O trabalhador da construção civil Edimar Rocha Martins, de 49 anos, adotou uma gata chamada Jéssica em Imperatriz, no Maranhão, e estreou como influenciador digital nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026. Após percorrer mais de 2 mil quilômetros (cerca de 2.100 km) até Belo Horizonte, em Minas Gerais, atrás de uma mulher gerada por inteligência artificial, ele estrelou uma campanha publicitária da Petlove e já acumula mais de 6 mil seguidores nas redes sociais.
Na gravação para a empresa do setor de produtos e serviços para animais de estimação, o maranhense relembrou a viagem frustrada à capital mineira ao lado da felina que conheceu na residência da irmã, onde mora atualmente. “Eu fui atrás de uma gata e acabei achando”, disse Edimar Rocha Martins no vídeo. “Quem ama cuida, né? E eu tenho muito amor pra dar”, afirmou na mesma peça publicitária.
Números de Edimar Rocha Martins e da campanha da Petlove
A repercussão nacional do episódio atraiu marcas interessadas na história do trabalhador, que passou a receber convites para parcerias comerciais na internet. O registro audiovisual divulgado pela Petlove alcançou rápido engajamento nas plataformas digitais logo no primeiro dia de exibição.
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- Visualizações do vídeo publicitário em menos de 24 horas: mais de 15 mil.
- Compartilhamentos da gravação em menos de 24 horas: quase 7 mil.
- Seguidores acumulados no perfil de Edimar Rocha Martins: mais de 6 mil.
- Alcance da personagem fictícia Jéssica Fazendeira no TikTok: mais de 300 mil seguidores.
Viagem de Edimar Rocha Martins a Belo Horizonte e retorno de 50 horas
A jornada que mudou a rotina do profissional começou quando ele decidiu cruzar o país acreditando manter um relacionamento amoroso pela internet com uma mulher chamada Jéssica Oliveira, conhecida nas redes sociais como Jéssica Fazendeira. Ao desembarcar na capital mineira no domingo, 11 de outubro de 2026, sem ter um endereço específico e com as economias gastas no trajeto, ele caminhou pelas ruas mostrando fotografias da suposta namorada aos moradores locais e buscou auxílio em uma emissora de rádio, até descobrir que a pretendente não existia no mundo físico e não passava de uma criação digital.
“Eu já andei com várias fotos, mostrando e perguntando se alguém conhecia essa pessoa e todos falaram que não. Então, eu me senti enganado”, declarou o pedreiro à imprensa sobre a tentativa de localizar a mulher em Minas Gerais.
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Em relatos prestados à assistência social do município mineiro, o trabalhador explicou que a solidão enfrentada após a morte da mãe pesou na decisão de usar o dinheiro guardado para realizar a viagem. Sem recursos financeiros para voltar para casa, ele recebeu acolhimento da Prefeitura de Belo Horizonte
, que forneceu alimentação, banho e orientações sobre os riscos de golpes virtuais.Na terça-feira (13), o trabalhador embarcou em um ônibus com uma passagem cedida pelo Serviço de Atendimento e Acolhimento ao Migrante da administração municipal mineira com destino ao estado do Tocantins. Durante o percurso de retorno, que durou mais de 50 horas no total, ele passou mal em território tocantinense e precisou de atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), serviço público de saúde voltado a emergências de média complexidade. Após a liberação médica, seguiu viagem utilizando uma balsa pelo Rio Tocantins até chegar de volta a Imperatriz na quinta-feira (15).
Perfis de Jéssica Fazendeira e posição da Polícia Civil de Minas Gerais
A página que motivou o deslocamento de Edimar Rocha Martins publicava vídeos com aparência e voz realistas voltados sobretudo ao público masculino. Nas gravações, a personagem aparecia em propriedades rurais, afirmava procurar um companheiro para viver no campo e prometia sustentar o futuro parceiro em uma fazenda.
“Eu quero te bancar. Quero que você pare de trabalhar pra ficar só tranquilo”, dizia a personagem gerada por inteligência artificial em um dos vídeos publicados nas redes sociais.
O pedreiro relata que mantinha conversas em particular com o perfil e acreditava na veracidade do romance. O administrador da página, por outro lado, negou ter trocado mensagens diretas com o maranhense, declarou que desenvolveu a figura virtual apenas para atrair seguidores e divulgar produtos vendidos pela internet, e apagou todos os vídeos após a repercussão do caso.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que não localizou nenhum registro de boletim de ocorrência referente ao episódio na capital mineira. A corporação esclareceu que a criação de personagens por meio de ferramentas de inteligência artificial não constitui crime por si só na legislação brasileira, podendo configurar os delitos de estelionato ou fraude eletrônica somente nos casos em que ficar comprovada a obtenção de vantagem ilícita ou prejuízo alheio mediante fraude. “Dessa forma, não é possível afirmar, neste momento, que tenha ocorrido crime, tampouco apontar eventuais responsáveis”, declarou a instituição policial em nota oficial.
