João Vitor Andrade Lima, de 23 anos, confessou à Polícia Civil de Bauru ter assassinado sozinho a motorista de aplicativo Pâmela Letícia Nolastro Cunha, de 29 anos. A confirmação da autoria foi divulgada na quinta-feira (15), após investigadores confrontarem o indiciado com imagens de câmeras de segurança e registros de localização que derrubaram o seu álibi inicial.
Conhecido no bairro Jardim Redentor como Gordão RD, o investigado está preso e havia negado a autoria no primeiro depoimento. Segundo a 3.ª Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Bauru, coordenada pelo delegado titular Cledson Nascimento, ele alegava ter apenas solicitado a viagem em sua conta na plataforma Uber para um desconhecido.
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Vídeos no Jardim Redentor e confissão de João Vitor Andrade Lima
Policiais civis percorreram a Avenida Rafael Pereira Martini, no Jardim Redentor, em Bauru, onde recolheram gravações de câmeras de monitoramento do ponto de partida da corrida. As imagens mostram o próprio João Vitor Andrade Lima atravessando a via e embarcando sem acompanhantes no banco traseiro do veículo da motorista. Além dos vídeos que descartaram a presença de uma terceira pessoa, o cruzamento de dados da viagem confirmou que o destino final cadastrado coincidia com o ponto onde a vítima foi encontrada morta.
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“Da mesma forma, o trajeto da viagem apontava como destino final justamente as coordenadas onde, infelizmente, o corpo da vítima foi localizado. Diante desse cenário, o investigado foi novamente conduzido à delegacia e, diante da apresentação dessas evidências em interrogatório complementar, acabou admitindo ter sido ele o autor do crime, agindo sozinho e justificando a ação após a reação da vítima ao anúncio de assalto”, afirmou o delegado Cledson Nascimento.
O inquérito apura o caso como latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Em interrogatório, o indiciado declarou que pretendia roubar o automóvel por encomenda de traficantes, para que o bem servisse como moeda de troca na compra e no transporte de drogas no Paraguai.
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Locais, distâncias e valores na investigação sobre Pâmela Cunha
- Veículo visado: Fiat Mobi branco, ano modelo 2021, usado por Pâmela Cunha para trabalhar na região.
- Pagamento prometido: R$ 2 mil pela entrega do carro roubado aos compradores.
- Distância entre os municípios: cerca de 13 quilômetros separam Piratininga, onde a vítima morava, e Bauru.
- Deslocamento após o crime: aproximadamente 30 quilômetros entre a área rural onde o corpo foi deixado e a rua onde o carro foi abandonado.
Últimas mensagens de Pâmela Cunha no Museu do Café em 2026
Moradora de Piratininga, Pâmela Letícia Nolastro Cunha deixou pais, irmãos e uma filha. Antes de desaparecer em 7 de outubro de 2026, ela enviou mensagens de texto e compartilhou a localização em tempo real em um grupo de WhatsApp com colegas de profissão. A motorista escreveu a frase “Tô aqui com o cara” e relatou que aguardava perto do Museu do Café, em Piratininga, porque o passageiro dizia ter problemas para pagar a corrida. Os alertas enviados ajudaram a família e os policiais a rastrearem o veículo com manchas de sangue em Bauru e a localizarem o corpo em uma plantação de eucaliptos próxima ao museu.
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“Ela disse que estava há dez minutos esperando o rapaz fazer o pagamento, porque ele disse que não estava conseguindo abrir o aplicativo do banco”, contou Stefania Nolastro, irmã da vítima.
A prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), manifestou pesar pela morte da trabalhadora. “Era uma jovem trabalhadora, com tantos sonhos ainda por realizar, que teve sua vida interrompida de forma tão cruel e covarde”, declarou. Em nota oficial, a Uber lamentou o crime, informou que desativou a conta do usuário para colaborar com as autoridades e comunicou que a seguradora responsável pelas viagens entraria em contato para prestar apoio à família.
Datas da investigação sobre a morte de Pâmela Cunha
- 7 de outubro de 2026 — Pâmela Cunha desaparece após enviar mensagens e localização a colegas às 14h30 perto do Museu do Café, em Piratininga.
- 8 de outubro de 2026 — Família registra boletim de ocorrência pela manhã; o carro é achado no Jardim Redentor, em Bauru, e o corpo é localizado às 14h na área rural de Piratininga com marcas de faca.
- 9 de outubro de 2026 — A Polícia Civil prende João Vitor Andrade Lima em uma residência no Jardim Redentor, em Bauru.
- 13 de outubro de 2026 — Investigadores obtêm vídeos na Avenida Rafael Pereira Martini que provam o embarque solitário do suspeito.
- 15 de outubro de 2026 — A Polícia Civil divulga a confissão do investigado após novo interrogatório na delegacia.
Perícia em faca e dados da Uber pendentes no inquérito de Bauru
O investigado afirmou em depoimento que escolheu a motorista de maneira aleatória ao pedir a viagem. Essa declaração ainda aguarda confirmação técnica por meio dos registros oficiais da plataforma Uber, cujo envio já foi autorizado pelo juiz da comarca de Piratininga. O inquérito também depende do resultado do exame de DNA em uma arma branca recolhida perto de onde a vítima estava.
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“Localizamos também, próximo do local do crime, jogada no mato atrás de uma placa, uma faca que pode ter sido utilizada no crime. Houve acionamento da perícia pela Delegacia de Piratininga para apreensão e extração de material genético para confronto com amostras da vítima e do investigado, já colhidas no dia da prisão”, disse o delegado Cledson Nascimento.
