Franquias somam R$ 149 bilhões no 1º semestre e gestão vira foco

As redes de franquias no Brasil movimentaram R$ 149 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo a Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF), entidade que representa o setor no país. O resultado divulgado até 21 de outubro de 2026 representa um crescimento de 9,7% na comparação com o mesmo período de 2025, mesmo sob um ambiente econômico de juros elevados e maior restrição ao crédito.

O avanço no volume de receitas ocorre ao mesmo tempo em que o mercado cobra estruturação interna das unidades para evitar o fechamento de lojas. Para Henrique Carbonell, diretor-executivo (CEO) e cofundador da F360, plataforma de gestão financeira para franquias e varejo, a padronização e a previsibilidade do caixa sustentam a operação. “Em uma rede de franquias, enxergar os próprios números não é apenas uma questão de controle. É uma condição para tomar melhores decisões e crescer com mais segurança”, afirmou o executivo.

Desempenho das franquias por trimestre e setores em 2026

O levantamento da ABF mostra que a expansão do primeiro semestre resultou da soma de dois períodos consecutivos de alta. No primeiro trimestre de 2026, o setor faturou R$ 72,7 bilhões, avanço de 10,1% sobre igual intervalo do ano anterior. Já no segundo trimestre de 2026, a receita alcançou R$ 76,3 bilhões, o que representa um crescimento nominal de 9,3%. O país encerrou o período com 207 mil operações em funcionamento e cerca de 1,8 milhão de empregos diretos gerados.

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Três áreas lideraram o avanço percentual das receitas durante o segundo trimestre de 2026:

  • Limpeza e Conservação: crescimento de 17,6% no período;
  • Saúde, Beleza e Bem-Estar: alta de 15,2% no faturamento;
  • Serviços de Alimentação e Foodservice (setor de refeições fora do lar): elevação de 13,7%, movimentando R$ 12 bilhões no trimestre.

Falta de planejamento no Sebrae e padronização na F360

O aumento no faturamento bruto não impede o encerramento de unidades que operam sem controle de margem. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indicam que quase metade das micro e pequenas empresas que fecham as portas no Brasil aponta a falta de planejamento financeiro e o descontrole de caixa entre os principais motivos para o fim das atividades. Na avaliação de Henrique Carbonell, muitos operadores ainda tratam a área financeira apenas como uma obrigação de fim de mês, quando o acompanhamento diário de recebíveis, contas a pagar, despesas e margens por produto e por unidade é o que permite identificar gargalos e desperdícios antes que comprometam o negócio.

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Para evitar que falhas se repitam em dezenas de lojas sem o conhecimento da franqueadora, a recomendação técnica é unificar a forma como cada unidade registra e reporta suas contas. A padronização dos processos de conciliação, contas a pagar e fechamento cria uma base única para comparar desempenhos e fazer benchmark — avaliação comparativa de resultados entre lojas da mesma rede para identificar e replicar boas práticas. Além disso, projetar entradas e saídas com antecedência dá poder de negociação às empresas junto a bancos e fornecedores, pois antecipa sinais de aperto financeiro semanas ou meses antes de o problema se instalar.

A adoção de softwares, contudo, exige organização prévia das equipes. “Trocar a planilha por um sistema sem revisar os processos é como pisar fundo no acelerador com o motor desregulado. Primeiro é preciso definir a rotina, os responsáveis e os indicadores. Depois, automatizar o que faz sentido”, disse Carbonell. Segundo ele, quando franqueado e franqueador analisam os mesmos dados confiáveis, a conversa deixa de ser uma cobrança de mão única e passa a orientar onde cada operação precisa agir.

Recuperômetro aponta R$ 3,9 milhões em divergências de cartões

A falta de conferência automatizada nos meios de pagamento gera perdas diretas no caixa das lojas. Um levantamento feito pelo Recuperômetro, ferramenta da F360 que audita repasses de vendas com cartão, identificou R$ 3,9 milhões em divergências absolutas de repasses em redes de franquias ao longo de três meses de 2026. Desse total, cerca de R$ 1,5 milhão era passível de recuperação. No acumulado de 2026, os clientes da plataforma somaram R$ 4,43 milhões recuperados a partir de erros em taxas e repasses.

A pulverização das operações dificulta a checagem manual pelos proprietários das lojas. “Diversas redes têm centenas de franqueados espalhados pelo país, cada um lidando com suas próprias maquininhas e adquirentes. Sem uma ferramenta de conciliação automatizada, é praticamente impossível para o franqueado conferir venda a venda e identificar essas divergências, que impactam diretamente o fluxo de caixa da unidade”, declarou o CEO da F360.

Faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões da ABF em 2025

O resultado do primeiro semestre de 2026 dá sequência ao ciclo de alta registrado no ano anterior. De acordo com o Balanço do Franchising divulgado pela ABF, o setor atingiu em 2025 o faturamento anual recorde de R$ 301,7 bilhões, ultrapassando pela primeira vez a marca de R$ 300 bilhões, com alta nominal de 10,5% em relação a 2024. Naquele ano, o país contabilizou 202.444 operações ligadas a 3.297 redes e 1,762 milhão de trabalhadores diretos, uma média de nove postos de trabalho por unidade.

Na esteira da demanda por controle operacional, a própria F360 encerrou 2025 com receita de R$ 36,9 milhões, expansão de 32% no ano, atendendo a mais de 15 mil clientes ativos. Para o fechamento de 2026, a empresa projetou alcançar um faturamento de R$ 46 milhões. “Em um mercado que continua crescendo, a diferença não estará apenas em quem consegue abrir mais unidades ou faturar mais. Estará também em quem consegue enxergar o próprio caixa com clareza suficiente para saber quando acelerar, quando corrigir a rota e quando esperar”, afirmou Carbonell.

Luís Pereira: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.