Três especialistas norte-americanas em saúde mental detalharam protocolos clínicos para o controle da ansiedade em viagens e da aerofobia, o medo extremo de voar. As orientações reúnem técnicas de terapia de exposição, reestruturação cognitiva e exercícios de ancoragem, direcionadas a um quadro que atinge estimados 25 milhões de adultos apenas nos Estados Unidos, segundo a instituição médica Cleveland Clinic.
O levantamento clínico foi elaborado pela psicóloga clínica Holly Batchelder, pela psicoterapeuta e conselheira executiva Daryl Appleton e pela assistente social clínica licenciada Angelia Kerling, com divulgação no Brasil em 21 de outubro de 2026. A preparação começa antes do embarque. “Preparar-se mentalmente, visualizando viagens tranquilas, reservando momentos de descanso para evitar a sobrecarga de estímulos e adotando a perspectiva de que imprevistos fazem parte da aventura pode reduzir significativamente a ansiedade”, afirmou a psicoterapeuta.
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Terapia de exposição e controle da aerofobia para quem tem medo de voar
O medo de voar está clinicamente associado à percepção de perda de controle dentro da aeronave. Para tratar a condição, a psicóloga clínica Holly Batchelder, doutora (PhD) que atua nas cidades de Seattle e Bellevue, no estado de Washington, indica a terapia de exposição gradual — método psicológico em que o paciente entra em contato progressivo com a situação que gera pavor até que o cérebro se acostume ao estímulo sem disparar reações de alarme. O processo deve ser iniciado longe da pista de pouso, assistindo a vídeos de aviões em decolagem, fazendo visitas a aeroportos sem a obrigação de embarcar e, posteriormente, comprando passagens para trajetos aéreos mais curtos.
“A terapia de exposição é uma das formas mais eficazes de lidar com esse medo, pois ajuda a enfrentá-lo gradualmente, em vez de evitá-lo”, disse Batchelder. Durante a permanência no avião, a especialista aponta o uso da reestruturação cognitiva (técnica voltada a identificar e corrigir pensamentos negativos automáticos) aliada à respiração profunda para manter a atenção do passageiro no momento presente, bloqueando a projeção de cenários de acidentes.
A psicoterapeuta Daryl Appleton, que possui doutorado em Educação (Ed.D.) e atua como sócia-gerente da consultoria Carciofo Partners, acrescenta a aplicação de exercícios de ancoragem física no assento. Entre as práticas estão o relaxamento muscular progressivo, o manuseio de bolas antiestresse e a repetição de afirmações como “Confio que tudo vai dar certo”.
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Nos quadros em que o passageiro necessita de alívio de curto prazo para conseguir embarcar, a assistente social clínica licenciada Angelia Kerling orienta buscar atendimento em um consultório médico de atenção primária antes da data do voo. O profissional de saúde é o responsável por avaliar o histórico do paciente e verificar se existe indicação clínica para a prescrição pontual de fármacos voltados ao controle da ansiedade em viagens. “Além disso, leve algo que mantenha sua mente ocupada e ajude a desviar a atenção da ansiedade, como um livro de colorir, um romance, um filme ou um jogo”, declarou Kerling.
Dados da Cleveland Clinic sobre aerofobia e perfil clínico das especialistas
Os métodos comportamentais respondem a uma demanda mapeada por centros de saúde nos Estados Unidos. De acordo com dados clínicos históricos da Cleveland Clinic, a aerofobia (também denominada aviofobia) raramente tem origem em uma experiência traumática direta vivida dentro de uma aeronave. O transtorno é desencadeado com maior frequência pelo acompanhamento de noticiários sobre acidentes aéreos, pelo desconforto físico em turbulências e decolagens, por quadros prévios de claustrofobia ou pelo receio de sofrer uma crise aguda de ansiedade a bordo sem possibilidade de saída imediata.
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- 25 milhões de adultos: estimativa total de pessoas afetadas pela aerofobia nos Estados Unidos, segundo levantamento da Cleveland Clinic.
- 17 a 34 anos: faixa etária de maior incidência do medo extremo de voar, período associado pela instituição médica a grandes transições de vida.
- Medicamentos avaliados em consulta médica para uso pontual: propranolol (betabloqueador usado para sintomas físicos como taquicardia), benzodiazepínicos (calmantes de ação rápida) e anti-histamínicos como a hidroxizina.
- Abordagens utilizadas por Holly Batchelder nos Estados Unidos: Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e Terapia de Exposição e Prevenção de Resposta (ERP), aplicadas no estado de Washington e em estados conveniados ao sistema interestadual PsyPact.
- Credenciais de Daryl Appleton: licença em aconselhamento de saúde mental (LMHC) no estado de Rhode Island e atuação como consultora comportamental de executivos das 500 maiores empresas norte-americanas (lista Fortune 500).
Holly Batchelder e Daryl Appleton indicam passeios guiados contra a ansiedade social em viagens
Fora dos aeroportos, o receio de conhecer destinos e experiências novas decorre da intolerância ao desconhecido. A recomendação clínica de Batchelder para esses viajantes é iniciar o roteiro por locais mais familiares ou realizar uma pesquisa prévia detalhada sobre a região visitada para diminuir a margem de incerteza. Já Angelia Kerling propõe uma análise de custos e benefícios fundamentada nos valores pessoais do indivíduo, avaliando o ganho de explorar diferentes partes do mundo frente ao desconforto temporário da ansiedade.
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Para viajantes diagnosticados com ansiedade social, o deslocamento para ambientes desconhecidos pode levar ao comportamento de segurança do isolamento, o que reforça o quadro clínico. A orientação da terapia de exposição consiste em estabelecer metas graduais de contato humano, começando por fazer uma pergunta simples a um desconhecido na rua ou no hotel. “Recomendo aos meus clientes que enfrentam essa dificuldade optar por ambientes mais estruturados, como passeios guiados, que podem reduzir as expectativas sociais”, afirmou Appleton. Para apoiar essas interações, Kerling indica manter no aplicativo de notas do celular uma lista pronta de assuntos cotidianos para iniciar conversas.
Daryl Appleton e Angelia Kerling indicam planos de rota e kit com antiácidos contra imprevistos
Outro gatilho recorrente em deslocamentos é o pavor de perder ônibus, trens ou conexões aéreas, reação ligada à distorção cognitiva denominada catastrofização — quando o indivíduo assume que um contratempo logístico arruinará toda a viagem. A orientação psicológica de Daryl Appleton é substituir o pensamento de ruína total pela premissa de que existem rotas e horários alternativos disponíveis no transporte público ou nas companhias aéreas. Batchelder complementa a estratégia com medidas práticas de organização: programação de múltiplos alarmes, reserva de margem extra de tempo antes dos embarques e monitoramento do trajeto por aplicativos de viagem em tempo real.
Na parte fisiológica, a ansiedade alimentar em viagens atinge pessoas com receio de passar mal ao consumir pratos fora de casa ou em outros países. O treinamento comportamental indicado por Batchelder começa antes da partida, provando ingredientes novos na própria residência ou de fontes já conhecidas, para só depois avançar para culinárias estrangeiras em porções reduzidas e leves. Appleton orienta o viajante a pesquisar os cardápios dos restaurantes e mapear a localização de serviços de saúde no destino antes mesmo de sair de casa, além de transportar lanches de segurança na bagagem de mão.
Quando o viajante identifica que determinado prato causa desconforto gástrico, a recomendação de Angelia Kerling é recusar a comida diante da insistência de terceiros usando frases curtas, como “isso não me faz bem”, sem necessidade de justificativas longas, mantendo ainda um kit pessoal com antiácidos, cápsulas de gengibre e comprimidos contra enjoo. “Em última análise, aprender a tolerar a incerteza é uma das ferramentas mais poderosas para superar a ansiedade em viagens”, declarou Holly Batchelder.
