da Casas Bahia alteraram o estatuto social para refletir um aumento do capital social para R$ 7.138.908.767,07, dividido em 1.013.760.396 ações ordinárias, oriundo da conversão de debêntures (títulos de dívida corporativa) da 2ª série da 11ª emissão. O colegiado elegeu ainda Charles Dimetrius Popoff como membro efetivo e João Luís Gagliardi Palermo como suplente do Conselho Fiscal. A rede varejista não registra lucro anual desde 2020 e acumulou uma sequência de resultados negativos nos balanços seguintes:

  • 2020: lucro anual de R$ 1 bilhão;
  • 2021: prejuízo de R$ 297 milhões;
  • 2022: prejuízo de R$ 342 milhões;
  • 2023: prejuízo de R$ 2,6 bilhões;
  • 2024: prejuízo de R$ 1 bilhão;
  • 2025: prejuízo de R$ 3 bilhões;
  • Primeiro semestre de 2026: prejuízo acumulado de R$ 11 bilhões.

Contrato da Ânima com Hospital Albert Einstein e análise sobre escala 6×1

No segmento de educação e saúde, a Ânima Educação (ANIM3) anunciou na segunda-feira (19) que sua subsidiária Inspirali Educação S.A. assinou contrato com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein para consultoria técnica, científica, pedagógica e consultiva, além do uso associado da marca Einstein nos cursos de graduação em Medicina da Inspirali. As instituições de ensino superior da subsidiária permanecem como únicas responsáveis pela oferta dos cursos, gestão acadêmica, exigências regulatórias e emissão de diplomas. “A atuação do Einstein tem natureza consultiva, não lhe sendo atribuídos poderes decisórios sobre matérias acadêmicas ou institucionais”, informou a Ânima Educação em fato relevante.

Ainda na área de saúde, um relatório do Banco Safra avaliou os efeitos da aprovação em dois turnos pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1. O texto prevê a redução da jornada semanal máxima de 44 para 42 horas a partir de meados de dezembro de 2026 e para 40 horas 12 meses depois, com dois dias de descanso semanal sem corte salarial. De acordo com o banco, das seis empresas acompanhadas no setor, a Hapvida (HAPV3) figura como a mais exposta ao aumento de custos, enquanto a Rede D’Or (RDOR3) é mantida como a principal escolha da instituição financeira.

Os termos financeiros do contrato da Inspirali e as projeções do Banco Safra sobre o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, que mede a geração operacional de caixa) de 2025 das companhias de saúde estabelecem os seguintes patamares:

  • Remuneração fixa ao Hospital Albert Einstein: R$ 150 milhões no total, divididos em duas parcelas de R$ 75 milhões (a primeira paga na assinatura e a segunda após um ano, corrigida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA);
  • Remuneração variável ao Einstein: comissão de 6% sobre a receita líquida de novos alunos de Medicina que ingressarem após a assinatura do acordo;
  • Prazo do contrato da Inspirali: 20 anos de vigência inicial, renovável automaticamente por mais 20 anos;
  • Impacto bruto da PEC da escala 6×1 na saúde: entre 0,5% e 4,6% sobre o Ebitda de 2025 das seis empresas analisadas pelo Banco Safra;
  • Impacto líquido da PEC da escala 6×1: entre 0,1% e 1,1% sobre o Ebitda de 2025, caso as operadoras consigam repassar 75% do custo adicional aos preços.

Azul e controladora da Gol reduzem ritmo de oferta diante do combustível

No setor de aviação civil, executivos da Azul (AZUL3) e do Grupo Abra, holding controladora da Gol (GOLL54) e da Avianca, detalharam suas projeções durante a conferência da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA), na Cidade do México. O diretor financeiro da Azul, Antonio Carlos Garcia, declarou que a empresa projeta uma retomada mais lenta do que o previsto anteriormente, podendo atrasar em um ano ou mais, por causa do custo do combustível de aviação. “Vemos uma recuperação em um estágio mais tardio do que antes”, disse Garcia.

A Azul concluiu a saída de seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11) em fevereiro de 2026 e cortou sua capacidade em mais de 10% no segundo trimestre de 2026 na comparação anual. Segundo o executivo, a companhia conseguiu repassar entre 60% e 65% da alta do querosene de aviação para as tarifas dos passageiros e estima encerrar o ano de 2026 com uma redução de 5% na capacidade ante o ano anterior.

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Na mesma linha, o diretor financeiro do Grupo Abra, Manuel Irarrázaval, afirmou na segunda-feira (19) que a holding optou por crescer via parcerias estratégicas, a exemplo do acordo firmado com a companhia aérea chilena Sky Airline, evitando disputas por oferta de assentos. “Poderíamos ter decidido colocar 50 aviões no mercado (e inundá-lo). Não fazia sentido”, declarou Irarrázaval. O executivo completou que, “com o aumento do preço dos combustíveis… e com o aumento das taxas de juros, é preciso escala”.

Beatriz: Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.