Os Exércitos do Brasil e da Argentina mobilizaram cerca de 2,8 mil militares e mais de 600 viaturas blindadas e operacionais no Exercício Combinado Arandu 2026, realizado no Campo de Instrução Barão de São Borja, em Rosário do Sul (RS). A operação terrestre e aérea, que encerrou sua fase principal de adestramento em campo na última sexta-feira (16), empregou mísseis táticos, veículos blindados e aeronaves de transporte de ambos os países.
Do efetivo total deslocado para o território gaúcho, aproximadamente 2,4 mil militares pertencem ao Exército Brasileiro e 400 integraram a comitiva enviada pelo Exército Argentino. Além das manobras concentradas em Rosário do Sul, o treinamento conjunto registrou atividades nos municípios de Santa Maria e Faxinal do Soturno. “A integração com o Exército Argentino já é de muito tempo. Ultimamente, temos procurado melhorar essa integração. Foi muito interessante porque algumas experimentações estão sendo feitas nesse exercício. Inclusive, fazendo com que o exercício combinado ocorra em vários escalões da força, e isso é muito bom, porque além da cooperação mútua e da integração, nos aproxima ainda mais, e isso é fundamental para ambos os países”, afirmou o General de Exército e Comandante de Operações Terrestres do Exército Brasileiro, Kleber Nunes de Vasconcellos.
Mísseis de 300 km e blindados do Exército Brasileiro na Arandu 2026
As forças brasileiras acionaram armamentos de artilharia de longo alcance, veículos de cavalaria mecanizada e blindados sobre lagartas para compor o poder de fogo e o deslocamento de tropas no terreno. O detalhamento técnico dos equipamentos empregados na operação em solo gaúcho demonstra a capacidade de engajamento direto e de transporte logístico das unidades mobilizadas pelo Brasil durante as manobras conjuntas.
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- Sistema de Mísseis e Foguetes Astros: operou com o Míssil Tático de Cruzeiro (AV-TM 300 / MTC-300), armamento com alcance de 300 quilômetros, ogiva com carga de 200 kg e sistema de navegação inercial (INS, que calcula a posição por sensores internos de movimento) combinado com GPS.
- Viatura Blindada de Combate de Cavalaria (VBC Cav) Centauro II BR: veículo sobre rodas com tração 8×8, equipado com motor turbodiesel de 720 cavalos, velocidade máxima de até 105 km/h, autonomia de 800 km e canhão de 120 mm de alma lisa integrado à torre HITFACT MkII.
- Viatura Blindada Guarani: veículo de transporte de pessoal sobre rodas com tração 6×6, utilizado pela infantaria mecanizada para o deslocamento de efetivos e apoio de fogo.
- Carro de Combate Leopard 1A5 BR: blindado sobre lagartas que compõe a base das unidades de cavalaria blindada brasileira para manobras terrestres de impacto.
- Aeronave KC-390 Millennium: avião multimissão da Força Aérea Brasileira (FAB) com capacidade de 26 toneladas de carga, configurado para transporte de tropas, reabastecimento em voo, incursões aeromóveis e lançamento de paraquedistas.
As especificações técnicas detalhadas do míssil AV-TM 300 (alcance de 300 km e ogiva de 200 kg) e do blindado Centauro II BR (motor de 720 cavalos, velocidade de 105 km/h e canhão de 120 mm) no contexto específico desta operação constam apenas na ficha técnica divulgada sobre o armamento.
Equipamentos do Exército Argentino e estrutura de guerra simulada no RS
A tropa argentina enviada ao Rio Grande do Sul operou sob o comando do General de Brigada e Comandante da Força de Desdobramento Rápido do Exército da Argentina, Ricardo Fresta. Nas ações da brigada combinada, o país vizinho empregou o Carro de Combate TAM 2C-A2 (Tanque Argentino Mediano), principal blindado sobre lagartas da força terrestre argentina, que passou por modernização recente com novos sensores e sistemas de controle de tiro. Para a mobilidade de infantaria sobre rodas, os argentinos utilizaram a Viatura Blindada Stryker 8×8, enquanto a Força Aérea Argentina atuou na infiltração aeromóvel e no lançamento de paraquedistas e precursores (militares especializados que saltam antes da tropa principal para preparar o terreno) com a aeronave turboélice de transporte tático leve CASA C-212.
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A arquitetura tática montada no Campo de Instrução Barão de São Borja reuniu uma brigada combinada de tropas blindadas e mecanizadas, um Batalhão de Aviação Combinado e forças-tarefas conjuntas divididas nas frentes paraquedista, aeromóvel e de Operações Especiais. Tropas de Engenharia dos dois países também executaram a transposição de cursos d’água com o uso de portadas, que são balsas militares montadas para a travessia de blindados e viaturas pesadas. Para testar a reação dos efetivos em combate, militares da 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada do Exército Brasileiro atuaram como força oponente, simulando o inimigo com o emprego de Dispositivos de Simulação e Engajamento Tático baseados em feixes de laser e sensores instalados nos equipamentos.
Ciclo de três anos do Exercício Combinado Arandu até 2026
Ao longo das atividades de campo encerradas em 16 de outubro de 2026, os militares dos dois países compartilharam procedimentos operacionais e doutrinários para ampliar a capacidade de atuação coordenada. “É uma honra podermos estar aqui convivendo, integrando conhecimentos, fortalecendo nossos laços de amizade. Mais do que a parte operacional, a parte anímica é muito forte nesse exercício. São dois exércitos que há muito tempo estão juntos, têm os mesmos valores, tradições muito parecidas. Sempre compartilhando doutrina, conhecimento. Interoperabilidade, essa é a palavra”, declarou o General de Exército e Comandante Militar do Sul, Luís Cláudio de Mattos Basto.
O Exercício Combinado Arandu é planejado pelas forças armadas dos dois países em ciclos de três anos, sendo que a edição anterior havia terminado em 2023. O ciclo atual teve início em 2024, durante a XVI Conferência Bilateral dos Estados-Maiores Argentina–Brasil, passou por uma etapa de exercício de simulação em 2025 e foi concluído com a operação prática das tropas no Rio Grande do Sul em outubro de 2026.
