O youtuber, influenciador digital e humorista Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, de 28 anos, está com o título de eleitor cancelado desde 2025. A irregularidade cadastral impede o criador de conteúdo de votar no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A situação veio a público na terça-feira, 20 de outubro de 2026, após um internauta expor o registro na rede social X (antigo Twitter). A consulta pública ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), feita a partir do nome completo e da data de nascimento do influenciador, confirma que o cancelamento ocorreu porque ele não compareceu às urnas, não justificou a ausência e não pagou as multas referentes a três turnos eleitorais consecutivos, já que a Justiça Eleitoral contabiliza cada turno como uma eleição independente. Felca e sua assessoria de imprensa não se pronunciaram publicamente até o momento sobre o documento.
Prazos do TSE para Felca e restrições do título cancelado
Mesmo que buscasse quitar os débitos agora, o influenciador não conseguiria participar da votação presidencial, pois a legislação exige a regularização meses antes do pleito e impõe uma série de bloqueios civis ao cidadão em débito com a Justiça Eleitoral, incluindo o impedimento de tirar ou renovar passaporte, obter certidão de quitação eleitoral, tomar posse em concurso ou cargo público, renovar matrícula em instituição de ensino fiscalizada pelo governo e receber salário de empresas mantidas ou subvencionadas pelo poder público.
- 25 de julho de 1998: data de nascimento de Felipe Bressanim Pereira usada na consulta pública do TSE.
- 6 de maio de 2026: prazo final do fechamento do cadastro eleitoral em que Felca precisaria ter regularizado a situação para votar em 2026.
- 25 de outubro de 2026: data do segundo turno da eleição presidencial, no qual o influenciador está impedido de votar.
- 2 de novembro de 2026: data até a qual o serviço de regularização de títulos cancelados permanece suspenso, podendo ser feito após esse dia pelo autoatendimento do TSE.
Retorno de Felca ao YouTube com relato sobre fobia social e bullying
O debate sobre a situação eleitoral de Felca começou logo após o seu retorno ao YouTube à meia-noite de terça-feira (20), data que coincidiu com o Dia Mundial de Combate ao Bullying. No vídeo de 1 hora, 3 minutos e 23 segundos, o influenciador relatou ter sofrido bullying e agressões físicas na escola em Londrina (PR) dos 12 aos 18 anos, incluindo um episódio em que cinco colegas o espancaram no banheiro. “Dos 14 aos 18 eu sobrevivi. Eu me mantive vivo e isso foi tudo. Quando pensava no colégio, era tanto medo, tanto medo, que se tornava muito sedutor só encontrar meios para acabar. Acaba tudo, acabar o sofrimento de uma vez por todas. Esse é o relato de quem sofreu bullying. Só mais um”, declarou.
Ele também revelou o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social (fobia social) e a dependência de álcool para encarar interações sociais. Felca contou que registrou taquicardia de 138 batimentos por minuto em gravações externas e quebrou costelas ao cair após beber para criar coragem de gravar na rua. “Quando eu terminei o colégio, eu tinha apanhado tanto por tanto tempo, foram 8 anos, sofrido tanto, que eu disse para meus pais: ‘Eu vou fazer vídeo, que seja, mas eu não vou conseguir enfrentar uma faculdade, eu não consigo enfrentar mais uma sala de aula”, afirmou no registro, no qual anunciou a intenção de ministrar palestras gratuitas sobre bullying em escolas e lançou o projeto #simfel, um desafio de 90 dias (três meses) para enfrentar situações sociais sem álcool.
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Expectativa política sobre Felca e a origem da Lei Felca
A cobrança por um posicionamento eleitoral ocorreu porque, no domingo (18), o criador de conteúdo havia publicado uma mensagem enigmática anunciando a volta para a meia-noite de terça-feira (20). O aviso gerou expectativa em parte dos internautas e apoiadores do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o youtuber faria críticas ao adversário, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), a cinco dias da votação.
Diante da ausência de tema político no vídeo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) manifestou-se nas redes sociais: “O vídeo do Felca não tem nada a ver com o Flávio, nem com o Bolsonaro, nem nada”. Já o humorista Antônio Tabet ironizou o conteúdo publicado pelo influenciador: “Agora, também estou com fobia social do Felca”.
A associação do nome de Felca ao debate público nacional teve início em agosto de 2025, quando ele publicou o vídeo “Adultização”, que ultrapassou 50 milhões de visualizações ao denunciar a exploração e exposição de crianças e adolescentes na internet, citando casos como o do influenciador Hytalo Santos. A repercussão levou à aprovação pelo Congresso Nacional e à sanção pelo presidente Lula do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), lei que regula a proteção de menores na rede e ficou conhecida como “Lei Felca”. Em março de 2026, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ele já havia relatado ter ficado dois dias sem dormir por causa da ansiedade social antes de interromper as aparições públicas. “Depois que eu postei a adultização, e aconteceu tudo o que aconteceu, eu me fechei. Eu fiquei meses sem sair de casa. Eu senti todo o medo que eu achei que eu tinha enfrentado. Eu percebi que a fobia social ainda está toda aqui”, disse Felca no vídeo de terça-feira (20).
