Power Minerals encontra alto teor de terras raras em Minas Gerais

Escavadeira, Mineração a céu aberto

Escavadeira, Mineração a céu aberto - Parilov/shutterstock.com

Uma amostra de 1,2 metro perfurada pela mineradora australiana Power Minerals no projeto Morro do Ferro, em Poços de Caldas (MG), registrou concentração de 40,5% de óxidos totais de terras raras (TREO, na sigla em inglês para a soma desses compostos químicos). O índice, divulgado em comunicado oficial à Bolsa de Valores da Austrália (ASX) na segunda-feira (19) e repercutido no Brasil nesta quarta-feira (21), representa o maior teor individual já medido no depósito do Sul de Minas Gerais.

Além do recorde de óxidos totais obtido a 42 metros de profundidade no furo de sondagem MFSR-057, a mesma fração de rocha apontou 7,73% de óxidos de terras raras magnéticas (MREO), subgrupo de maior valor comercial. O diretor-presidente (CEO) da Power Minerals, Alistair Stephens, afirmou em comunicado que os dados colocam a reserva entre as principais do setor. “Estas são interseções de terras raras de classe mundial, combinando ampla mineralização desde a superfície com teores excepcionalmente altos. O resultado de destaque de 1,2 metro com 40,5% de TREO e 7,73% de óxidos de terras raras magnéticas está inserido em um intervalo de alto teor muito mais amplo, de 51 metros com 15,4% de TREO e 2,43% de óxidos de terras raras magnéticas”, disse, em tradução livre.

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Perfurações no Morro do Ferro mostram mineralização contínua

Os relatórios técnicos mostram que os minerais ocorrem de maneira contínua desde a superfície no furo MFSR-057, sem interrupções estéreis relevantes ao longo de 111 metros de escavação, onde a concentração média ficou em 8,25% de TREO e 1,28% de MREO. Dentro desse corredor principal, a equipe geológica destacou cinco amostras individuais que superaram a marca de 20% de concentração total, além de subdivisões específicas que mantêm médias elevadas mesmo quando submetidas a critérios estatísticos de redução de picos extremos.

Foto: Mineração – Foto: Parilov/ Shutterstock.com

Em outra frente de trabalho batizada de furo MFSR-056, aberta a 57 metros a noroeste da área inicial, as máquinas confirmaram a presença ininterrupta dos elementos desde o solo até pelo menos 119 metros de profundidade. Na campanha recente pelo Sul de Minas, a empresa – que tem Mena Habib como diretor-gerente (Managing Director) – já completou 18 perfurações, somando mais de 3 mil metros escavados. Os principais índices medidos nas duas frentes de sondagem do Morro do Ferro dividem-se nas seguintes faixas de profundidade e concentração:

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  • Furo MFSR-057 (intervalo geral de 111 metros a partir da superfície): teor médio de 8,25% de TREO e 1,28% de MREO;
  • Furo MFSR-057 (subintervalo de 51 metros, iniciado aos 24 metros de profundidade): teor médio de 15,42% de TREO e 2,43% de MREO;
  • Furo MFSR-057 (seção interna de 15 metros, iniciada aos 42 metros de profundidade): teor médio de 20,42% de TREO e 3,0% de MREO;
  • Cálculo ajustado do trecho de 51 metros (aplicando redutor estatístico, chamado de top-cut, de 15% sobre a amostra recorde): média ponderada passa de 15,4% para 14,8% de TREO;
  • Furo MFSR-056 (perfuração de 119 metros a partir da superfície): teor médio contínuo de 4,94% de TREO.

Para o diretor de Novos Negócios da Power Minerals, Luiz Curado, o avanço das brocas para faixas mais fundas altera o patamar produtivo da reserva mineira. “A gente tem resultados excelentes, muito acima dos esperados. Essa nova perspectiva que se apresenta com os resultados de sondagem eleva a perspectiva de produção de terras raras, eleva o teor e também eleva o volume, porque não só são teores acima do esperado, mas também no intervalo de 120 metros de profundidade”, afirmou.

Curado explicou que as campanhas antigas feitas na propriedade não alcançavam a extensão vertical comprovada agora. “As sondagens anteriores chegavam até 70, 80 metros nos teores mais profundos, então, isso é muito animador porque a gente tem tanto maior teor quanto maior volume e isso, por consequência, gera o maior potencial de produção de terras-raras no projeto”, declarou o diretor.

Aplicação industrial das terras raras no mercado de tecnologia

O grupo das terras raras reúne 17 elementos químicos classificados internacionalmente como minerais críticos e estratégicos para a transição energética e a indústria de alta tecnologia. No subsolo de Poços de Caldas, as análises laboratoriais confirmaram a presença de quatro elementos magnéticos principais: neodímio, praseodímio, térbio e disprósio. Esses insumos têm alto valor no comércio global porque servem de matéria-prima direta para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, componentes indispensáveis na montagem de motores de veículos elétricos, geradores de turbinas eólicas, aparelhos celulares e equipamentos de defesa.

Compra de R$ 80 milhões e histórico do projeto em Poços de Caldas

Negociada na bolsa australiana sob o código ASX: PNN, a Power Minerals assumiu o controle da área em 27 de abril de 2026, quando concluiu a compra da empresa Mineração Terras Raras S.A. (MTR), antiga detentora do projeto Morro do Ferro, por cerca de R$ 80 milhões. A propriedade abrange 300,72 hectares situados a aproximadamente 13 quilômetros a sudeste da zona urbana de Poços de Caldas, dentro da formação geológica conhecida como Complexo Alcalino de Poços de Caldas, onde os elementos concentram-se sobretudo nos minerais bastnasita e cerianita.

O terreno opera sob a titularidade jurídica de Manifesto de Mina, um regime previsto na legislação brasileira que assegura à companhia a propriedade direta sobre os direitos de lavra, sem prazo de expiração para explorar a reserva. Antes da divulgação do pico de 40,5%, a mineradora já havia estabelecido, em 21 de setembro de 2026, um Alvo de Exploração (Exploration Target, estimativa preliminar do potencial da reserva) calculado entre 9,2 milhões e 10,7 milhões de toneladas de minério, com teores previstos na faixa de 7,8% a 9,2% de TREO, com base em um banco de dados de 169 furos históricos e recentes que somam 7.162,2 metros.

Próximas análises laboratoriais e estimativa no padrão JORC

Ainda não há uma data única confirmada para a publicação da primeira estimativa oficial de recursos minerais do projeto, documento técnico elaborado segundo o código internacional JORC (padrão australiano usado pelo mercado financeiro para certificar reservas minerais). As perfurações continuam em andamento no Morro do Ferro, e a Power Minerals aguarda a conclusão das análises laboratoriais do restante das amostras coletadas em Poços de Caldas para consolidar o relatório.

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Janderson Luiz: Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol