Frutas reduzem risco de depressão e ansiedade em adolescentes

Ansiedade, depressão

Ansiedade, depressão - Ake Ngiamsanguan/ Istockphoto.com

Um estudo longitudinal da Universidade de Sydney sobre depressão e ansiedade em adolescentes apontou que o consumo diário de frutas reduz a probabilidade de surgimento desses transtornos, enquanto a ingestão frequente de bebidas açucaradas eleva o risco. Publicada no domingo, 18 de outubro de 2026, na revista científica Child and Adolescent Mental Health, a investigação constatou que cada porção diária extra de fruta está associada a uma queda no risco de sintomas depressivos e ansiosos ao longo do ensino médio.

A pesquisa teve divulgação oficial pela instituição australiana na segunda-feira (19) e analisou o impacto da rotina alimentar antes do aparecimento de quadros emocionais graves. Autora principal do levantamento e pesquisadora de pós-doutorado no Matilda Centre for Research in Mental Health and Substance Use (centro de pesquisa em saúde mental e uso de substâncias da Universidade de Sydney), Lily Davidson explicou a escolha da faixa etária observada. “O ensino médio é um momento em que os jovens começam a ganhar muito mais independência sobre o que comem e bebem, ao mesmo tempo em que muitos problemas de saúde mental começam a surgir”, afirmou, em tradução livre.

Percentuais de redução para depressão e ansiedade na Universidade de Sydney

Foto: Frutas, legumes, geladeira – Anna Om/Shutterstock.com

Os dados estatísticos coletados pelos cientistas demonstram variações diretas nos indicadores de bem-estar emocional conforme o tipo de alimento ingerido diariamente pelos jovens avaliados. Enquanto a adição de qualquer variedade de fruta na rotina diária funcionou como fator de proteção nos modelos matemáticos da pesquisa, outros grupos vegetais não registraram o mesmo comportamento estatístico durante o período de observação.

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  • Redução no risco de sintomas elevados de depressão por porção diária adicional de fruta: 13% (risco relativo ajustado de 0,87).
  • Redução no risco de sintomas elevados de ansiedade por porção diária adicional de fruta: 7% (risco relativo ajustado de 0,93).
  • Consumo médio de frutas registrado entre os participantes no período: variação de 2 a 2,5 porções por dia.
  • Ingestão de verduras e legumes: não apresentou associação estatisticamente significativa com o surgimento dos sintomas avaliados.

Na direção oposta, o consumo mais elevado de bebidas açucaradas foi associado a uma probabilidade maior de desenvolver sinais elevados de ambos os transtornos mentais. O levantamento incluiu nessa categoria os refrigerantes, as bebidas esportivas e os refrescos de xarope, conhecidos na Austrália como cordials (bebidas doces concentradas diluídas em água). A correlação negativa apareceu tanto em meninas quanto em meninos, mas registrou estimativas e associação mais fortes entre os estudantes do sexo masculino, especialmente para os quadros de ansiedade.

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Como o estudo Health4Life avaliou a depressão e a ansiedade nos jovens?

Grande parte das pesquisas científicas anteriores sobre dieta e saúde mental na juventude avaliava os voluntários em apenas um único momento no tempo, modelo conhecido na ciência como estudo transversal, o que impedia os médicos de saber se a má alimentação antecedia os transtornos ou se adolescentes já entristecidos passavam a comer de maneira diferente. Para superar essa limitação metodológica e garantir que a análise da comida ocorresse antes dos problemas emocionais, a equipe utilizou a base de dados do projeto Health4Life e excluiu da amostra inicial todos os estudantes que já atingiam o limite indicativo de depressão ou ansiedade no primeiro questionário, cruzando as respostas seguintes com ajustes precisos para nível de atividade física, idade, sexo e condição socioeconômica de cada participante.

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O artigo científico foi intitulado “Longitudinal associations between dietary intake and common mental disorders among adolescents in Australia” (Associações longitudinais entre ingestão alimentar e transtornos mentais comuns entre adolescentes na Austrália, em tradução livre). O trabalho contou com a coautoria de Bridie Osman, pesquisadora, e de Deborah N. Ashtree, pesquisadora do Food & Mood Centre (Centro de Alimentação e Humor) da Deakin University.

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Lily Davidson detalhou a importância desse recorte temporal adotado pelo grupo. “Uma das grandes questões em nosso campo é se a má nutrição vem antes dos problemas de saúde mental, ou se os jovens que enfrentam problemas de saúde mental simplesmente se alimentam de forma diferente. Ao começar com adolescentes que ainda não apresentavam sintomas elevados e acompanhá-los durante o ensino médio, pudemos observar se a ingestão alimentar deles estava associada ao surgimento posterior desses sintomas”, disse a pesquisadora.

  • Total de participantes acompanhados: 6.537 estudantes adolescentes.
  • Rede de ensino monitorada: 71 escolas secundárias localizadas nos estados australianos de Nova Gales do Sul, Queensland e Austrália Ocidental.
  • Idade média no início do estudo (linha de base): 12,65 anos (cerca de 12,5 anos).
  • Duração do monitoramento longitudinal: 3 anos de acompanhamento após a linha de base, totalizando 4 avaliações anuais feitas do 7º ao 10º ano escolar.

Limitações de diagnóstico e sinais de alerta para depressão e ansiedade

Os sintomas analisados ao longo dos quatro anos de questionários escolares não foram definidos por diagnósticos clínicos feitos por médicos em consultório, mas sim por pontos de corte binários (classificações simples do tipo sim ou não a partir de uma pontuação limite) aplicados em escalas de triagem validadas. Tanto os indicadores emocionais quanto o histórico do que comiam e bebiam foram preenchidos pelos próprios estudantes com base na memória, motivo pelo qual os autores apontam que novos estudos ainda são necessários para confirmar os resultados e detalhar o funcionamento biológico dessa relação na adolescência.

A autora principal ressaltou que a dieta não atua de forma isolada no organismo juvenil. “Não estamos dizendo que comer uma maçã vai prevenir a depressão, ou que tomar um refrigerante vai causar ansiedade — a saúde mental é muito mais complexa do que isso. Mas o que você come é uma parte da vida de um jovem que pode potencialmente ser mudada, o que torna essas descobertas importantes sob o ângulo da prevenção”, declarou Lily Davidson.

Para os pais e responsáveis a quem o alerta do estudo se aplica no dia a dia, a prevenção doméstica passa por disponibilizar frutas e alimentos nutritivos nas refeições e nos lanches, evitando a presença frequente de bebidas açucaradas na rotina familiar, sem ignorar fatores como qualidade do sono, convivência em casa, amizades e mudanças na rotina. Diante de sinais como isolamento, tristeza ou mudanças persistentes de humor, alterações no sono e perda de interesse por atividades habituais que prejudiquem o cotidiano do jovem, a recomendação é conversar com o adolescente e buscar atendimento e orientação de um profissional de saúde.

Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing