A divisão IndraMind Cybersecurity, do Indra Group, lançou em 21 de outubro de 2026 um estudo no Brasil mostrando que fraudes corporativas e ciberataques na indústria são frequentemente contabilizados como simples perdas operacionais. De acordo com dados da Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), entidade internacional dedicada à prevenção de ilícitos financeiros, as empresas perdem em média 5% de sua receita anual com desvios internos, o equivalente a R$ 1 a cada R$ 20 faturados.
Esses esquemas levam cerca de 12 meses para serem descobertos porque os prejuízos entram nos relatórios gerenciais como refugo, retrabalho, paradas não programadas ou diferenças de estoque. “A questão não é apenas quanto a empresa perde, mas quanto das perdas na produção, na logística e no financeiro tem por trás uma fraude ou um ataque que ainda não foi identificado como tal”, afirmou Afonso Coelho, diretor da IndraMind Cybersecurity no Brasil.
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Aumento de 500% no roubo de senhas facilita invasões na indústria
Em vez de forçar a invasão de sistemas, criminosos têm comprado credenciais prontas para agir como funcionários ou parceiros legítimos dentro das redes corporativas. O relatório Global Threat Landscape, da empresa de segurança cibernética Fortinet, aponta que a oferta de logins e senhas roubados em fóruns clandestinos cresceu 42% em um ano, enquanto os registros de programas maliciosos criados para capturar essas chaves subiram 500%, somando 1,7 bilhão de credenciais compartilhadas. Com um acesso válido de rede privada virtual (VPN) ou de manutenção remota, o invasor consegue alterar dados bancários de fornecedores na véspera do pagamento, dividir pedidos de compra em partes menores para driblar aprovações ou ajustar registros de produção para esconder o desvio de insumos.
Quando essas manipulações ocorrem sem detecção, a diretoria tende a investir na correção da linha de montagem em vez de reforçar os controles de segurança. Segundo os especialistas do estudo, centros de monitoramento técnico tradicionais acompanham alertas de tecnologia da informação, mas não identificam desvios sozinhos se não cruzarem os dados digitais com os setores de compras, finanças, produção e logística, além de monitorarem o uso de ferramentas de inteligência artificial que imitam voz e imagem de executivos.
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Manufatura concentra casos de sequestro de dados e 1.585 ataques semanais
O chão de fábrica tornou-se o alvo principal porque a interrupção de uma linha produtiva causa prejuízo imediato e pressiona a empresa a pagar resgates rapidamente. Segundo a empresa de segurança ESET, a manufatura liderou as vítimas confirmadas de ransomware, modalidade de sequestro de dados, no Brasil em 2025, após já ter ocupado o primeiro lugar global em 2024 com 17% do total de casos, conforme a Fortinet. O estudo Manufacturing Threat Landscape, da Check Point, mostra que as indústrias sofrem em média 1.585 ataques por semana, um aumento de 30% em um ano, impulsionado pela conexão à internet de máquinas projetadas para durar até 20 anos sem proteção equivalente.
Além do bloqueio de máquinas, estima-se que mais de 85% dos ataques de sequestro de dados utilizem a dupla extorsão, na qual os invasores copiam projetos de engenharia, fórmulas, custos e contratos antes de travar a rede e ameaçam divulgar o material. A exposição atinge também a cadeia física de distribuição: segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), presidida por Eduardo Rebuzzi, o Brasil registrou 8.750 ocorrências de roubo de cargas em 2025, queda de 16,7% ante 2024, gerando prejuízo direto de R$ 900 milhões e superando R$ 1 bilhão com efeitos indiretos, em ações que muitas vezes começam com o vazamento de rotas e logins de transportadoras.
Mais de 753 bilhões de tentativas de ataque no Brasil e diagnóstico industrial
Os números de 2025 e 2026 consolidam uma escalada nas ofensivas automatizadas contra empresas instaladas no país e no exterior. O levantamento reúne os principais indicadores de risco levantados pelas instituições de segurança:
- 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos registradas pela Fortinet no Brasil em 2025 (quase 1,4 milhão por minuto), mais que o dobro das 356 bilhões de 2024;
- 535% de aumento na distribuição de programas maliciosos no país, totalizando 187,5 milhões de ações;
- 36 mil varreduras automatizadas por segundo feitas por criminosos em busca de sistemas vulneráveis, alta de 16,7%;
- US$ 3,4 bilhões em perdas documentadas pelo relatório da ACFE de 2026 em 2.402 casos reais de fraude analisados em 143 países, com perda mediana de US$ 104 mil por caso;
- 86,8% dos roubos de carga do Brasil concentrados na região Sudeste em 2025, com liderança de Rio de Janeiro e São Paulo sobre alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos.
“O criminoso não separa a fábrica do sistema de gestão, nem a cadeia de fornecedores da marca. Ele enxerga a operação inteira”, declarou Coelho, que possui cerca de 30 anos de experiência no setor e assumiu a divisão brasileira em maio de 2026, reportando-se ao diretor-executivo do Indra Group no Brasil, Guilherme Solleiro.
O endereço direto para baixar o e-book da IndraMind Cybersecurity não foi divulgado no comunicado distribuído pela empresa nesta quarta-feira (21). Para medir a exposição das fábricas sem interromper a linha de montagem, a publicação propõe a aplicação de um diagnóstico executivo com duração de 4 a 6 semanas.
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